A uma semana da sentença de Duane “Keffe D” Davis, condenado pelo assassinato de Tupac Shakur, o julgamento que levou o caso aos tribunais quase 30 anos depois do crime já tem destino nas telas. A Sky está produzindo um documentário que acompanhou o processo por dentro do tribunal, com acesso à família do rapper, e que estreia em 2027 no canal Sky Documentaries e no serviço de streaming NOW.
O filme, anunciado no fim de setembro e ainda sem título, tem direção de Marian Mohamed, vencedora do BAFTA por “Defending Digga D” e indicada ao Emmy por “Cult Massacre: One Day in Jonestown”. A produção é da Passion Pictures, em parceria com a West Buttermilk e a Propagate Content, que também cuida da venda do documentário para outros países.
O que o documentário vai mostrar
A equipe acompanhou o caso desde o primeiro dia de apresentação de provas até o veredito e a fase de sentença. Durante o julgamento, os cineastas seguiram integrantes da família Shakur, entre eles Mopreme Shakur, irmão de Tupac, e pessoas do círculo mais próximo do rapper.
O principal trunfo do filme é um arquivo pessoal nunca exibido: vídeos e fotos íntimas de Tupac cedidos pela família e por amigos, que vão aparecer lado a lado com os registros do tribunal. A ideia é usar o processo para revisitar não só as circunstâncias da morte, mas também quem Tupac era antes dela. “Quero que quem assistir a este filme se conecte emocionalmente não apenas com a história de como Tupac morreu, mas com quem ele era”, afirmou a diretora.
Segundo Marian Mohamed, o documentário também quer dar voz a uma família que, além do luto, passou a ter mais controle sobre a forma como o assassinato é contado.
Um caso cercado de mitos
Para a Sky, o filme chega para colocar ordem numa história que passou décadas alimentando versões. Hayley Reynolds, responsável pela encomenda de documentários do canal, lembrou que o assassinato de Tupac foi cercado por anos de mitos, especulação e teorias da conspiração, e destacou que a equipe conseguiu um acesso extraordinário à família e às pessoas mais próximas do caso justamente enquanto o julgamento acontecia.
Não é pouca coisa. Durante quase três décadas, a falta de um culpado transformou a morte de Tupac num dos maiores mistérios da cultura pop. A trajetória do rapper e o longo caminho até o julgamento estão na matéria sobre os 30 anos da morte de Tupac.
Do crime à condenação de Keffe D
Tupac foi baleado em 7 de setembro de 1996, em Las Vegas, e morreu seis dias depois, aos 25 anos. O caso passou 27 anos sem nenhum acusado, até a prisão de Duane Davis, em setembro de 2023. A seleção dos jurados só começou em agosto deste ano, como mostramos na cobertura do início do julgamento.
No tribunal, a promotoria não tentou provar que Davis fez os disparos. A acusação sustentou que ele participou da organização do ataque, depois de uma briga envolvendo o sobrinho dele, Orlando “Baby Lane” Anderson, e pessoas ligadas a Tupac naquela mesma noite. Parte das provas veio do próprio réu: ao longo dos anos, Davis falou sobre o caso em entrevistas e no livro de memórias “Compton Street Legend”.
Em 31 de agosto, depois de menos de três horas de deliberação, o júri considerou Davis, hoje com 63 anos, culpado de homicídio em primeiro grau com uso de arma letal, como contamos na matéria sobre a condenação de Keffe D. Ele é o primeiro condenado pela morte do rapper, mantém que é inocente e já disse que vai recorrer. A sentença está marcada para 13 de outubro, e a pena pode chegar à prisão perpétua.
Quando o documentário estrear, em 2027, a história vai ter ganhado também esse último capítulo, registrado pelas câmeras que acompanharam o caso até o fim.





