Rashid lança ‘Cumulonimbus’, álbum com Emicida, Projota e Luedji Luna

Sexto álbum de estúdio do rapper paulistano chega com 15 faixas, participações de peso e lança o movimento Defensores da Arte do Gueto

Quase vinte anos de estrada acumulados numa única pergunta: o que fez você se apaixonar pelo rap? É com essa questão que Rashid abre o jogo em “Cumulonimbus”seu sexto álbum de estúdio, lançado nas plataformas digitais com 15 faixas e um elenco que reúne Emicida, Projota, Luedji Luna, Kamau, Rael, Paula Lima, MC Neguinho do Kaxeta, Jota Ghetto, Slim Rimografia e Flávia K. O disco não tenta soar novo por soar novo. Ele quer saber de onde veio a chama.

O título carrega a metáfora inteira. Cumulonimbus são aquelas nuvens que crescem pela acumulação de energia e anunciam tempestade antes de qualquer trovão. O rapper paulistano usou o nome para descrever o próprio projeto: um “álbum de descarrego”, o ponto em que tudo que foi guardado ao longo dos anos finalmente encontra forma. Beat, rima, colagens, samples. Os elementos fundamentais do rap estão todos aqui, não como homenagem saudosista, mas como material de construção.

Adicione a RAP MÍDIA
como sua fonte preferida no Google

O peso de cada faixa

O repertório de “Cumulonimbus” circula por territórios bem distintos dentro do disco. “L’Appel du Vide” junta Kamau e Luedji Luna numa das apostas mais ousadas do projeto. “Ouro, Mirra e Incenso” coloca Emicida e Projota na mesma faixa pela primeira vez, o que por si só já representa um acontecimento dentro da história do rap brasileiro. “Olha Bem” abre mão de ser só rap e recorre a um sample de “O Começo”, de Gonzaguinha, trazendo a voz de um dos maiores poetas populares do Brasil para dentro da conversa.

A faixa de abertura, homônima ao álbum, cita “Paula e Bebeto”, composição de Milton Nascimento e Caetano Veloso. Em tempos em que muitos MCs mal olham para fora da bolha do rap para construir referência, Rashid faz o caminho inverso: vai buscar na MPB, na memória afetiva coletiva, o ponto de partida para dizer o que tem a dizer. A direção musical foi assinada por Grou e pelo próprio Rashid, com mixagem de João Milliet e masterização de Mike Bozzi.

Mais do que um disco

“Cumulonimbus” também marca o nascimento do Defensores da Arte do Gueto, movimento idealizado por Rashid para criar espaços reais de encontro, debate e ação com quem acredita no poder transformador do hip hop. A iniciativa revela como o rapper enxerga seu papel: não como celebridade que faz música sobre a periferia, mas como alguém que ainda mora dentro do que canta.

Mais lidas

“Existe uma coisa difícil de explicar para quem nunca viveu isso: quando o hip hop te encontra, alguma coisa muda para sempre. É como ser picado por um bicho que não te deixa em paz.”

Rashid

A declaração não é só bonita para press release. Ela resume o que o disco quer provar: que o rap já foi, e pode voltar a ser, uma experiência capaz de reorganizar a cabeça de quem ouve. Não produto. Não conteúdo. Experiência coletiva.

“A gente se sentia capaz de tudo depois de ouvir um rap, capaz de mudar o mundo e de quebrar qualquer muro no peito.”

Rashid

Uma discografia que sustenta o argumento

Rashid tem mais de 650 milhões de reproduções nas plataformas digitais, certificações Platina Dupla e Diamante. A discografia inclui “A Coragem da Luz” (2016), “CRISE” (2018), “Tão Real” (2019), “Movimento Rápido dos Olhos” (2020) e “PORTAL” (2024). Ao longo desses anos, colaborou com Mano Brown, Liniker, Lenine, Péricles, Duda Beat, Criolo e BK’, entre outros. Também escreveu o livro “Ideias que Rimam Mais que Palavras” (2019) e a HQ “Soundtrack” (2021). Não é um artista que precisa de apresentação, e isso importa para entender o peso do que ele está fazendo agora.

Lançar um disco que, nas suas próprias palavras, é “o mais honesto dos últimos anos” depois de ter certificações Diamante e colaborações com praticamente toda a linha de frente do rap nacional revela uma decisão de quem olha para a própria obra, constata que ainda tem algo urgente a dizer e encontra a coragem de dizer diferente do que o mercado pede.

O “Cumulonimbus” de Rashid chega num momento em que a cena brasileira vive uma tensão real entre rap como produto de algoritmo e rap como linguagem com raiz. O disco não resolve esse impasse sozinho, nenhum álbum resolve. Mas fazer Emicida e Projota dividirem a mesma faixa, samplear Gonzaguinha e Milton Nascimento, e criar um movimento cultural no mesmo lançamento é uma declaração de intenção tão clara quanto qualquer letra do disco: o rap não nasceu para caber em feed.

O RESUMO DA CENA

Todo Domingo, as notícias mais brabas da semana no seu e-mail. Sem spam, só a visão!

NARDONI

NARDONI

Carioca que não gosta de praia, apreciador de café e água com gáix, criador da RAP MÍDIA.

Em alta agora!

Supreme: A marca que criou o hype GTA 6 ganha novas imagens Internet deve quebrar com o lançamento de GTA 6 10 tênis da Nike mais vendidos em 2025 Oakley X-Metal Juliet e Travis Scott Planos Spotify 2025 Passo a passo: Como criar um release de imprensa Poesia Acústica 17