Três gerações diferentes do rap paulistano vão dividir o mesmo microfone nesta quarta-feira, 12 de agosto. Emicida, Rashid e Projota confirmaram presença no Podpah, num encontro que reúne nomes que raramente aparecem juntos numa mesma mesa, ainda mais em momentos tão distintos de carreira.
O apelido que os une, “Três Temores”, não é força de expressão vazia: cada um carrega um histórico de peso dentro da cena, com estilos que não se confundem e trajetórias que se cruzaram poucas vezes em público. Juntar Emicida, Rashid e Projota no Podpah é reunir referências de épocas diferentes do rap nacional numa conversa só, o que já justifica a curiosidade em torno do episódio.
A gravação está marcada para as 19h, conforme divulgado pelo próprio Podpah na agenda semanal do programa. O horário de início segue o formato que o podcast já vem adotando para os episódios com convidados múltiplos, mas o que chama atenção aqui é o timing: os três chegam ao encontro em fases bem diferentes de seus calendários de lançamento.
Três momentos, três discursos
Emicida vem de um lançamento recente e simbólico: o álbum “Emicida Racional VL2”, que resgata o nome do projeto Racional em uma nova fase de sua obra. É um trabalho que carrega o peso de dialogar com uma referência histórica do rap nacional enquanto tenta dizer algo novo sobre o presente do artista.
Rashid, por sua vez, está com o lançamento de “Cumulonimbus” no radar, projeto que teve data marcada para o Dia Mundial do Hip-Hop, em 11 de agosto. A proximidade entre essa data e a gravação do Podpah não parece coincidência: colocar o disco recém-saído na roda de conversa é estratégia básica de quem quer manter o assunto girando logo depois do drop.
Já Projota chega ao encontro com um trabalho um pouco mais assentado no calendário: a mixtape “Muita Luz”, lançada em janeiro, segue dando sequência à sua trajetória solo. Enquanto os outros dois trazem lançamentos recentes ou praticamente simultâneos ao episódio, Projota entra na conversa com um projeto que já teve alguns meses de digestão do público, o que muda o tom do que ele provavelmente vai trazer para a mesa.
Essa diferença de timing entre os três é o que torna o episódio mais interessante do que um simples encontro de nomes conhecidos. Não é incomum que podcasts reúnam rappers para bater papo sobre carreira, mas raramente o cenário é tão desigual em termos de calendário: um artista promovendo um álbum que resgata sua própria história, outro estreando um projeto horas antes da gravação e um terceiro revisitando um trabalho já rodado.
O Podpah, ao longo dos últimos anos, se firmou como um dos espaços onde artistas do rap nacional preferem falar sem o filtro tradicional da imprensa musical. Reunir figuras como Emicida, Rashid e Projota numa mesma gravação reforça esse papel do podcast como vitrine paralela aos lançamentos oficiais. Para quem acompanha a cena de perto, esse tipo de aparição conjunta costuma render mais que uma simples divulgação: é onde saem as histórias de bastidor que não cabem em um release.
Os três nomes vêm de percursos que se cruzam em pontos específicos da história do rap paulistano, mas seguiram caminhos artísticos bem diferentes ao longo dos anos. Emicida construiu uma carreira que passou por selo próprio, expansão para outras linguagens e reconhecimento fora do circuito do rap. Rashid manteve um perfil mais ligado à lírica e à identidade boom bap, mesmo transitando por sonoridades diferentes em cada disco. Projota, depois de um período mais popular com hits que romperam a bolha do rap, vem reconstruindo sua imagem dentro da cena com trabalhos mais recentes.
É justamente esse contraste de trajetórias que dá peso ao encontro. Os três não estão no mesmo momento de carreira comparando notas parecidas: são vozes com relações diferentes com o mainstream, com o público e com a própria ideia do que significa ser relevante no rap brasileiro hoje.
Com Emicida promovendo um resgate histórico, Rashid estreando material fresco e Projota revisitando uma mixtape já em circulação, o episódio desta quarta-feira tem tudo para escancarar como três carreiras que nasceram do mesmo terreno hoje falam línguas bem diferentes dentro do rap nacional. Gente que, apesar do apelido conjunto, quase nunca dividiu o mesmo espaço de fala publicamente.





