Nesta Terça-feira, dia 4 de Agosto, Borges abriu um stories cobrando publicamente Arthur Lima. A questão de fundo: uma coreografia que teria sido criada por Jamal da Capital, mas que estaria sendo tratada como se fosse de autoria do influenciador.
O tom dos stories chama atenção justamente por não ser de estranhos brigando à distância. Borges deixou claro que gosta de Arthur Lima e que os dois têm proximidade real, já frequentaram a casa um do outro e saíram juntos algumas vezes. É esse histórico que dá peso à cobrança: não é bate boca de rivalidade forçada, é um cara chamando outro pra conversa por achar que ele passou dos limites.
Na sequência de textos, Borges questiona diretamente por que Arthur estaria recebendo os créditos de uma dança que, não foi criada por Arthur. O rapper reconhece que o influenciador sempre trabalhou duro, mas separa isso do problema central: uma coisa é reproduzir bem algo que já existe, outra é deixar que o público acredite que a criação nasceu ali.
A acusação de racismo estrutural
O desabafo de Borges não fica só na cobrança pessoal. Ele puxa o episódio para uma discussão mais ampla, ligando a falta de crédito a Jamal da Capital a um recorte racial. Para ele, a imagem de um criador preto e favelado, que ele descreve como “não padronizado”, é historicamente mais difícil de vender pro mercado do entretenimento, e é justamente essa dificuldade de comercialização que abriria espaço para outras figuras absorverem o mérito de uma criação sem que isso vire problema público.
Essa leitura não é exclusividade de Borges. A cena de dança viral nas redes brasileiras já teve outros episódios parecidos, em que passos e coreografias nascidos em contextos de periferia circulam pelo país inteiro sem que o nome de quem inventou apareça em lugar nenhum, enquanto perfis com mais alcance e estética mais palatável para marcas e programas de TV colhem o resultado comercial. É um debate que atravessa o funk, o pagode e agora aparece de novo no radar do rap.
Se tu quer ficar puto, fica. Não vou parar de falar isso não. Abraços, não do teu parceiro, Bg.
Borges
Borges também faz questão de dizer que não está tentando tirar o mérito de Arthur enquanto trabalhador. Ele admite que o influenciador já ganha dinheiro suficiente reproduzindo algo que, segundo o próprio rapper, “todo mundo estava fazendo”. O ponto não é o sucesso em si, é a origem dele sendo apagada.
Entre a cobrança e o tom irônico do fechamento
Em determinado trecho, Borges pede que Arthur “receba a benção” por ter alcançado projeção internacional com a coreografia, mas cobra que ele pare de agir, nas palavras do rapper, com covardia diante de outros criadores. É um pedido que soa quase paternal, do tipo que só cabe entre quem tem intimidade real: reconhece o sucesso do outro, mas exige postura.
O desabafo se encerra em tom irônico, com Borges dizendo que não vai se incomodar caso Arthur Lima fique chateado com a exposição pública. A despedida escolhida, “abraços, não do teu parceiro, Bg”, resume bem o clima da publicação inteira: cobrança séria embalada numa provocação direta, sem meio termo.
Até a publicação deste texto, não havia posicionamento público de Arthur Lima sobre as acusações feitas por Borges, nem manifestação de Jamal da Capital confirmando ou detalhando a autoria da coreografia mencionada nos stories.







