Um novo movimento quer levar a disputa do segundo turno para dentro da cultura hip hop. Lançado no Instagram nesta terça-feira (6), o Rap Contra a Direita, ou RCD, se apresenta como uma união de fã-clubes, criadores de conteúdo e MCs com o objetivo de ampliar o debate político no rap e incentivar o público a votar.
A iniciativa surge a menos de três semanas do segundo turno, marcado para 25 de outubro, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, Flávio terminou à frente, com cerca de 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula.
O que o movimento defende
Nos textos de apresentação, o RCD se descreve como um grupo formado por integrantes da cultura hip hop que enxergam a arte como instrumento de mobilização social. A proposta, segundo o movimento, é fortalecer a participação popular nas eleições e conversar com quem costuma ficar longe do debate político, seja por falta de interesse, seja por exclusão social.
O argumento central é que o rap nunca foi neutro. Os organizadores lembram que o gênero sempre esteve ligado a temas como desigualdade, racismo, violência e defesa das periferias, e por isso rejeitam a ideia de tratar o hip hop como uma cultura sem posição política. “Chega de fingir que o rap não tem lado. O rap tem lado, sim. E esse lado é o lado de quem luta”, diz uma das publicações.
O grupo afirma que não atua como braço de nenhum partido. “Não é sobre partido. É sobre valores e princípios”, escreveu. Na mesma publicação, porém, deixa clara a oposição ao campo da direita, ao afirmar que esses valores não estão presentes na ideologia desse lado da política. O lema do movimento resume a proposta: contra o sistema, mas nunca contra os próprios valores.
Quem está por trás
No primeiro dia, o perfil do RCD reunia cerca de 600 seguidores. As postagens de lançamento foram publicadas em parceria com páginas de fãs de rap e criadores de conteúdo, como os perfis brasileiros dedicados a A$AP Rocky e Playboi Carti e páginas da cena nacional, como a Verso a Verso.
Em uma das publicações, o movimento marcou nomes como Matuê, BK’, Mano Brown, Vulgo FK e Don L e pediu que os artistas emprestem suas vozes à causa. O post é um convite e não indica que os artistas façam parte do movimento.
O rap na eleição de 2026
O movimento chega num momento em que muitos rappers já tinham tornado públicas suas escolhas. Às vésperas do primeiro turno, Matuê declarou voto em Lula, assim como Veigh, que citou o Bolsa Família e a infância na periferia, e Filipe Ret, que indicou o voto no presidente.
A cena, porém, não fala com uma voz só. No Distrito Federal, Hungria declarou voto em Celina Leão (PP), que disputava a reeleição ao governo local. E, antes mesmo das campanhas esquentarem, Djonga já tinha criticado quem forma opinião política só a partir de cortes nas redes sociais.
Até o segundo turno, o RCD diz que vai usar as redes para discutir como as decisões públicas afetam o dia a dia da população e para estimular o público do rap a ir às urnas.





