Travis Scott não manda mensagem por cortesia. Quando o nome de Anitta apareceu no radar dele, a consequência foi concreta: o rapper passou a tocar músicas dela em seus shows. A cantora contou isso durante entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, com Cissa Guimarães. O relato mostra o tipo de movimento que “Funk Generation” gerou no circuito internacional.
Segundo Anitta, Travis Scott entrou em contato com ela, elogiou sua trajetória e começou a incluir faixas do álbum na maioria de suas apresentações. É um reconhecimento que não aparece em chart de streaming, mas que funciona em outro registro: um dos maiores nomes do rap e do trap mundial escolhendo carregar o seu som para dentro dos próprios shows.
O que “Funk Generation” abriu
Lançado em 2024, o projeto marcou a virada que Anitta identificou como responsável por ampliar sua conexão com artistas de fora do Brasil. Ela não falou de forma vaga: citou a parceria com The Weeknd na faixa “São Paulo” como exemplo direto das portas que o álbum ajudou a abrir.
Um projeto consistente cria conversas que o hype isolado não sustenta. “Funk Generation” não foi um feat de oportunidade nem uma aposta de crossover calculada para o mercado gringo. Era um projeto com identidade própria, e foi exatamente isso que chamou atenção de quem tem curadoria musical apurada.
Brasil aposta menos, exterior convida mais
Na mesma entrevista, Anitta tocou num ponto que qualquer artista brasileiro com ambição internacional conhece bem: a assimetria de oportunidades. Ela afirmou que recebe mais convites fora do país do que dentro e deu dois exemplos concretos para sustentar isso. Do lado de fora, sua apresentação recente no Lollapalooza de Berlim. Do lado de dentro, o Rock The Mountain como um dos poucos festivais que costuma incluir seu nome no lineup.
Não é uma reclamação nova, mas ganha peso quando vem de quem está na setlist de Travis Scott. O Brasil frequentemente descobre seus artistas depois que o exterior já validou. O caso de Anitta no radar internacional é mais um dado nessa equação que a indústria daqui ainda não resolveu.
Larissa e Anitta, duas camadas da mesma pessoa
A conversa com Cissa Guimarães foi para lugares mais pessoais. Anitta falou sobre como enxerga o sucesso hoje, mas o que chamou atenção foi a menção às inseguranças que persistiram mesmo depois de consolidar uma carreira internacional. Ela contou sobre o processo de entender a diferença entre Anitta, a persona artística, e Larissa, a identidade fora dos palcos.
Esse tipo de reflexão raramente aparece em entrevistas de divulgação. O fato de aparecer num programa de TV aberta, sem pauta de lançamento imediato, indica o momento em que ela está: menos preocupada em vender e mais disposta a explicar quem é.
A pergunta que fica é sobre o próximo passo. Se “Funk Generation” gerou o contato com Travis Scott e a parceria com The Weeknd, o que vem agora precisa responder a um nível de expectativa que ela mesma ajudou a construir. E a Larissa que ela está aprendendo a conhecer vai precisar estar pronta para isso junto com a Anitta.





