A poucos dias do primeiro turno das eleições, Filipe Ret usou o Instagram para deixar claro em quem vai votar para presidente, sem precisar escrever o nome. “Vcs me conhecem né… domingo ja sabem em quem votar né? Né segredo”, publicou o rapper, numa postagem acompanhada de uma imagem inteiramente vermelha, cor historicamente ligada ao PT.
Na prática, o recado aponta para Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição pelo partido, e repete o que Ret já tinha feito em 2022. Desta vez, porém, ele foi além da Presidência e pediu que os seguidores olhem também para outra parte da urna: o voto em senadores e deputados de esquerda.
O que Ret escreveu
A publicação começa com um pedido de paciência. Para Ret, duas décadas não bastam para transformar um país inteiro: “O Brasil não vai mudar séculos de retrocesso em apenas 20 anos. Fiquem tranquilos quanto a isso”, escreveu.
Em seguida, ele admite que não existe candidato ideal. “O Brasil nunca terá um líder perfeito. Precisamos de alguém que olhe pra onde a maioria dos políticos nunca olha”, afirmou, antes de listar o que considera prioridade: conhecer a história do país, construir uma identidade nacional, defender a soberania, respeitar as instituições e a democracia e dar prioridade ao social, à educação e ao combate à fome. A lista termina com um ponto sobre o próprio debate político: a “capacidade de dialogar com quem não gosta”.

Por que o Congresso entrou no recado
Um trecho inteiro da mensagem foi dedicado ao Legislativo. “Nunca tivemos maioria de esquerda no Congresso”, escreveu Ret, pedindo que os fãs não esqueçam de votar em senadores e deputados do campo. Neste domingo, além de presidente e governador, os eleitores escolhem dois senadores por estado, o que renova dois terços do Senado, todos os 513 deputados federais e os deputados estaduais.
Os números de 2022 ajudam a entender o pedido. Naquela eleição, o PL, partido de Jair Bolsonaro, elegeu a maior bancada da Câmara, com 99 deputados, e a federação formada por PT, PCdoB e PV ficou em segundo lugar, com 80. Como qualquer presidente depende do Congresso para aprovar leis e o Orçamento, a composição das duas Casas pesa tanto quanto o resultado da disputa principal, e é esse o ponto que o rapper quis lembrar.
Não é a primeira vez
O posicionamento repete o roteiro de quatro anos atrás. Em 30 de setembro de 2022, também às vésperas do primeiro turno, Ret publicou uma foto fazendo o “L”, gesto da campanha de Lula, com a legenda “Mal aí”. Na mesma época, em entrevista, ele se definiu como anarquista na arte, mas disse acreditar no voto útil como cidadão, e comparou os dois principais candidatos daquela eleição: para ele, Bolsonaro falava ao lado egoísta das pessoas, enquanto Lula transmitia um amor maior.
O alcance ajuda a explicar o peso desses recados. Ret fechou setembro com mais de 9,4 milhões de ouvintes mensais no Spotify, na 6ª posição entre os artistas de rap e trap mais ouvidos do país, segundo o Charts do Rap Nacional no Spotify.
O rap na reta final da eleição
Ret não é o único nome da cena a entrar no debate político neste ano. Logo no início das campanhas, Djonga publicou um vídeo criticando quem forma opinião só a partir de recortes das redes, sem citar candidato nem partido, como mostramos na matéria sobre o recado de Djonga sobre política e cortes. Emicida, por sua vez, esteve no Palácio do Planalto, na mesma mesa que Lula, para alertar sobre o impacto das bets na cultura.
O primeiro turno acontece neste domingo, 4 de outubro. Se nenhum candidato a presidente passar de 50% dos votos válidos, a disputa vai para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. A votação vai das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, e o eleitor precisa levar um documento oficial com foto ou usar o e-Título no celular. Depois das urnas, a agenda de Ret volta para a música: em 7 de novembro, ele faz o show único Retianismo, na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro.





