Cartas Sobre a Mesa, novo single de Murillo e LT no Beat, reúne KayBlack e Vulgo FK

Faixa com MC PH, Cebezinho e DU'L nasceu em camping da GR6 e adianta a curadoria do primeiro álbum da dupla de produtores com a Som Livre

Cinco vozes, dois produtores e uma música que nasceu no fim de um camping. “Cartas Sobre a Mesa” é o novo single de Murillo e LT no Beat e reúne Vulgo FKMC Cebezinho, DU’L, MC PH e KayBlack no mesmo beat. A faixa chegou às plataformas com videoclipe e coloca a dupla de produtores na linha de frente de um lançamento, lugar que costuma ficar reservado a quem canta.

A história de bastidor é boa. Segundo a Billboard Brasil, a música foi criada ao fim de um camping da gravadora, em sessão realizada na GR6, depois de outras duas faixas desenvolvidas no mesmo encontro. Em outras palavras, “Cartas Sobre a Mesa” foi a terceira da fila. É leitura minha, não informação apurada, mas dá para imaginar o clima de um encontro em que três músicas saem em sequência: gente entrosada, ideia puxando ideia, pouca cerimônia.

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A escalação tem fio condutor. KayBlack e Vulgo FK são parceiros no projeto “FKAY”, então parte do time já chegou entrosada ao beat. MC PH, MC Cebezinho e DU’L completam a lista com trajetórias ligadas ao funk paulista e ao trap. O encontro aproxima duas das vertentes mais fortes da música urbana brasileira, e quem faz a ponte é a dupla que assina a produção.

O “FKAY” merece atenção aqui. Quando dois nomes de universos vizinhos já tiveram um projeto juntos, a conexão deixa de ser aposta e vira ponto de partida. Foi sobre esse terreno que Murillo e LT no Beat montaram o resto da mesa: os convidados novos entram numa casa onde parte da conversa já estava em andamento.

Quando o produtor vira o centro do lançamento

Murillo e LT no Beat já aparecem por trás de músicas de nomes como MC IG e KayBlack. Em “Cartas Sobre a Mesa”, a posição muda. A dupla ocupa o centro do lançamento, escolhe quem entra e usa a produção como ponto de encontro entre artistas de cenas próximas, mas com públicos e caminhos diferentes. Quem abre a ficha técnica de uma faixa assim percebe que o beat deixou de ser pano de fundo.

O movimento acompanha um momento em que os produtores se consolidam como nomes de frente no mercado brasileiro. Eles organizam repertório, convidados e conceito de projetos próprios, em vez de esperar que um MC os chame para o estúdio. Uma faixa coletiva como essa faz papel de cartão de visitas: mostra a agenda de contatos, o gosto e o raio de alcance de quem produz. O cartão de Murillo e LT no Beat traz endereços de núcleos diferentes.

O título ajuda na leitura. Pôr as cartas sobre a mesa é mostrar o que se tem na mão, e é isso que a dupla faz ao reunir cinco convidados num único lançamento. É interpretação, não declaração de ninguém envolvido, mas a imagem combina com uma música que funciona como apresentação do baralho inteiro.

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A presença de MCs ligados ao funk paulista e ao trap amplia o alcance de “Cartas Sobre a Mesa” e deixa claro que a dupla circula por mais de um núcleo. Quando o produtor é o ponto em comum entre plateias diferentes, o nome dele passa a valer como curadoria, e curadoria é o que separa uma coletânea de convidados de um projeto com identidade.

O primeiro álbum com a Som Livre no horizonte

Murillo e LT no Beat trabalham no primeiro álbum da carreira em parceria com a Som Livre. “Cartas Sobre a Mesa” entra nesse enredo como amostra da intenção de ampliar o repertório e não ficar preso a um único gênero. A lista de convidados já indica parte do desenho que o disco pode ter.

Funk e trap são cenas vizinhas, e o ouvinte de uma costuma esbarrar na outra. O teste de uma faixa que junta as duas está em como o beat acomoda cada voz sem que ninguém pareça visitante na casa do outro. É o mesmo teste que um álbum de estreia enfrenta em escala maior: mais faixas, mais convidados e menos chance de esconder uma escolha fraca.

Há também o peso do formato. Uma música criada no fim de um camping, depois de duas outras já prontas, sugere que a dupla tinha material sobrando na mesma sessão. Se esse ritmo de criação se repete no álbum, o disco tende a nascer de encontros e não de encomendas isoladas, o que costuma render projetos com mais coesão entre as faixas.

Duas músicas da sessão da GR6 seguem sem data conhecida, e é aí que “Cartas Sobre a Mesa” ganha um segundo uso: serve de régua para o que vem depois. Vale ouvir com atenção quem pega o primeiro verso, como o beat segura a virada de uma voz para outra e onde a mistura de funk com trap fica mais natural. O álbum da Som Livre vai ter que repetir essa conversa em escala bem maior, e a faixa já mostra quem a dupla chamou para começar.

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NARDONI

NARDONI

Carioca que não gosta de praia, apreciador de café e água com gáix, criador da RAP MÍDIA.

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