O último domingo do Rock in Rio 2026 não serviu só para fechar a edição. Serviu para abrir o próximo capítulo. Antes de o público deixar a Cidade do Rock, a Rock World anunciou que o festival volta ao Rio de Janeiro em setembro de 2028 com uma novidade que nunca esteve na programação: a Rock in Run uma corrida oficial com percursos de 5 km e 10 km e capacidade para 10 mil atletas.
O anúncio chegou junto com o balanço da edição que acabou de encerrar. Em sete dias de festival, mais de 700 mil pessoas passaram pela Cidade do Rock. Desse total, 49% vieram de fora do estado do Rio de Janeiro e havia visitantes de 89 países diferentes. O impacto econômico estimado pela organização foi de R$ 3,36 bilhões, com 33,9 mil empregos diretos e indiretos gerados.
Uma edição que quis ser histórica
A edição de 2026 reuniu 190 shows, mais de 1,3 mil artistas e 45 apresentações internacionais. Destaque para a última apresentação de Elton John na América do Sul, a estreia do K-pop no festival, Calvin Harris como primeiro DJ headliner do evento e shows de Foo Fighters, Avenged Sevenfold, Stray Kids e Maroon 5.
Roberta Medina, vice-presidente da Rock World, não escondeu a emoção com o que aconteceu no palco com Elton John. Ela trouxe à tona a memória de Freddie Mercury em 1985 para dimensionar o peso do momento:
“Que bacana poder viver momentos como os que aconteceram nesta edição. A gente fala muitas vezes daquele primeiro Rock in Rio, em 1985, com o Freddie Mercury regendo a plateia de milhares de pessoas. Mas nós, aqui, também podemos viver momentos históricos. E que honra! A vida passa muito rápido, há um excesso de informação e uma quantidade de conteúdo que a gente mal consegue digerir. Não podemos deixar passar batido uma declaração de amor de um cara como o Elton John para o Brasil. A gente tem que valorizar e entender o quanto o Brasil entregou para um artista dessa dimensão. E não vamos deixar isso ser esquecido nunca.”
Roberta Medina, vice-presidente da Rock World
A apresentação de Elton John foi transmitida ao vivo pela Globo, ampliando o alcance para além das 100 mil pessoas presentes na Cidade do Rock naquele dia. O Rock in Rio completou ainda 25 anos de parceria com o Itaú, patrocinador master do festival desde 2001.
A Rock in Run e a aposta em um novo formato
A corrida não vai acontecer durante os dias do festival. A Rock in Run será realizada no evento-teste que antecede o Rock in Rio 2028 com largada marcada para o pôr do sol. O percurso seguirá pela noite e o trajeto termina dentro da Cidade do Rock, onde os participantes serão recebidos com um show. As 10 mil vagas estarão distribuídas entre as modalidades de 5 km e 10 km.
Roberto Medina, criador do Rock in Rio, explica a lógica por trás da iniciativa:
“Por que alguém começa a correr? Para cuidar da saúde, da mente, superar limites, bater metas. E nossos fãs no festival? Buscam dias de festa, de paz, de felicidade a partir da música que é o fio condutor de toda a nossa história. E aí, repara só: o que acontece se juntarmos as duas paixões, esporte e música?”
Roberto Medina, criador do Rock in Rio
A proposta tem uma camada estratégica clara. Ao colocar a Cidade do Rock em uso antes da abertura oficial, a organização cria um novo ponto de entrada para o festival, conectando esporte, turismo e música numa experiência que existe antes mesmo do primeiro show. Quem participa da corrida chega ao Rio com antecedência, movimenta a cidade e vira público garantido para o que vem depois. Do ponto de vista de mercado, trata-se de uma extensão inteligente de uma marca que já funciona há quatro décadas.
Antes de 2028, tem The Town
A Rock World ainda tem uma parada importante antes de chegar à próxima edição do Rock in Rio. A terceira edição do The Town está marcada para os dias 4, 5, 6, 11 e 12 de setembro de 2027, em São Paulo. A programação ainda não foi divulgada, mas o evento funciona como teste antes da estrutura maior no Rio.
Os detalhes sobre a programação do Rock in Rio 2028 e as inscrições para a Rock in Run ainda não foram anunciados. A movimentação feita no encerramento da edição de 2026 deixa claro que a organização não está pensando só no próximo festival: está pensando em como ampliar o ecossistema da marca para além dos dias de show. Uma corrida que termina num palco não é uma atração secundária. É uma expansão real do calendário, da presença na cidade e da ligação com o público que ainda nem comprou ingresso.





