Os direitos autorais da música bateram recorde no mundo em 2025. Segundo o Relatório Global de Arrecadação da CISAC, a confederação internacional das sociedades de autores, divulgado na quarta-feira, dia 4 de novembro, a arrecadação para compositores e editores de música chegou a € 14,06 bilhões, alta de 11,9% em relação ao ano anterior.
Somando todos os tipos de obra, incluindo audiovisual, artes visuais, literatura e teatro, o total foi de € 15,5 bilhões, também recorde, com alta de 11,3%. A música responde por mais de 90% de todo esse dinheiro, e o motor do crescimento continua sendo o mesmo dos últimos anos: o digital.
Direitos autorais da música em 2025: os números da CISAC
O digital, que inclui streaming de áudio e vídeo, chegou a € 6,41 bilhões em arrecadação de música, alta de 27,9%, e já representa 45,6% de tudo o que os compositores receberam. É de longe a principal fonte de renda dos criadores no mundo.
Em segundo lugar, pela primeira vez, ficaram os shows e a chamada música ambiente, aquela tocada em bares, lojas, academias e eventos. Essa fatia somou € 3,62 bilhões, alta de 7,3%, e passou TV e rádio, que caíram 3% e ficaram em € 3,32 bilhões. Só os shows ao vivo, considerando todos os repertórios, geraram € 1,4 bilhão, alta de 14,9%. Desde 2016, a arrecadação de música cresceu 83,5%.
Há um detalhe importante nesse salto. Este é o primeiro relatório que inclui os números do The MLC, o órgão americano que licencia direitos de reprodução mecânica no streaming, e ele responde por cerca de metade do aumento do ano. Sem o MLC, o crescimento total teria sido de 5,3%.
Direitos autorais da música no Brasil: o que é o ECAD
No Brasil, quem arrecada e distribui os direitos autorais de execução pública da música é o ECAD, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição. Ele funciona como um caixa único: cobra de quem toca música em público, como rádios, TVs, casas de show, festivais, bares, lojas, academias e plataformas digitais, e repassa o dinheiro às associações de música, como a UBC e a Abramus, que fazem parte da rede da CISAC. As associações, por sua vez, pagam os compositores, intérpretes, músicos, editoras e produtores das gravações.
A América Latina e o Caribe arrecadaram € 847 milhões em 2025, alta de 9,8%, e o digital na região subiu 10,3%, para € 360 milhões. O crescimento latino ficou acima do europeu, de 6,2%, mas bem abaixo do salto de 26,5% de Estados Unidos e Canadá, puxado pela entrada do MLC. Os números de cada país não foram detalhados no resumo divulgado, e o ranking global segue liderado por Estados Unidos, França e Reino Unido.
Para o artista independente de rap, entender essa conta faz diferença. Uma música gera dois tipos de dinheiro. O do fonograma, a gravação, chega pela distribuidora que coloca a faixa nas plataformas. O da obra, a composição, depende de o autor estar filiado a uma associação e de a música estar cadastrada no sistema do ECAD. Quem só sobe a faixa no Spotify e não registra a obra deixa dinheiro na mesa. A gente explica a conta da gravação na calculadora de quanto paga o Spotify.
Direitos autorais da música e a inteligência artificial
Os dirigentes da CISAC usaram o recorde para fazer um alerta: o crescimento pode não se repetir se a inteligência artificial usar obras sem licença e sem pagar os criadores. O diretor-geral da entidade, Gadi Oron, resumiu a preocupação.
O crescimento contínuo da arrecadação global mostrado no nosso relatório é um sinal forte e encorajador. Ele reflete a demanda duradoura por obras criativas no mundo todo e a eficácia da gestão coletiva em devolver valor aos criadores. Mas, ao entrarmos na era da inteligência artificial, o crescimento passado não pode ser dado como garantido.
Gadi Oron, diretor-geral da CISAC
O presidente da CISAC é Björn Ulvaeus, um dos fundadores do ABBA, que defendeu que a tecnologia sirva para inspirar novos trabalhos, e não para substituir quem cria. Em junho, a assembleia geral da entidade aprovou o chamado Compromisso de Paris, um documento que pede a governos, empresas de tecnologia e à indústria cultural que garantam que a criatividade humana continue reconhecida, protegida e paga de forma justa.
O tema já chegou ao streaming. Neste ano, a Deezer revelou que 44% dos novos uploads na plataforma são músicas geradas por IA, e a discussão sobre como remunerar artistas e compositores nesse cenário deve dominar o mercado da música nos próximos anos.
Perguntas frequentes sobre direitos autorais da música
O que é o ECAD?
O ECAD, Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, é a entidade que arrecada no Brasil os direitos autorais pela execução pública de músicas, em rádio, TV, shows, eventos, comércio e plataformas digitais, e repassa os valores às associações, que pagam os artistas.
Quem recebe direitos autorais de uma música?
Recebem os autores da composição e as editoras, pela obra, e os intérpretes, músicos e produtores da gravação, pelo fonograma. Para receber, é preciso estar filiado a uma associação de música e ter as obras e gravações cadastradas.
Quanto os direitos autorais da música arrecadaram no mundo em 2025?
Segundo o relatório da CISAC, a arrecadação da música chegou a € 14,06 bilhões em 2025, alta de 11,9%. Somando todos os tipos de obra, o total foi de € 15,5 bilhões.





