Major RD coroado, vestido de Nossa Senhora Aparecida. Essa é a imagem que o rapper carioca escolheu para apresentar o álbum ALFA seu próximo projeto, que chega às plataformas digitais no dia 29 de julho. A capa já revela o tom do que vem por aí: não é um lançamento qualquer, e ele não está tratando assim.
Junto com a arte, Major RD revelou a tracklist completa do disco. A lista de participações é impressionante: MV Bill, KL Jay, Djonga, BK’, MC Cabelinho, Slipmami, Chefin e Ryu The Runner. Um mesmo projeto reunindo nomes de gerações tão diferentes quanto KL Jay, que ajudou a construir o rap nacional nos anos 90 com os Racionais, e Ryu The Runner, que é referência da nova cena, exige uma curadoria muito consciente. Montar esse lineup sem que pareça confuso já é um argumento a favor do projeto.
A estreia pela Warner e o que ela representa
O álbum ALFA também inaugura um capítulo novo na trajetória do artista: é o primeiro lançamento de Major RD desde que assinou com a Warner Music Brasil. Para um rapper que construiu carreira com a independência como bandeira, entrar para o casting de uma grande gravadora pode ser lido de formas distintas. Ele mesmo adiantou a própria leitura:
Sempre acreditei em construir minha caminhada respeitando minhas origens, minha visão e as pessoas que estiveram comigo desde o começo. Chegar à Warner Music Brasil neste momento significa ampliar horizontes sem perder a essência.
Major RD
A frase tem peso quando colocada ao lado da capa. Vestir-se de Nossa Senhora Aparecida não é escolha aleatória no contexto do rap brasileiro: é um recurso que ancora o artista em símbolos populares e periféricos antes mesmo de soltar uma nota. É dizer, sem precisar explicar, de onde vem e para quem faz. Esse tipo de comunicação visual costuma anteceder projetos que pretendem ser ouvidos além da bolha.
Um disco para ser levado a sério
A combinação de simbolismo religioso na arte, tracklist com lendas e novatos lado a lado, e o respaldo de distribuição de uma major coloca o álbum ALFA do Major RD numa posição rara: é um projeto que tem condições reais de circular tanto nas plataformas quanto nas conversas da cena.
BK’ e Djonga são dois dos MCs com mais capital de credibilidade no rap nacional hoje. MC Cabelinho transita entre o funk carioca e o trap com uma naturalidade que poucos conseguem. Slipmami e Chefin trazem a conexão com o público que cresceu ouvindo a cena atual. Cada nome ali tem uma função narrativa dentro do que parece ser uma intenção clara de ALFA: construir algo que dialogue com diferentes camadas da cultura sem soar genérico.
Falta ouvir. A capa comunica, a tracklist promete, a assinatura com a Warner estrutura a distribuição. O que vai definir se esse disco entra de fato no debate é o que está dentro.
Para isso o calendário já marca: Dia 29 de julho “ALFA” em todas as plataformas digitais.







