Alee é o trapper baiano que transformou o próprio caos em trilogia. Nascido em Camaçari, na Bahia, ele trocou a Bahia pelo Rio de Janeiro para tentar a carreira, passou por um contrato que ele mesmo chamou de abusivo e se reergueu na NADAMAL, a gravadora de Filipe Ret.
Entre 2024 e 2025, os álbuns “Dias Antes do Caos”, “CAOS” e “CAOS DLX” colocaram Alee entre os nomes mais fortes da nova geração do trap. O segundo disco rendeu Disco de Ouro, e ele passou a tocar no Lollapalooza, no The Town e no Circo Voador lotado.
Em 2026, ao lado do parceiro Klisman, mergulhou no trap soul e prepara o próximo passo solo, um álbum chamado “Pagão”.
Alee de Camaçari a uma família de músicos
Alee nasceu em Camaçari, cidade da Região Metropolitana de Salvador, e cresceu cercado de música. A mãe foi backing vocal do pai, o avô era multi-instrumentista e o tio, Denny Denan, é vocalista da Timbalada, uma das bandas mais conhecidas da Bahia.
Foi o tio quem incentivou o menino desde cedo. “A gente tinha uma brincadeira em que, se eu aprendesse uma nota musical, ganhava um presente”, lembra Alee. As primeiras composições dele, curiosamente, eram sertanejas.
O hip hop chegou por um disco de 50 Cent, e com ele veio o interesse por um tipo de música que unia a melodia que ele aprendeu em casa à atitude do rap. Ao longo da carreira, Alee cita nomes como Leviano, Brandão85 e Teto como parceiros de cena que ajudaram a moldar sua identidade artística.
Alee, a Hash e os primeiros passos no trap
Aos 17 anos, Alee assinou contrato com a Hash Produções. A projeção nacional começou em 2020, com a participação na mixtape coletiva “Jovens Pretos Milionários”, e veio acompanhada de singles que circularam bem nas redes.
A carreira também o levou ao Rio de Janeiro. A chegada à cidade foi dura: Alee passou por um período em que não tinha onde dormir, enfrentou crises emocionais e muitas incertezas sobre o futuro. Essas experiências viraram a matéria-prima do primeiro álbum.
Nesse período, ele também passou a gravar com nomes da cena, como Jovem Dex, e encontrou em Klisman, outro baiano, um parceiro que viraria fixo. Os dois se conheceram por acaso em 2019, por meio de amigos em comum, e se reencontraram em 2021 para começar a trabalhar juntos.
Alee e o álbum Dias Antes do Caos
Em 29 de fevereiro de 2024, Alee lançou o álbum de estreia, “Dias Antes do Caos”. São 12 faixas que narram o período mais difícil da chegada ao Rio, com participações de L7NNON em “DIOR”, Jovem Dex em “GLOCK DE COR” e Klisman em “NEUROSES”.
O disco marcou também o fim da relação com a Hash. Alee deixou a gravadora numa disputa que foi parar na Justiça, e o álbum chegou a ficar fora de algumas plataformas por algumas semanas. “Eu achava que era ótimo, mas estava preso num contrato abusivo”, disse ele. Faixas como “FALIDOS” foram lidas como recado direto aos antigos empresários.
A saída abriu caminho para a NADAMAL, gravadora de Filipe Ret, onde Alee encontrou a estrutura para dar sequência ao projeto que ele já imaginava como uma trilogia: o “ciclo do caos”.
Alee, CAOS e o Disco de Ouro
O segundo álbum saiu sete meses depois, em 23 de setembro de 2024. “CAOS” tem 14 faixas e uma ideia central que o próprio rapper resumiu como “ser o maestro do próprio caos”: assumir o controle da bagunça emocional e transformá-la em arte.
“Eu fui dominado pelo caos, pela confusão que estava dentro de mim”, contou na época. O disco abre com “INTRO MALANDRAGEM” e passa por “TEMPO DO OURO”, “PASSADO DE UM VILÃO”, “HERANÇA”, “CAROLINA” e “ESTRESSE”, com Klisman em “ALPINISTA SOCIAL”, Senndy em “AMOR E ÓDIO” e Brandão85 em “SEGREDO”.
Foi o trabalho que projetou Alee nacionalmente. “PARTY”, com Klisman e Anezzi, entrou no Top 50 Viral do Spotify, e o álbum passou de 80 milhões de streams, o que rendeu o Disco de Ouro. Mais tarde, Alee comparou os dois primeiros discos ao yin e ao yang e admitiu que, no primeiro, tinha muito ódio.
Alee e os grandes palcos de 2025
O ano de 2025 foi o da consagração ao vivo. Alee subiu ao palco do Lollapalooza Brasil e, poucos meses depois, esgotou os ingressos do Circo Voador, no Rio, onde recebeu o certificado de Disco de Ouro diante do público.
Em julho, estreou no Poesia Acústica 17, gravado e lançado em menos de 24 horas, ao lado de Duquesa, Sant, MC Cabelinho, Luccas Carlos, Lukinhas e Tz da Coronel. Em setembro, tocou no palco principal do The Town, em São Paulo, e também se apresentou no Viaduto de Madureira.
Alee diz sofrer de uma “síndrome de Michael Jackson”, um perfeccionismo que tornou a produção dos discos mais difícil, mas que ele considera a garantia da qualidade que exige de si mesmo. Ele conta que grava todos os dias e que a maior parte das músicas nasce de freestyles.
Alee e o CAOS DLX
Em 24 de julho de 2025, Alee fechou a trilogia com “CAOS DLX”, versão deluxe de “CAOS” com 24 faixas. As dez inéditas incluem duas com Filipe Ret, “DISCOVERY” e “TUDO DE NOVO”, além de “LUZ, CAMA E AÇÃO”, com MC Cabelinho, “COMPASSO”, com Leviano, e “SÃO PAULO”, com Klisman.
“Chamei uma galera com quem tenho afinidade real. Pessoas que conhecem minha trajetória, minha caminhada. E isso faz toda diferença na hora de criar”, explicou. O disco tem o trap como base, mas passeia pelo R&B, pelo afrobeat e até por nuances de funk carioca.
Em fevereiro de 2026, o ciclo de “CAOS” já tinha passado de 120 milhões de streams. A faixa “PAGÃO”, com Klisman, também entrou no Top 50 Viral do Spotify Brasil e tem o mesmo nome do próximo álbum solo dele.
Alee, Klisman e Para: Todas Que Fingi Amar
Em 2026, a parceria com Klisman ganhou projetos inteiros. Em 14 de janeiro, os dois soltaram de surpresa o EP “SPAM”, com as faixas “BIANCA”, “SOL”, “BRENDA” e “BARBARA”, músicas que tinham feito sucesso em prévias e ficaram “presas no spam”. O EP passou de 5 milhões de reproduções.
Em 24 de fevereiro veio o álbum “Para: Todas Que Fingi Amar”, com 14 faixas no estilo trap soul, mistura de trap e R&B. Com exceção da intro e da faixa-título, cada música leva o nome de uma mulher, de “MINA” e “CLARA” a “JULIANA” e “ISABELA”, e a baiana Jimyy participa de duas delas.
“Não é necessariamente um álbum sobre amor, mas sobre relacionamentos que jovens negros passam. Seus altos e baixos, brigas e acertos”, explicou Alee. Os audiovisuais foram gravados na Rocinha, com direção criativa da Lordbull Filmes.
Alee e o álbum Pagão
O próximo passo solo já tem nome. “Pagão” foi anunciado em 2025, e Alee chegou a dizer que tinha release, letras, capa e visualizer prontos. Depois, o projeto foi recomeçado do zero.
“Ser um pagão é uma parada muito mais séria do que só botar o nome e falar de relacionamento”, disse em março de 2026. Em agosto, ele voltou a movimentar os fãs com um recado nas redes: “Estou chegando na fase mais importante da minha vida, aguardem o próximo lançamento”.
Enquanto o disco não chega, Alee segue na estrada. Em 2026, ele foi escalado para o Rock in Rio, no Palco Supernova, segundo a programação completa do festival.
Alee de onde é
Alee é de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, na Bahia.
Alee gravadora
Alee é contratado da NADAMAL, gravadora de Filipe Ret.
Alee Instagram
O perfil oficial do rapper é @alee__olhaaee.
Alee álbuns
Confira a discografia de Alee, em ordem cronológica, da estreia com “Dias Antes do Caos” aos projetos com Klisman:






