Sant lança “O Que Separa os Homens dos Meninos Vol. II”

Dez anos após o primeiro volume, rapper anuncia álbum para 16 de setembro com Emicida, L7NNON, KL Jay, Duquesa e mais 11 participações

Onze anos depois de lançar o disco que definiu a trajetória dele, Sant volta ao mesmo universo com O Que Separa os Homens dos Meninos Vol. II. O álbum chega às plataformas nesta quarta-feira, dia 16 de Setembro, pela Som Livre, com 11 faixas e participações de Emicida, Céu, Duquesa, MC Marechal, Bia Ferreira, L7NNON e outros nomes.

O primeiro volume saiu em 2015 e virou um divisor de águas do rap introspectivo nacional. A sequência não tenta repetir aquele disco: ela registra o que aconteceu com o artista no intervalo entre um e outro.

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A mesma pergunta, um outro Sant

Sant sempre pensou o projeto como uma trilogia. Quando começou a construir o primeiro volume, ainda adolescente, já entendia que aquilo era só uma etapa de um processo maior de amadurecimento. “O Que Separa Os Homens Dos Meninos é a minha maior vitória. Profissional e pessoalmente. É minha obra mais importante porque eu sabia que as experiências que me levaram a compor o primeiro volume ainda eram apenas de um menino”, conta.

O que veio depois é o que preenche o Vol. II. Nesse intervalo, Sant deixou a região onde cresceu, voltou, interrompeu a relação com o rap, retomou a carreira e construiu uma família. Vieram amizades, afastamentos e reencontros, e é o tempo que organiza a narrativa do disco. “Eu fui conquistando algumas coisas e perdendo outras. O tempo é sinistro com isso. Ele vai colocando as coisas no lugar e a gente é muito pequeno para saber o lugar das coisas”, reflete.

Essa mudança de lugar aparece até na forma como ele olha para a própria estreia. “No primeiro volume era esse grito de um menino que precisava mostrar alguma coisa para o mundo ainda sem saber muito bem o quê, muito menos como. Era a vontade de um incendiário, e agora eu sou bombeiro”, resume o rapper.

Um disco construído sobre o tempo

A sonoridade nasceu de encontros. A parceria com MC Marechal, que produziu o primeiro volume, esteve presente desde as primeiras ideias. “Quando a ideia virou fazer o disco, aproveitamos o conceito do tempo. Fui na direção dele e, praticamente em um dia, a gente montou o esqueleto do disco”, lembra Sant.

Na produção final, LP Beatzz assumiu o papel central ao lado de Sant, construindo as bases que dão unidade às 11 faixas. Quando Marechal precisou sair do processo, foi o LP quem abraçou o resto. “Tirando as que já eram tuas, vamo ter de refazer tudo, abraça essa missão? E ele abraçou. O LP é esse gênio que faz esses tipos de coisas darem certo”, celebra o rapper.

As participações como parte da narrativa

Em vez de juntar nomes pela lógica de mercado do feat, Sant chamou pessoas que representam vínculos e momentos da caminhada dele. O melhor exemplo é a faixa-título, que sintetiza o conceito do projeto e traz Emicida. “Não existia uma outra pessoa no mundo que eu cogitaria chamar pra participar dessa música além dele”, diz. Já a faixa “Meio”, com L7NNON e produção de MC Marechal, tinha sido lançada como single em 2025.

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Boa parte dos convites nasceu de forma orgânica, no meio do processo. Em “Nossa Luta Parece Infinita”, Bia Ferreira foi chamada só para interpretar a frase inicial e acabou entregando um refrão inteiro. Já “Corre” começou como interlúdio e virou cypher à medida que Sant foi mostrando a música aos amigos. “Cada pessoa que participou do disco é muito especial pra mim e pro contexto de alguma forma”, afirma.

Um short film antes do disco

O lançamento também tem desdobramento no audiovisual. Disponibilizado em 7 de setembro, o short film que acompanha o álbum retoma a linguagem documental do primeiro volume e mergulha na relação de Sant com a família, os amigos e o território onde cresceu. Se o primeiro filme registrava o jovem começando a construir a carreira, o novo acompanha o homem em que ele se tornou.

“A gente precisa ver essas coisas mudarem. Então esse filme, esse disco, falar dessas coisas é também forçar a gente, como inconsciente coletivo, a olhar e pensar: não, cara, olha só. No mínimo, a gente já não é mais o mesmo”, explica.

Tracklist de O Que Separa os Homens dos Meninos Vol. II

  1. O Que Separa os Homens dos Meninos 2 (com Emicida e LP Beatzz)
  2. Sobrevivente (com LP Beatzz)
  3. Interlúdio (Estratégia Mental e Emocional de Libertação) (com Cipriano e LP Beatzz)
  4. Nossa Luta Parece Infinita (com Bia Ferreira, Tiago Mac, Lil Whind e LP Beatzz)
  5. Cartas de Amor (com LP Beatzz)
  6. Meio (com MC Marechal e L7NNON)
  7. Corre (com Pecaos, ADL, Clara Lima, Duquesa, 2ZDINIZZ e LP Beatzz)
  8. Fronteiras (com LP Beatzz)
  9. Vida Real (com Céu e LP Beatzz)
  10. Pergunta Se Eu Consegui (com DJ KL Jay e LP Beatzz)
  11. Ônus (com Derxan e LP Beatzz)

Quem é Sant

Nascido e criado na Zona Norte do Rio de Janeiro, Sant é reconhecido como um dos MCs mais líricos do rap brasileiro contemporâneo. A projeção nacional veio em 2015, com o primeiro O Que Separa os Homens dos Meninos, feito sob a mentoria de MC Marechal, que transformou vivências pessoais e questões sociais em composições identificáveis.

Desde então, Sant passou por participações marcantes, como “Poetas no Topo” e “Favela Vive”, e por projetos como “Fazendo Arte”, “Rap dos Novos Bandidos”, “de: para:” e Convicto. Com mais de um bilhão de streams somados nas plataformas, ele chega ao Vol. II ocupando um espaço próprio dentro da música urbana brasileira. A RAP MÍDIA acompanha o lançamento.

O RESUMO DA CENA

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Diego Vidal

Diego Vidal

Cresci gravando rap de rádio em fita e hoje brigo com playlists de algoritmo. Escrevo sobre lançamentos, festivais e cena na RAP MÍDIA.

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