Michael Sanft, advogado que liderou a defesa de Duane “Keffe D” Davis, condenado pelo assassinato de Tupac Shakur, morreu em Las Vegas, nos Estados Unidos. Ele tinha 55 anos. Sanft foi declarado morto na noite da quinta-feira, dia 5 de novembro, e o escritório do legista do Condado de Clark confirmou a morte na sexta-feira, dia 6, segundo a emissora FOX5, de Las Vegas.
A causa e a forma da morte ainda não foram divulgadas e aguardam o laudo oficial. A polícia de Las Vegas encaminhou todas as perguntas ao legista. A morte acontece menos de um mês depois da sentença de Keffe D, também grafado Keefe D, e uma semana depois de a defesa entrar com o pedido formal de recurso contra a condenação.
Quem era Michael Sanft, advogado de Keefe D.
Sanft era o principal advogado de julgamento do escritório SOS Injury Lawyers, em Las Vegas, e, segundo o perfil divulgado pelo próprio escritório, levou mais de 150 casos até o veredito de um júri. Ele também atuou no Tribunal de Apelações do Nono Circuito, uma das cortes federais mais importantes do oeste americano. Sanft passou parte da infância em Tonga, no Pacífico Sul, e se mudou para os Estados Unidos ainda criança.
No caso Tupac, ele trabalhou de graça. Segundo a FOX5, Sanft representou Davis sem cobrar honorários durante o julgamento, que foi um dos mais acompanhados da história do hip hop. Depois do veredito, ele chegou a dizer que a defesa teve “o melhor time possível” e criticou a investigação da polícia, que, na visão dele, deixou de lado pistas sobre a propriedade do Cadillac usado no ataque.
Um colega de profissão, o advogado Mike Troiano, descreveu Sanft à FOX5 como uma pessoa “honesta, humilde e boa de verdade”. Até a publicação desta matéria, a família e o escritório não tinham divulgado nota oficial.
Keefe D: o julgamento pela morte de Tupac.
Tupac Shakur foi baleado em 7 de setembro de 1996, quando estava parado num sinal em Las Vegas, dentro de um BMW, depois de assistir a uma luta de Mike Tyson. Os tiros saíram de um Cadillac branco que encostou ao lado do carro. O rapper morreu seis dias depois, aos 25 anos, e o crime passou quase três décadas sem ninguém condenado. A gente relembrou essa história nos 30 anos da morte de Tupac.
Davis, um ex-líder da gangue Southside Compton Crips, foi preso em 2023. A acusação se apoiou em grande parte nas próprias entrevistas e no livro em que ele contou ter entregado a arma usada no ataque. Segundo Davis, quem atirou foi o sobrinho dele, Orlando “Baby Lane” Anderson, que morreu em 1998. Os outros ocupantes do Cadillac também já morreram, o que fez de Davis o único réu possível no caso.
O julgamento de Keefe D durou cerca de duas semanas, e o júri levou menos de três horas para decidir. Em 31 de agosto, Davis foi condenado por homicídio em primeiro grau com uso de arma letal. Em 13 de outubro, a juíza Carli Kierny deu a sentença: duas penas de no mínimo 20 anos, que podem chegar à prisão perpétua, uma pelo homicídio e outra pelo uso da arma, cumpridas em sequência. Na prática, Davis só pode pedir liberdade condicional depois de 40 anos, e a pena pode durar a vida inteira.
O que acontece com o recurso de Keefe D.
Mesmo depois da condenação, a defesa não desistiu. Segundo a FOX5, registros do tribunal mostram que o aviso formal de recurso foi protocolado na sexta-feira, dia 30 de outubro. Um dos argumentos que Sanft vinha usando era o de que a promotoria demorou demais para levar o caso a julgamento, quase 30 anos depois do crime.
Ainda não se sabe como a morte do advogado vai afetar o andamento do recurso, nem quem vai assumir a defesa de Davis daqui para frente. Davis, que já foi transferido para a Prisão Estadual de Nevada, tem 63 anos e diz estar em tratamento contra um câncer. Nas redes, a proximidade entre a morte de Sanft e o recurso levantou especulações, mas não há nenhuma informação oficial que ligue uma coisa à outra. O caso também virou série: a gente já falou do documentário sobre o julgamento do assassinato de Tupac.





