Cachê dos rappers em 2026: quanto cobram Matuê, Filipe Ret, Hungria e outros

Levantamento em 86 contratos públicos mostra o cachê dos rappers em 2026: quanto prefeituras pagaram por shows de Matuê, Filipe Ret, Hungria, Xamã e outros.
Cachê dos rappers em 2026 quanto cobram Matuê, Filipe Ret, Hungria e outros
Foto/Divulgação: Matuê via Instagram

Quanto custa levar um trapper para a festa da cidade? A pergunta aparece todos os dias no Google, sempre com o nome do artista na frente: cachê do Matuê, cachê do Veigh, cachê do Filipe Ret, cachê do Oruam. Os escritórios não divulgam tabela de preços, e os sites de contratação de shows costumam responder com um “valor sob consulta”.

Existe, porém, um lugar em que esses valores ficam à vista de qualquer pessoa: os contratos públicos. Toda vez que uma prefeitura ou um governo estadual contrata um show, o contrato precisa ser publicado no Portal Nacional de Contratações Públicas, o PNCP. A RAP MÍDIA buscou no portal os contratos de shows de 39 nomes do rap e do trap assinados desde janeiro de 2025 e encontrou 86 contratos, de 19 artistas, em 15 estados.

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O resultado mostra quem cobra mais, quanto os preços subiram de um ano para o outro, que tipo de evento está pagando pelo rap e por que alguns dos nomes mais ouvidos do país nem aparecem na lista. Antes dos números, vale entender como esse dinheiro sai dos cofres públicos.

Como o poder público contrata um show

Comprar um show não funciona como comprar cadeiras para uma escola. Como não dá para fazer uma licitação entre artistas diferentes, a Lei de Licitações (Lei 14.133, de 2021) permite que o poder público contrate diretamente um profissional do setor artístico, desde que ele seja consagrado pela crítica ou pela opinião pública. É a chamada inexigibilidade de licitação, prevista no artigo 74 da lei, e é por ela que passam praticamente todos os contratos deste levantamento.

Na prática, a prefeitura assina com a empresa que representa o artista com exclusividade, geralmente o escritório ou a produtora que cuida da agenda dele. O valor do contrato é o cachê daquela data. Palco, som, luz e segurança ficam de fora: a orientação dos órgãos de controle é que essa estrutura seja contratada à parte, porque não se encaixa na exceção feita para o artista.

Esses gastos também são vigiados. Ministérios Públicos e tribunais de contas acompanham de perto os cachês pagos com dinheiro público, principalmente em cidades pequenas, e a lei exige que a prefeitura justifique o preço com valores cobrados pelo mesmo artista em outros shows. É justamente essa exigência de transparência que permite saber quanto cada nome cobra.

Os maiores cachês do rap em 2026

O maior contrato de rap encontrado em 2026 é de Filipe Ret. A prefeitura de Aquiraz, no Ceará, pagou R$ 650 mil por uma apresentação dele no Carnaquiraz, o carnaval da cidade. O valor é o topo de uma agenda pública cara: o carioca também fechou R$ 510 mil com Visconde do Rio Branco (MG), para a Expo VRB, e R$ 450 mil tanto com Garanhuns (PE), para o Festival de Inverno, quanto com Crucilândia (MG).

Em 2025, os contratos de Ret iam de R$ 350 mil, em duas datas do projeto Giro Cultural do governo do Rio de Janeiro, a R$ 480 mil, em Araruama (RJ). Comparando o maior valor de cada ano, o cachê público dele subiu cerca de 35%.

Logo atrás aparece Matuê, com 11 contratos públicos no período, só um a menos que Hungria, o recordista da lista. Em 2026, três prefeituras pagaram exatamente R$ 620 mil por um show dele: Cajazeiras (PB), no carnaval; Itarema (CE), também no carnaval, numa apresentação de uma hora marcada para a madrugada; e Forquilha (CE), no Festival de Quadrilhas da cidade. A exceção ficou em Cajamar (SP), que contratou o cearense por R$ 300 mil.

O caso de Maceió mostra bem a valorização. O mesmo evento, o Massayó Verão, pagou R$ 400 mil por Matuê em 2025 e R$ 550 mil em 2026, uma alta de 37,5% em um ano. Para dimensionar, um único show de R$ 620 mil equivale a quase dois terços do que estimamos que o álbum XTRANHO rendeu no Spotify em nove meses, como mostramos na matéria sobre quanto o Matuê faturou com XTRANHO.

Hungria, Xamã, BK’ e a faixa dos R$ 250 mil aos R$ 400 mil

Se existe um preço de tabela no rap, ele é de Hungria, o artista com mais contratos públicos do levantamento: 12. Todos os sete contratos do brasiliense em 2026 têm o mesmo valor: R$ 280 mil, de Caraúbas e Almino Afonso, no Rio Grande do Norte, a Aracati e Banabuiú, no Ceará, passando por Bom Jardim e Flores, em Pernambuco, e Itapirapuã, em Goiás. Em 2025, o valor ficava entre R$ 230 mil e R$ 250 mil, o que dá uma correção de 12% sobre o preço mais comum do ano anterior.

Xamã varia mais. O maior contrato dele no período foi de R$ 400 mil, para o Réveillon de Magé (RJ) na virada de 2025 para 2026. Em 2026, os valores foram de R$ 250 mil, na Semana da Juventude de Angra dos Reis (RJ), a R$ 350 mil, no Araruama Literário, passando por R$ 300 mil no Festival Pernambuco Meu País, do governo pernambucano.

BK’ tem poucos contratos públicos, mas um salto claro: R$ 250 mil na Virada Cultural de São Paulo e no evento Viva Zumbi, em Niterói (RJ), ambos em 2025, e R$ 380 mil no Verão Caju 2026, em Aracaju. Na mesma faixa estão MC Cabelinho, que fechou R$ 310 mil em São Gonçalo dos Campos (BA) e R$ 180 mil na Festa de Exposição de Paraíba do Sul (RJ), e MC Daniel, que recebeu R$ 350 mil no carnaval de Grajaú (MA) e R$ 250 mil no Festival de Inverno de Garanhuns.

L7NNON aparece com R$ 285 mil na Bienal da Educação de Maricá (RJ), em 2025, e R$ 230 mil na Feira Literária de Iguaba Grande (RJ), em 2026. Teto mostra uma das maiores valorizações da lista: saiu de R$ 100 mil no carnaval de Aquiraz (CE) e R$ 200 mil na Virada Cultural, em 2025, para R$ 280 mil na Festa de Agosto de São Lourenço da Mata (PE), em 2026. É a mesma festa que, um ano antes, tinha pago R$ 450 mil por Matuê.

Parceiro frequente de Teto, WIU recebeu de R$ 120 mil, na Virada Cultural, a R$ 200 mil, em Apodi (RN) e no Festival Pernambuco Meu País, em 2025. Na Expocrato daquele ano, os dois foram contratados juntos, por R$ 250 mil pela dupla. Em 2026, WIU fechou sozinho R$ 250 mil com Paulo Afonso (BA).

Djonga, Marcelo D2 e Gabriel o Pensador

No rap de mensagem, os valores são menores, mas a agenda pública é cheia. Djonga tem oito contratos no período, a maioria em Minas Gerais. Em 2026, recebeu de R$ 140 mil, no festival Rec-Beat, durante o carnaval do Recife, a R$ 200 mil, em Congonhas (MG), com Ouro Preto e Itabira pagando R$ 180 mil cada. Em 2025, os shows na Virada Cultural e em um evento pela reforma agrária, em São Paulo, saíram por R$ 200 mil cada. O menor valor da lista dele, R$ 30 mil, foi para a comemoração do Dia Mundial do Hip Hop em Nova Serrana (MG).

Entre os veteranos, Marcelo D2 manteve o preço estável: R$ 220 mil em Fortaleza e no aniversário de Maricá (RJ), em 2025, e R$ 240 mil em Campo Grande (MS), em 2026. Gabriel o Pensador aparece com R$ 130 mil em Maringá (PR), em 2025, e entre R$ 140 mil e R$ 160 mil em 2026, em Cordeiro (RJ) e São Tomé das Letras (MG).

A nova geração e as mulheres do rap

Os contratos também mostram quem está subindo. Duquesa recebeu R$ 24 mil no Rec-Beat de 2025 e R$ 42,8 mil na Virada Cultural do mesmo ano. Em 2026, a própria Virada pagou R$ 80 mil por ela, quase o dobro, uma alta de 87% no mesmo palco. Tasha & Tracie, que tiveram quatro contratos públicos em 2026, ficaram entre R$ 45 mil, na Virada, e R$ 74,2 mil, em Maringá, com João Monlevade (MG) e Ilhabela (SP) no meio do caminho.

Lourena tem contratos de R$ 20 mil com o governo do Rio, em 2025 e 2026, e de R$ 28,5 mil por um show acústico em Morretes (PR), em 2026. 2ZDinizz fechou dois contratos em Niterói em 2025: R$ 70 mil no aniversário da cidade e R$ 30 mil no Viva Zumbi. Já KayBlack, que em setembro teve a maior alta de ouvintes do Top 10 do nosso ranking, aparece com um único contrato, de R$ 185 mil, na Virada Cultural de 2025, ao lado de MC Caverinha.

E o cachê do Veigh, do Oruam e do Poze?

Três dos nomes mais procurados no Google quase não aparecem nos contratos públicos. Veigh, o artista de rap e trap mais ouvido do Brasil em setembro segundo o Charts do Rap Nacional no Spotify, tem apenas um contrato no período: R$ 250 mil, pago pela Prefeitura de São Paulo pela apresentação na Virada Cultural de 2025. Não há contrato público dele em 2026 no portal.

Oruam, MC Poze do Rodo, Vulgo FK, Orochi, Chefin e os Racionais MC’s não têm nenhum contrato com prefeituras ou governos estaduais publicado no portal em 2025 e 2026. Isso não significa que cobrem mais ou menos do que os colegas: quer dizer apenas que, nesse período, os shows deles foram contratados por casas de show, festivais e empresas privadas, e contratos privados não são públicos. Por isso, qualquer número que circule sobre o cachê desses artistas é estimativa, e não dá para confirmar.

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Onde o dinheiro público paga o rap

O mapa dos contratos ajuda a entender onde o rap virou atração oficial. O Rio de Janeiro lidera, com 19 contratos, seguido por São Paulo e Pernambuco, com 13 cada, Ceará, com 11, e Minas Gerais, com 10. Em São Paulo, quase tudo passa pela Virada Cultural: a Secretaria Municipal de Cultura da capital assinou 11 dos contratos do levantamento. Em Pernambuco, o peso é do governo do estado, com o Festival Pernambuco Meu País.

Os eventos também chamam atenção. Carnaval, aniversário de cidade e festival de verão continuam sendo os palcos mais comuns, mas o rap já entrou em festas de exposição agropecuária, como a Expo VRB e a Festa de Exposição de Paraíba do Sul, em feiras literárias, como as de Araruama e Iguaba Grande, e até em festivais de quadrilha junina, caso de Forquilha. A presença em eventos tradicionalmente associados ao sertanejo e ao forró diz muito sobre o tamanho que o gênero ganhou no interior do país.

Cachê não é lucro

Um contrato de R$ 620 mil não significa R$ 620 mil no bolso do artista. O valor vai para a empresa que o representa, e dali saem os pagamentos do escritório e do empresário, dos músicos, do DJ e da equipe técnica, da produção da turnê e os impostos. Dependendo do acordo, despesas como passagens, hospedagem e alimentação da equipe podem estar incluídas ou ficar por conta de quem contrata, como parte do chamado rider.

Mesmo assim, os números deixam claro onde está o dinheiro grande da música brasileira. Para a maioria dos artistas, o streaming é vitrine, e o faturamento de verdade vem da estrada. Se você é artista e quer comparar com o que suas músicas rendem nas plataformas, a calculadora de royalties do Spotify da RAP MÍDIA faz essa conta a partir do número de streams.

Tabela: o cachê dos rappers em contratos públicos

A tabela abaixo reúne todos os artistas encontrados, do maior para o menor valor em 2026. Quando há mais de um contrato no ano, aparece a faixa entre o menor e o maior valor; a última coluna mostra quantos contratos entraram na conta.

ArtistaCachê em 2025Cachê em 2026Contratos
Filipe RetR$ 350 mil a R$ 480 milR$ 450 mil a R$ 650 mil7
MatuêR$ 400 mil a R$ 530 milR$ 300 mil a R$ 620 mil11
BK’R$ 250 milR$ 380 mil3
XamãR$ 250 mil a R$ 400 milR$ 250 mil a R$ 350 mil9
MC DanielR$ 250 mil a R$ 350 mil2
MC CabelinhoR$ 295 milR$ 180 mil a R$ 310 mil3
HungriaR$ 230 mil a R$ 250 milR$ 280 mil12
TetoR$ 100 mil a R$ 200 milR$ 280 mil4
WIUR$ 120 mil a R$ 200 milR$ 250 mil4
Marcelo D2R$ 220 milR$ 240 mil3
L7NNONR$ 285 milR$ 230 mil2
DjongaR$ 30 mil a R$ 200 milR$ 140 mil a R$ 200 mil8
Gabriel o PensadorR$ 130 milR$ 140 mil a R$ 160 mil3
DuquesaR$ 24 mil a R$ 42,8 milR$ 80 mil3
Tasha & TracieR$ 45 mil a R$ 74,2 mil4
LourenaR$ 20 milR$ 20 mil a R$ 28,5 mil3
VeighR$ 250 mil1
KayBlackR$ 185 mil1
2ZDinizzR$ 30 mil a R$ 70 mil2

Valores de contratos públicos por show, publicados no PNCP. O contrato conjunto de WIU e Teto na Expocrato 2025, de R$ 250 mil pela dupla, não entra nas faixas individuais. Shows privados não aparecem, porque seus valores não são públicos.

Como fizemos este levantamento

Os dados vêm do Portal Nacional de Contratações Públicas, onde prefeituras, governos estaduais e órgãos federais publicam seus contratos. Buscamos o nome de cada um dos 30 artistas do nosso Charts e de outros nove nomes do rap com agenda frequente em eventos públicos, e consideramos apenas contratos de show assinados entre janeiro de 2025 e setembro de 2026, com o valor publicado e sem cancelamento.

Ficaram de fora contratos de empresas e artistas com nomes parecidos, participações em palestras e debates e contratos de estrutura, como palco e som. Um contrato de Matuê registrado no portal com data de 2025, mas referente ao carnaval de 2026, foi contado pelo ano do show. Contratos que as prefeituras não publicaram no portal não aparecem aqui, e shows privados, por definição, não entram. A RAP MÍDIA vai atualizar este levantamento todos os anos.

Perguntas frequentes sobre o cachê dos rappers

Quanto é o cachê do Matuê em 2026?

Nos contratos públicos de 2026, o cachê do Matuê ficou entre R$ 300 mil e R$ 620 mil por show. Três prefeituras, Cajazeiras (PB), Itarema (CE) e Forquilha (CE), pagaram R$ 620 mil, e o Massayó Verão, em Maceió, pagou R$ 550 mil. Em 2025, os valores iam de R$ 400 mil a R$ 530 mil.

Qual rapper tem o maior cachê em 2026?

Entre os contratos públicos encontrados, o maior é de Filipe Ret: R$ 650 mil pela apresentação no Carnaquiraz 2026, o carnaval de Aquiraz (CE). Matuê aparece logo atrás, com três contratos de R$ 620 mil. Shows privados não entram nessa conta, porque seus valores não são públicos.

Quanto custa um show do Filipe Ret?

Em 2026, os contratos públicos de Filipe Ret foram de R$ 450 mil a R$ 650 mil por apresentação, em cidades como Aquiraz (CE), Garanhuns (PE), Crucilândia (MG) e Visconde do Rio Branco (MG). Em 2025, os valores ficaram entre R$ 350 mil e R$ 480 mil.

Quanto é o cachê do Veigh?

O único contrato público de Veigh encontrado no período é de R$ 250 mil, pago pela Prefeitura de São Paulo pela apresentação na Virada Cultural de 2025. Não há contrato público dele em 2026, e os valores de shows privados não são divulgados.

Quanto custa um show do Hungria?

Em 2026, todos os sete contratos públicos de Hungria foram de R$ 280 mil por show, em cidades do Rio Grande do Norte, do Ceará, de Pernambuco e de Goiás. Em 2025, o cachê dele ficava entre R$ 230 mil e R$ 250 mil.

O cachê inclui palco, som e luz?

Não. Nos contratos públicos, o cachê paga a apresentação do artista. Palco, som, luz e segurança são contratados separadamente, e despesas como passagens e hospedagem da equipe podem ou não estar incluídas, dependendo do acordo feito com a produção.

Fonte: Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP). Contratos de shows assinados entre janeiro de 2025 e setembro de 2026, consultados em 1º de outubro de 2026. Para conferir qualquer contrato, basta buscar o nome do artista na área de contratos do portal.

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NARDONI

NARDONI

Carioca que não gosta de praia, apreciador de café e água com gáix, criador da RAP MÍDIA.

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