Viagogo, StubHub, BuyTicket, TicketSwap e FunBuyNet, as plataformas mais conhecidas de revenda de ingressos para shows no Brasil, receberam ordem do governo federal para suspender novas revendas no país. A determinação é da Secretaria Nacional do Consumidor, a Senacon, ligada ao Ministério da Justiça, e foi publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira, dia 28 de outubro.
As empresas tiveram 72 horas, a partir da notificação, para parar de intermediar novas revendas, sob multa diária de R$ 100 mil. A decisão não tira os sites do ar e não cancela ingressos já vendidos, mas trava, por enquanto, o negócio que fez dessas plataformas o destino de quem perde a venda oficial de um show esgotado. Abaixo, o que muda, se dá para confiar nesses sites e o que fazer se você já comprou.
Revenda de ingressos suspensa: o que a Senacon decidiu
Segundo o Ministério da Justiça, há indícios de que as cinco plataformas descumprem o Decreto nº 13.108/2026, conhecido como Decreto dos Fãs, e o Código de Defesa do Consumidor. Os problemas apontados são a falta ou a insuficiência de informações sobre quem está vendendo o ingresso e sobre o preço total, com taxas e impostos, além de falhas nos canais de denúncia, de reclamação e de arrependimento da compra.
A suspensão vale até que as empresas comprovem que passaram a cumprir as regras de informação e transparência. Se não cumprirem, a Senacon diz que pode ir além e determinar a suspensão temporária das atividades e até o bloqueio do acesso às plataformas no Brasil. A secretaria também abriu processos administrativos contra BuyTicket, Global Entretenimento, dona da FunBuyNet, StubHub e TicketSwap. No caso da Viagogo, as novas irregularidades entram num processo que já estava em andamento contra a empresa.
Viagogo é confiável? E StubHub e BuyTicket?
Essa é a pergunta mais feita por quem pensa em comprar ingresso de revenda, e a resposta não é simples. As plataformas não vendem os ingressos diretamente: elas funcionam como uma vitrine, em que outras pessoas, fãs ou cambistas, anunciam entradas que compraram na venda oficial e definem o preço que quiserem. O site fica com uma taxa e, em geral, oferece algum tipo de garantia de entrega.
O problema, apontado agora pelo próprio governo, é que muitas vezes o comprador não sabe quem está vendendo, quanto vai pagar no total até o fim da compra e como reclamar se algo der errado. Também há o risco de o ingresso ser recusado na portaria, quando a produtora cancela entradas revendidas ou quando o mesmo ingresso é vendido para mais de uma pessoa. A Viagogo, por exemplo, já respondia a um processo na Senacon antes desta decisão.
Antes de comprar em qualquer plataforma de revenda, vale olhar a reputação da empresa em sites como o Reclame Aqui, conferir se o preço final com todas as taxas aparece antes do pagamento, ler as regras de transferência do ingresso e guardar todos os comprovantes. Sempre que possível, a opção mais segura é a venda oficial, indicada pela produtora ou pelo próprio artista.
O que é o Decreto dos Fãs
O Decreto dos Fãs foi publicado em 1º de setembro e mudou as regras da venda de ingressos no país. Entre outros pontos, ele obriga quem vende a informar o preço total da entrada, já com taxas e tributos, desde o primeiro passo da compra, e não só na tela de pagamento. Também exige que o comprador saiba se está comprando da organizadora do evento ou de outra pessoa, e que existam canais claros para reclamar e desistir da compra.
Na prática, o decreto mira o modelo das plataformas de revenda, em que fãs e cambistas anunciam ingressos comprados na venda oficial por valores bem acima do preço de bilheteria. Em shows muito disputados, é comum encontrar entradas sendo revendidas por várias vezes o valor original.
Revenda de ingressos do BTS e de outros shows
A fiscalização ganhou força com os três shows do BTS no MorumBIS, em São Paulo, nos dias 28, 30 e 31 de outubro, que esgotaram rapidamente e movimentaram um mercado paralelo de ingressos. A nota oficial do governo não cita o BTS nem nenhum show específico, e a determinação vale para eventos em todo o território nacional, de festivais como o Rock in Rio a shows em casas menores.
O assunto interessa diretamente ao público do rap e do funk. Shows e festivais do gênero vivem esgotando em minutos, como aconteceu com os camarotes do show de Matuê no Complexo da Penha, e o fã que fica sem ingresso acaba recorrendo à revenda. Uma pesquisa já mostrou que 33% dos brasileiros já se endividaram para ir a shows e festivais, o que ajuda a dimensionar quanto o preço das entradas pesa no bolso.
O que as plataformas dizem
A BuyTicket afirmou, em comunicado, que não foi notificada formalmente pela Senacon, que continua operando normalmente e que os ingressos já comprados pelo serviço seguem válidos. A Viagogo disse ter cumprido as exigências do decreto e que espera resolver o que chamou de mal-entendido com as autoridades.
Em manifestações anteriores à decisão, a Global Entretenimento afirmou que os preços de revenda são definidos pelos próprios vendedores, e a TicketSwap disse que limita os valores ao preço pago originalmente, com as taxas. A StubHub já tinha negado à Senacon que atue no Brasil.
Comprei ingresso na revenda: e agora?
Para quem já comprou por uma dessas plataformas, a orientação do governo é que as empresas garantam a entrega dos ingressos a tempo de o comprador entrar no evento. A medida suspende apenas novas revendas, então as compras já feitas continuam valendo.
Se houver problema, como ingresso que não chega, entrada recusada na portaria ou cobrança diferente da anunciada, o caminho é guardar todos os comprovantes, reclamar primeiro no canal da própria plataforma e, sem solução, registrar a queixa no Procon do seu estado ou no site Consumidor.gov.br, o canal oficial do governo para reclamações contra empresas.
Perguntas frequentes sobre revenda de ingressos
A revenda de ingressos foi proibida no Brasil?
Não. A decisão da Senacon manda cinco plataformas específicas suspenderem novas revendas até comprovarem que cumprem as regras de informação ao consumidor. A revenda em si não foi proibida, mas precisa seguir o Decreto dos Fãs e o Código de Defesa do Consumidor.
O que é cambista?
Cambista é quem compra ingressos na venda oficial para revender depois por um preço mais alto, aproveitando a procura de shows e jogos esgotados. Hoje, boa parte desse mercado acontece em plataformas on-line de revenda.
Quais plataformas tiveram a revenda suspensa?
BuyTicket, Global Entretenimento (FunBuyNet), StubHub, TicketSwap Brasil e Viagogo.
O ingresso que comprei na Viagogo ou na BuyTicket ainda vale?
Sim. A medida não cancela compras já feitas, e as plataformas devem entregar os ingressos a tempo do evento. Em caso de problema, reclame na plataforma e, sem solução, no Procon ou no Consumidor.gov.br.





