Depois de dez meses atrás das grades, o influenciador Buzeira vai recuperar a liberdade. A defesa de Bruno Alexssander Souza Silva, nome civil do criador de conteúdo, confirmou que a Justiça concedeu duas ordens de habeas corpus em seu favor, derrubando a prisão decretada em outubro de 2025 no âmbito da Operação Narco Bet. A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro atrelado ao Primeiro Comando da Capital e ao tráfico internacional de drogas.
O advogado Eugênio Malavasi anunciou a decisão em vídeo publicado no Instagram. Dois habeas corpus impetrados por ele e pelo sócio Lucas Ruivo foram aceitos, e o influenciador será colocado em liberdade. A esposa de Buzeira, Hillary Yamashiro, também usou as redes sociais para comemorar.
Liberdadeeee! Obrigada, Jesus.
Hillary Yamashiro, esposa de Buzeira
A celebração nas redes veio depois de um percurso jurídico que não foi simples. Em junho, o Superior Tribunal de Justiça havia negado um pedido anterior de habeas corpus. Naquela ocasião, a defesa argumentou que não havia indícios concretos do envolvimento de Buzeira no esquema investigado e que a manutenção da prisão não se justificava por risco social. O STJ não acolheu. Agora, com nova instância ou nova argumentação, a situação se inverteu.
O peso das acusações
O que levou Buzeira à prisão não desaparece com a soltura. A Polícia Federal aponta que ele recebeu R$ 19,7 milhões de Rodrigo Morgado, pessoa investigada por ter enviado três toneladas de cocaína para a Europa e apontada como líder da organização criminosa. Os valores teriam sido depositados na Buzeira Digital, empresa do influenciador. Esse vínculo financeiro coloca o caso numa escala bem diferente de uma polêmica comum de influencer.
A defesa contesta a legalidade da prisão e nega qualquer envolvimento consciente de seu cliente no esquema. O que o habeas corpus garante, por ora, é o direito à liberdade enquanto a investigação segue. Não é absolvição. A Operação Narco Bet continua, e o nome de Buzeira permanece no centro dela.
O caso tem camadas que vão além do personagem público. Buzeira construiu audiência nas plataformas digitais, acumulou seguidores, girou dinheiro na internet. Quando a Polícia Federal cruza o nome de um influenciador com cifras de R$ 19,7 milhões e com investigações sobre tráfico internacional, o debate sobre como o dinheiro sujo circula pelos novos vetores da economia digital vem à tona de forma concreta. Não é a primeira vez que a cena urbana vê alguém dessa órbita aparecer nesse tipo de apuração.
Liberdade provisória, processo permanente
A saída da cadeia não encerra o capítulo. O habeas corpus garante que Buzeira não ficará mais preso preventivamente, mas a investigação da Operação Narco Bet segue em curso. A Polícia Federal tem documentação sobre a movimentação financeira na Buzeira Digital, e esse material não desaparece com a decisão judicial. Se a acusação conseguir construir um caso sólido, a fase de julgamento pode recolocar tudo em xeque.
O que fica por enquanto é um influenciador que passou dez meses dentro do sistema, viu um pedido no STJ ser negado e só conseguiu a liberdade numa segunda rodada de recursos. O caso Buzeira preso pela Operação Narco Bet já entrou para o histórico de situações em que o alcance das redes sociais não blindou ninguém do braço da investigação criminal. Se a acusação de que sua empresa foi usada para lavar dinheiro do tráfico vier a ser comprovada ao longo do processo, a soltura de hoje pode parecer um intervalo muito curto numa história bem mais longa.





