O mercado de colecionadores no rap nacional atingiu um novo patamar de exclusividade e valorização financeira nos últimos meses. No centro dessa movimentação está o cobiçado vinil de Máquina do Tempo, álbum de estreia do cearense Matuê, que se consolidou como um divisor de águas para a cena do trap brasileiro.
Lançado originalmente em 2020, o projeto não apenas quebrou recordes de streaming, mas agora dita as regras do mercado de revenda de itens físicos de luxo dentro da cultura urbana.
O fenômeno de “Máquina do Tempo”
Para entender a mística em torno do disco físico, é preciso relembrar o impacto que o álbum causou no lançamento. Em setembro de 2020, Matuê parou o Brasil ao colocar todas as sete faixas do projeto no TOP 15 do Spotify nacional, um feito inédito para um artista de trap até então.
A estética psicodélica e a produção refinada elevaram o patamar visual e sonoro do gênero, transformando o artista em uma figura central do mainstream. Esse sucesso orgânico criou uma demanda reprimida por itens que eternizassem aquele momento histórico, resultando na criação de uma linha de merchandising extremamente sofisticada pela gravadora 30praum.
A estética e os detalhes técnicos do disco de Matuê
A atenção aos detalhes na produção do vinil de Máquina do Tempo é um dos principais motivos para sua valorização astronômica. O item foi concebido como uma peça de arte, apresentando um disco de 180 gramas com acabamento roxo translúcido, que reflete a identidade visual roxa e neon característica da era MDT.

Além da qualidade sonora superior da prensagem original, o pacote incluía um livreto exclusivo, permitindo que os fãs mergulhassem na direção artística do projeto. O envolvimento direto de Matuê em cada etapa da criação, desde a escolha dos materiais até as estampas das camisetas que acompanhavam o drop, garantiu que o produto não fosse apenas um acessório, mas uma extensão da obra musical.


Valorização exponencial e o mercado de revenda
Lançado pelo preço inicial de R$ 229,30, o vinil de Máquina do Tempo experimentou uma valorização que poucos ativos no mercado financeiro conseguem replicar em tão pouco tempo. Atualmente, exemplares em bom estado de conservação são negociados em plataformas de colecionadores e grupos especializados por valores que chegam a R$ 2.000,00.
Esse aumento de aproximadamente nove vezes o valor original demonstra a força do fetiche pelo objeto físico em uma era dominada pelo digital. Para os entusiastas da cultura urbana, possuir essa primeira prensagem original tornou-se um símbolo de status e de conexão com um dos momentos mais importantes da história recente do rap nacional.
O legado de Matuê com este lançamento reforça a importância estratégica de investir em mídia física de alta qualidade. Enquanto o streaming oferece a conveniência, o vinil de Máquina do Tempo oferece a tangibilidade e a exclusividade que definem a relação entre o artista e seus fãs mais fiéis. No cenário atual, quem garantiu sua cópia no lançamento de 2020 não detém apenas um disco de música, mas uma verdadeira relíquia da história do trap que continua a valorizar a cada ano que passa.



