Universal Music Group e ElevenLabs fecham acordo para plataforma de música com IA

Acordo plurianual prevê licenciamento de catálogo, remuneração a artistas e plataforma para fãs criarem remixes e mashups com IA
Universal Music Group e ElevenLabs fecham acordo para plataforma de música com IA

A indústria da música e as empresas de inteligência artificial passaram os últimos anos se encarando com desconfiança mútua, com processos judiciais se acumulando de um lado e modelos treinados em catálogos sem autorização do outro. Esse confronto aberto começa a ceder espaço para uma outra dinâmica, e o acordo fechado nesta quinta-feira (10) entre o Universal Music Group e a ElevenLabs é a evidência mais recente disso.

A parceria plurianual cobre três frentes: licenciamento de música, desenvolvimento conjunto de produtos de áudio com IA e a criação de uma nova plataforma voltada ao público. Fãs poderão trabalhar com músicas de artistas e compositores participantes para criar remixes, mashups, novas interpretações de faixas e experiências vocais personalizadas. É o primeiro acordo da ElevenLabs com uma major, e sinaliza que a companhia quer atuar num campo mais amplo do que o de geração de áudio genérico.

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O que está em jogo para a indústria

Transformar em produto oficial o que o público já faz nas redes sociais há anos: remixes não autorizados, mashups virais, vozes clonadas de artistas conhecidos em faixas amadoras. Tudo isso circula há tempo sem nenhum retorno para os detentores dos direitos. A lógica do acordo com a ElevenLabs é criar um ambiente onde esse comportamento aconteça dentro de um sistema licenciado, com participação da gravadora no licenciamento e com os artistas tendo a opção de entrar ou não.

Para a UMG, que já vinha pressionando plataformas e empresas de IA a formalizarem acordos de uso de catálogo, a parceria representa uma forma de manter controle sobre como seu repertório é utilizado. O raciocínio é direto: se o uso vai acontecer de qualquer forma, melhor que aconteça dentro de um modelo que prevê remuneração.

“As possibilidades mais empolgantes da IA e da música são aquelas que colocam artistas, compositores e fãs no centro. A UMG e a ElevenLabs compartilham a visão de que a IA responsável pode inspirar descobertas, aprofundar o engajamento entre artistas e fãs e abrir novas oportunidades de receita para a comunidade criativa.”

Sir Lucian Grainge, presidente e CEO do Universal Music Group

A declaração de Grainge é precisa no que escolhe enfatizar: “IA responsável” e “novas oportunidades de receita”. São as duas palavras de ordem que as majors precisam usar publicamente agora, depois de anos resistindo a qualquer conversa que colocasse inteligência artificial perto de seus catálogos.

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O que a ElevenLabs já tem e o que vai ganhar com isso

A ElevenLabs é conhecida principalmente pelas tecnologias de geração e clonagem de voz, com produtos usados em mais de 70 idiomas por consumidores, desenvolvedores e empresas. No campo musical, a companhia já opera o ElevenMusic, aplicativo que permite gerar e editar músicas originais com controles sobre voz, instrumentos, estilo e arranjo. Oferece também a Music API para integração de seus modelos a produtos de terceiros.

A nova plataforma será separada desses produtos. A diferença central está na presença de repertório licenciado: em vez de gerar uma faixa nova a partir do zero, o usuário poderá trabalhar a partir de obras já existentes, com artistas e compositores que escolherem participar da iniciativa. É um salto qualitativo no que a empresa pode oferecer. A parceria com a Universal Music Group é o que viabiliza esse salto.

“A IA abre possibilidades incríveis para interagir com nossas músicas e artistas favoritos. Ao combinar a comunidade global e a experiência da UMG em gestão de direitos com nossos modelos e produtos de IA, vamos permitir que artistas e compositores criem novas experiências poderosas para seus fãs e garantir que sejam remunerados de forma justa.”

Mati Staniszewski, cofundador e CEO da ElevenLabs

O que ainda falta saber

Os anúncios corporativos costumam cobrir bem o que o acordo representa e deixar em aberto exatamente o que mais interessa: como vai funcionar na prática. UMG e ElevenLabs não informaram quais catálogos estarão disponíveis no lançamento, como será feita a adesão dos artistas, quais limites serão impostos às criações dos usuários nem como a receita será dividida entre as partes. Também não há data pública para o início do serviço.

Essas lacunas não invalidam o movimento. Um acordo de licenciamento que não define como os artistas entram, como saem e quanto ganham pode acabar sendo mais favorável a uma das partes do que o comunicado sugere. Na história recente da relação entre tecnologia e música, os detalhes dos contratos sempre contaram mais do que as declarações de intenção.

O acordo entre Universal Music Group e ElevenLabs deixa claro, por ora, que a fase de confronto aberto entre gravadoras e empresas de IA está cedendo para uma fase de negociação. Se esse novo modelo vai de fato remunerar artistas de forma justa ou vai reproduzir, em ambiente licenciado, as mesmas assimetrias de sempre: a resposta está nos termos que ainda não foram tornados públicos.

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NARDONI

NARDONI

Carioca que não gosta de praia, apreciador de café e água com gáix, criador da RAP MÍDIA.

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