BIN é o rapper que deu nome ao trap da sofrência. Nascido e criado no Complexo do Roseiral, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, ele juntou a base do trap com as letras de amor e desilusão que o Brasil se acostumou a ouvir no sertanejo, e encontrou nessa mistura um público que o rap ainda não alcançava.
A virada veio em 2020 com uma faixa que levava no título o nome de Marília Mendonça. A homenagem de um fã à cantora virou hit, abriu as portas de uma gravadora e transformou um artista de dois anos de carreira em um dos nomes mais ouvidos da nova geração do rap carioca.
De lá para cá, BIN lançou quatro álbuns, dividiu faixa com Anitta e Papatinho e venceu prêmio de revelação, sempre voltando ao mesmo tema que o tornou conhecido: as mulheres para quem ele já escreveu.
BIN do Complexo do Roseiral ao primeiro freestyle
BIN é o mais velho de três irmãos e cresceu no Complexo do Roseiral, em Belford Roxo. Foi o pai, fã de rap, quem o aproximou do gênero ainda em casa, numa rotina em que a música dividia espaço com a televisão. Ele mesmo conta que passava a infância assistindo à MTV enquanto arrumava a casa, e foi por ali que conheceu também o lado pop que mais tarde apareceria nas melodias dele.
O talento para a rima apareceu aos 17 anos, movido pela curiosidade de entender a cena por dentro. A família queria que ele tivesse um plano B, mas BIN preferiu apostar tudo na música. “Eu fui rebelde e me joguei de cabeça”, resumiu em entrevista ao Metrópoles, em 2020.
A estreia oficial aconteceu em 2018. O primeiro sucesso foi “Freestyle para a Faixa Rosa”, gravado com WillsBife, que passou de 5 milhões de streams logo no primeiro ano. Para um artista da Baixada sem estrutura de gravadora, era o sinal de que havia público esperando por aquele som.
BIN e o hit Marília Mendonça
Esse público explodiu em 2020. “Marília Mendonça” nasceu, segundo o próprio BIN, meio sem querer, como homenagem de fã à cantora que ele admirava. A faixa levou a sofrência para dentro do trap e somou 72 milhões de streams em todas as plataformas, além de mais de 29 milhões de visualizações do clipe no YouTube.
Foi a partir dela que o som de BIN ganhou rótulo próprio. O “trap da sofrência” resumia o que ele fazia de diferente: a batida e a estética do trap a serviço de letras sobre amor, ciúme, saudade e bebedeira, temas que o rap carioca até então tratava de outra forma.
O sucesso também trouxe um contrato. No primeiro semestre de 2020, BIN assinou com a Mainstreet, gravadora independente que reunia nomes como Orochi e Borges. “Marília Mendonça” foi o primeiro lançamento dele pelo selo.
BIN e o álbum Para Todas as Mulheres Que Já Rimei
Com o nome em alta, BIN lançou em setembro de 2020 o álbum de estreia, “Para Todas as Mulheres Que Já Rimei”. O título já entregava o conceito: um disco inteiro dedicado aos relacionamentos que viraram música.
São nove faixas: “Quase uma Semana”, com Ajaxx, “Marta 10”, com Jess, “Ferveção” e “Fim de Nós 2”, com Kizzy, “Covardia”, com Ryan Realcria e Ajaxx, a própria “Marília Mendonça”, “Culpa do Álcool” e “Só Ela”, com Ajaxx, e “Mira Laser”. O projeto saiu em formato audiovisual e entrou na lista semanal dos 50 álbuns mais ouvidos do Brasil.
O disco também mostrou o alcance do artista. “Mira Laser” puxava para um lado mais underground, enquanto “Culpa do Álcool” tinha vocação de rádio, e essa capacidade de transitar entre os dois mundos virou marca dele.
No fim daquele ano, BIN venceu o Prêmio Verov de Artista Revelação e foi indicado a melhor MC no prêmio da RapTV. Em fevereiro de 2021, foi a primeira aposta da nova versão do quadro Prestatenção, da MTV Brasil, e chegou a 1 milhão de seguidores no Instagram.
BIN, Saturno e a parceria com Anitta e Papatinho
Entre um álbum e outro, BIN seguiu emplacando singles. “Saturno”, lançado em dezembro de 2020, foi escrito, nas palavras dele, para conquistar a então namorada, Bárbara Rosa, que chorou ao ouvir a música pela primeira vez. Ele chegou a chamar a faixa de a melhor que já tinha feito.
O alcance do trap da sofrência também chamou a atenção do pop. BIN participou de “Tá Com o Papato”, faixa do produtor Papatinho com Anitta e Dfideliz, colocando um artista da Baixada ao lado da maior estrela pop do país.
Em 2021 veio o segundo álbum, “Dono das Esquinas”, mais curto e mais voltado à rua. As sete faixas incluem “Todo Tímido”, com Ajaxx, “Rolex”, com OIK, “Uva”, “Baunilha”, “Rico = 50 Cent”, “Carro Forte”, com Dallass, e “Apê 1001”, e mostram um BIN mais interessado em ostentação e afirmação do que em desilusão amorosa.
BIN e a luta contra a depressão
A ascensão de BIN aconteceu ao mesmo tempo em que ele enfrentava uma crise de saúde mental. Em entrevista ao Metrópoles, em dezembro de 2020, ele contou que convivia com a depressão desde antes da estreia e que o pior momento veio durante o isolamento da pandemia, quando precisou ser internado.
O artista atribui a recuperação à música e à ajuda profissional, e fez questão de dizer que o processo não terminou. “Não venci a depressão por completo”, afirmou. Ao falar abertamente sobre o tema, BIN se juntou a um grupo crescente de rappers brasileiros que passaram a tratar a saúde mental sem tabu.
Se você está passando por algo parecido, procure ajuda. O CVV atende 24 horas por dia, de graça, pelo telefone 188 e pelo site cvv.org.br.
BIN e a fase IAMBINHU
Depois de um intervalo longo sem álbum, BIN voltou em julho de 2024 com “IAMBINHU”, o terceiro disco. O título brinca com o apelido do artista e anuncia um trabalho mais pessoal, de afirmação de identidade.
As nove faixas passam por “Wasabi”, “Academia de Jugg”, “Baddie”, “Destaque”, “Sem Sentimento”, “Produto Proibido”, com Coelho e agnvtnc, “Na Minha Blunt”, com Ayo Th, mathinvoker e 6ee, “A Chuva Cai” e “Minha Mãe Ainda Ora por Mim”. A última fecha o disco num tom de gratidão à família, longe da ostentação de “Dono das Esquinas”.
O álbum também deixa clara a aproximação com o trap mais atual, de produção pesada e participações da nova safra, sem abandonar a melodia que sempre foi o ponto forte de BIN.
BIN e a volta às mulheres que já rimou
Em 31 de março de 2025, BIN lançou “Para Todas as Mulheres Que Já Rimei, Pt. 2”, quarto álbum de estúdio e continuação direta do disco de estreia. Cinco anos depois, ele voltou ao tema que o tornou conhecido, agora com uma abordagem mais madura, como um registro do que viveu nos últimos cinco anos.
São 13 faixas que tratam dos ciclos da vida e do amor: “Quem sabe?”, “Castigo”, “Melhor se decidir”, “Fases”, com Azevedo, “Marte (Depois do fim)”, “Royal Salute”, “Ñ sei se eu tô incomodando”, com Budah, “Ciclos”, “Quarto escuro”, “Preto jovem muito caro 3”, “Se eu me perder na fama”, “Plástico” e “Quando o Álcool Entra na Sua Mente”.
A comparação entre os dois volumes é a melhor forma de entender a trajetória dele. Em 2020, o disco era sobre a euforia de começar. Em 2025, títulos como “Se eu me perder na fama” e “Quarto escuro” mostram um artista que já conhece o preço do sucesso e prefere olhar para dentro, sem perder o romantismo que deu origem ao trap da sofrência.
BIN de onde é
BIN nasceu e cresceu no Complexo do Roseiral, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
BIN idade
BIN nasceu em 1998. A data exata do aniversário não é divulgada publicamente.
BIN Instagram
O perfil oficial do rapper é @souobin.
BIN álbuns
Confira a discografia de BIN, em ordem cronológica, do álbum de estreia à continuação “Para Todas as Mulheres Que Já Rimei, Pt. 2”:





