Um Pikachu de pelúcia amarela no lugar do cabedal. Um Mewtwo com apenas três furos de cadarço, replicando os três dedos do Pokémon. Um Gengar cujos olhos espelhados saltam das laterais do tênis como se o próprio bicho estivesse encarando quem olha de cima. A adidas e a Pokémon Company revelaram esta semana uma collab criada para os 30 anos da franquia, com lançamento marcado para setembro de 2026. O nível de detalhe alcança proporções raras em parcerias do tipo.
A coleção conta com 14 pares espalhados por silhuetas históricas da adidas Originals: Superstar, Samba, Pro Model, Handball Spezial, ZX 8000, além de modelos mais recentes como Megaride F50 e as variações do adiStar. Os preços variam entre US$ 110 e US$ 180 dependendo do calçado. A adidas ainda não confirmou datas exatas por país nem se o Brasil vai entrar na lista de mercados com disponibilidade garantida.
O projeto foi apresentado no fim de 2025, mas só agora ganhou imagens que mostram a real dimensão da parceria, segundo levantamento do site especializado Sneaker News. A diferença em relação a outras collabs de games com marcas esportivas salta aos olhos: aqui não é estampa de personagem jogada em cima de um modelo pronto. Cada Pokémon ganhou uma leitura própria dentro da anatomia do tênis, do solado ao ilhós.
Pikachu abre a coleção com três pares

O mascote mais famoso da franquia leva duas versões do Superstar e uma do Pro Model. Uma delas investe no visual mais fofo possível: suede macio simulando pelo, badges do rosto do Pikachu no calcanhar e orelhas de pelúcia presas na língua do tênis.
A segunda versão do Superstar inverte a lógica e aposta numa base branca e preta, com um mosaico gráfico do personagem cobrindo o cabedal inteiro. Já o Pro Model usa pelo de pônei amarelo e um charm grande do Pikachu pendurado no calcanhar, um detalhe que lembra os chaveiros que colecionadores grudam em mochila.


Três pares só para Pikachu refletem sua hierarquia comercial na franquia: trinta anos depois, ele continua sendo a porta de entrada mais segura para qualquer collab, seja no jogo, seja no guarda-roupa.
A evolução de Charmander ganha forma no Superstar


Charmander, Charmeleon e Charizard dividem a mesma silhueta, mas com progressão visual clara. O Charmander aparece em tons de branco, amarelo e laranja, com as três listras da adidas remetendo à cauda em chamas. O Charmeleon escurece a paleta e troca o acabamento mais arredondado por um design mais agressivo.
O Charizard fecha a linha evolutiva com um cabedal texturizado imitando escamas laranja, colarinho verde e acessórios de asa removíveis presos nos cadarços, um mimo para quem gosta de customizar o próprio par.

É um raciocínio simples, mas raro em collabs desse tipo: contar uma evolução completa do jogo dentro de uma única silhueta, em vez de escolher só a forma final do Pokémon.
Mewtwo espalhado por três modelos diferentes


O lendário psíquico é o Pokémon com mais silhuetas distintas na coleção. No Handball Spezial, aparece com gradientes rosados no solado e uma fivela no calcanhar moldada no formato do próprio personagem. No Samba, o rosto de Mewtwo estampa a língua do tênis, o calcanhar ganha um roxo brilhante e o eyestay traz apenas três furos de cadarço, referência direta aos três dedos característicos dele.
O ZX 8000, silhueta que já é queridinha entre sneakerheads por sua base tecnológica dos anos 1980, recebe orelhas moldadas em TPU e um dubrae com formato de Master Ball.
Dar três interpretações para o mesmo Pokémon é uma aposta ousada. Revela também onde a adidas via mais espaço para explorar acabamentos de nicho: Handball Spezial, Samba e ZX 8000 têm públicos de colecionador bem distintos entre si.

Gengar comanda a família fantasma

Ghastly, Haunter e Gengar ocupam a linha adiStar. O Gengar aparece no adiStar XLG 2.0, provavelmente o par mais chamativo de toda a coleção: olhos espelhados que se projetam para fora das laterais e uma malha branca no bico fazem o tênis, visto de cima, se parecer literalmente com o Pokémon.
O Haunter usa língua em suede com asas irregulares e detalhes rosa no solado, enquanto o Ghastly fica no adiStar Control 3, todo trabalhado na paleta roxo-escura que define o trio fantasma desde o primeiro jogo.


Rayquaza fecha a lista com dois pares. O Megaride F50 traz um shroud de cadarço grande, com marcações amarelas brilhantes e textura de escamas cobrindo o cabedal. O adiStar Control 5 aposta em mesh e materiais sintéticos com brilho, mantendo o verde profundo e os acentos amarelo e vermelho que marcam o lendário de Hoenn.


Para quem acompanha o streetwear de perto, não é novidade que o tênis virou território de disputa simbólica dentro da cultura urbana. Um par com detalhe raro vale tanto quanto uma peça de grife na hora de compor um visual de rua.
Collabs com franquias de peso cultural como Pokémon tendem a replicar esse efeito: viram objeto de desejo antes mesmo de chegar na loja. A collab de Pokémon com adidas entra exatamente nesse jogo, mirando tanto quem cresceu jogando Red e Blue quanto quem simplesmente quer um tênis diferente no pé.
Sem data fechada por país e sem confirmação de chegada ao Brasil, o hype em torno dos 14 pares corre o risco de esbarrar no mesmo problema de sempre: collabs desse porte costumam vender o sonho global, mas concentram o estoque em mercados específicos. O resto do mundo fica na fila do revenda.





