Keffe D é condenado à prisão perpétua pela morte de Tupac

Duane "Keffe D" Davis é condenado à prisão perpétua pela morte de Tupac e só poderá pedir liberdade após 40 anos. Veja como foi a audiência.
Keffe D é condenado à prisão perpétua pela morte de Tupac

Duane “Keffe D” Davis, condenado por organizar o assassinato de Tupac Shakur, recebeu nesta terça-feira (13) a pena de 40 anos à prisão perpétua. A sentença foi lida pela juíza Carli Kierny num tribunal de Las Vegas, quase 30 anos depois dos tiros que mataram o rapper, e fecha a primeira condenação da história pelo crime.

Na prática, a pena quer dizer que Davis, hoje com 63 anos, só poderá pedir liberdade condicional depois de cumprir 40 anos de prisão, quando estaria com mais de 100. Se o pedido for negado, ele continua preso pelo resto da vida. Para a promotoria, o resultado é a garantia de que o ex-líder de gangue de Compton vai morrer atrás das grades.

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Como foi a audiência

Os irmãos de Tupac, Sekyiwa e Mopreme Shakur, falaram no tribunal e pediram à juíza a pena máxima. A acusação seguiu na mesma linha. O promotor Marc DiGiacomo argumentou que Davis tentou lucrar com a morte do rapper, já que contou a própria versão do crime em entrevistas e num livro, e lembrou que o réu já tinha outras condenações.

A defesa, comandada pelo advogado Michael Sanft, pediu a pena mínima e repetiu a tese que sustentou durante todo o processo: nada além das próprias palavras de Davis o colocava em Las Vegas naquela noite, sem imagens de câmera, registros de telefone ou outra prova material. Davis falou pouco. Pediu apenas que a polícia devolvesse objetos levados da casa dele, como fotografias, e disse que não tinha mais nada a acrescentar.

Antes de anunciar a pena, a juíza disse que ninguém pode tirar uma vida e simplesmente ir embora, ainda mais a de Tupac. “Hoje, a justiça foi feita para Tupac Shakur e as pessoas que o amavam”, afirmou depois o promotor distrital do condado de Clark, Steve Wolfson. “Nenhum tempo de prisão vai trazer Tupac de volta, mas esperamos que essa sentença traga algum encerramento e paz para a família depois de quase 30 anos.”

Do crime à sentença

Tupac foi baleado na noite de 7 de setembro de 1996, em Las Vegas, quando voltava de uma luta de Mike Tyson, e morreu seis dias depois, aos 25 anos. Os tiros saíram de um Cadillac branco que parou ao lado do BMW dirigido por Suge Knight, dono da Death Row Records. A história completa da noite e da carreira do rapper está na matéria sobre os 30 anos da morte de Tupac.

O caso ficou parado por décadas e só voltou a andar por causa do próprio Davis. Em 2018, ele deu entrevistas sobre aquela noite e, em 2019, lançou o livro de memórias “Compton Street Legend”, em que contou que estava no banco do passageiro do Cadillac e que entregou a arma a um dos homens sentados atrás. Segundo a polícia, foram essas declarações que reabriram a investigação. Davis foi preso em setembro de 2023.

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O julgamento começou em agosto deste ano, como mostramos na cobertura do início do julgamento de Keffe D. Ao longo de nove dias, o júri, formado por 16 pessoas, quatro delas suplentes, ouviu 24 testemunhas de acusação e três de defesa. Em 31 de agosto, depois de menos de três horas de deliberação, veio a condenação de Keffe D por homicídio com uso de arma letal.

Quem atirou em Tupac?

A pergunta continua sem resposta oficial. Nem Davis nem a polícia apontaram quem disparou contra Tupac, e os outros três homens que estavam no Cadillac já morreram. Um deles era Orlando “Baby Lane” Anderson, sobrinho de Davis, que horas antes tinha sido espancado por Tupac e pessoas ligadas à Death Row no cassino MGM Grand. Anderson nunca foi acusado e morreu em 1998, em outro tiroteio.

A condenação só foi possível por causa da lei de Nevada, que permite acusar de homicídio quem participou do crime mesmo sem ter puxado o gatilho. A promotoria sustentou que Davis organizou o ataque e conseguiu a arma usada naquela noite.

A morte de Tupac também segue ligada à de The Notorious B.I.G., morto a tiros em Los Angeles em março de 1997. O caso de Biggie nunca foi resolvido, e investigadores especulam há anos que o assassinato tenha sido uma retaliação ao de Tupac. No livro, Davis contou que foi tratado por muito tempo como suspeito nas duas mortes.

O que vem agora

Davis sempre negou a acusação, e a defesa já avisou que vai recorrer da condenação. Enquanto o recurso não for julgado, ele segue preso, como está desde 2023.

A história também vai chegar às telas. A Sky produz um documentário que acompanhou o julgamento por dentro, com acesso à família de Tupac, e que estreia em 2027. Quando o filme sair, vai ter o último capítulo que faltava: o dia em que, quase três décadas depois, alguém recebeu uma pena pela morte de um dos maiores nomes do rap.

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NARDONI

NARDONI

Carioca que não gosta de praia, apreciador de café e água com gáix, criador da RAP MÍDIA.

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