Agora é oficial, o retorno do lendário G-Unit G6 já tem data marcada: 20 de agosto de 2026. O tênis de 50 Cent, lançado originalmente em 2003, vai voltar ao mercado como uma releitura do colorway clássico branco com detalhes em azul e vermelho, pelo preço de US$ 130.
A informação foi confirmada via Sole Retriever, e ainda há especulação de que a Reebok possa antecipar o drop com ativações em Nova York, mas, por enquanto, o dia 20 de Agosto segue como oficial.
Para entender o peso dessa releitura, precisa voltar um pouco. O G6 nasceu no mesmo ano em que 50 Cent jogou o mundo do rap de cabeça para baixo com “Get Rich or Die Tryin'”. O álbum e o tênis foram praticamente lançados juntos, e essa sincronia não foi acidente. Foi posicionamento. 50 Cent entrou na Reebok num momento em que a marca também tinha Jay-Z no portfólio com o S. Carter, criando uma das rivalidades mais interessantes do sneaker game dentro de uma mesma casa.
50 Cent depois afirmou que o G6 superou o S. Carter em vendas numa proporção de seis para um, período em que o tênis do Hov era considerado o mais rápido a esgotar na história da Reebok até então. O partnership inteiro chegou a gerar em torno de US$ 80 milhões para o líder da G-Unit.
“Quando começamos a vender tênis, o G-Unit e o Shawn Carter, foi uma resposta a perder a guerra de lances. Vendi mais de 3,8 milhões de pares de tênis.”
50 Cent, em entrevista a Big Boy em 2012
O retorno do G6 já estava no ar antes mesmo de qualquer imagem oficial aparecer. Quem entregou o segredo foi Tony Yayo, num episódio do podcast The Real Report, ao lado do Uncle Murda. Yayo mencionou a parceria com a Reebok antes de qualquer anúncio formal, e o vídeo de 50 Cent reagindo ao vazamento virou meme instantâneo na internet. A frase foi curta e precisa: “I can’t tell Yayo nothing.”


O que você vai encontrar no par
A Reebok manteve tudo que fazia o G6 ser o G6. O upper em couro branco segue como base, com o toe cap em camurça cinza acabado nos tons vermelho, branco e azul. Os dubrae de cadarço em prata trazem a gravação “G-6”, a aba do calcanhar usa o sistema tricolor e o lado lateral do salto carrega o bordado “G-Unit” em azul. A lingueta e o calcanhar têm o branding da Reebok, e a sola branca exibe o logo “RBK” na lateral. Fiel ao original, sem reinterpretações. Quem estava esperando por um G6 que respeite a memória afetiva do início dos anos 2000 vai encontrar exatamente o que queria.
Essa fidelidade construtiva importa porque o mercado de retros vive um paradoxo: a demanda por autenticidade é alta, mas a tentação de modernizar para agradar novos consumidores também. A Reebok optou por não mexer no que funcionou. O G6 não precisa de atualização para ser relevante em 2026; o contexto cultural faz esse trabalho. A onda Y2K no streetwear está longe de desacelerar, e um par diretamente ligado a um dos momentos mais marcantes do rap americano dos anos 2000 chega num timing que qualquer estrategista de produto assinaria embaixo.
O que esse relançamento diz sobre o momento
Tênis de rapper não é novidade nenhuma hoje. Cada semana tem um artista anunciando collab com Nike, Adidas ou New Balance. Mas quando o G6 chegou em 2003, essa fronteira entre música e sneaker ainda estava sendo construída a toque de caixa. 50 Cent e Jay-Z, cada um com sua linha na mesma Reebok, foram pilares desse processo. O G6 não foi só um produto: foi um gesto de autonomia dentro de uma indústria que historicamente tratava rappers como garotos-propaganda, não como parceiros de negócio.
O relançamento acontece num momento em que 50 Cent segue como uma das figuras mais ativas da cultura, e a G-Unit enquanto marca continua carregando peso histórico real. Para os que viveram aquele período, o Reebok G-Unit G6 funciona como objeto de memória. Para quem chegou depois, é uma entrada direta num capítulo que moldou o que o streetwear e o rap negociam até hoje. Os dois grupos têm motivos suficientes para estar de olho no dia 20 de agosto.






