O rapper esperou a poeira baixar antes de falar. Citou estudo da FGV com o Ministério do Desenvolvimento, de quem recebia o benefício em 2014, seis em cada dez já tinham saído dez anos depois. Só em 2025, dois milhões de famílias deixaram o programa porque a renda subiu.
A porta giratória existe e ela gira pra fora.
Sobre o dado de que uma família na base leva nove gerações pra chegar na classe média, Emicida concordou com o número mas não com a conclusão. Pra ele, “nove gerações não é a prova de que o programa não funciona. É a descrição exata do buraco que o programa se propõe a tapar.”
Emicida também trouxe pesquisa de dois ganhadores do Nobel de Economia que analisaram dados de mais de cem países: não existe evidência de que dar renda a quem precisa faz a pessoa trabalhar menos.
O que prende alguém na pobreza não é o benefício, é a pobreza.
Emicida
O tema não é novo pra ele, o rapper assinou os comentários dos livros Volta Por Cima e Conta Comigo, da economista Esther Duflo, lançados no Brasil em maio deste ano.
Pra ele, a pergunta nunca foi como fazer o pobre querer sair do programa. “Ele sempre quis. A pergunta é: que ponte a gente construiu pra ele ter pra onde ir?”





