Vendas de disco de vinil batem recorde de US$ 1 bilhão em 2025

Vendas de disco de vinil batem recorde histórico em 2025, superando US$ 1 bilhão nos EUA pela primeira vez desde 1983.

Tem algo de poético acontecendo no mercado musical americano. Enquanto algoritmos decidem o que as pessoas vão ouvir no próximo segundo, milhões de consumidores estão escolhendo o caminho oposto: levantar da cadeira, tirar um disco de vinil da prateleira, colocar a agulha com cuidado e deixar o som preencher o ambiente do jeito que ele foi pensado para soar.

Esse comportamento, que poderia parecer nostalgia passageira, acaba de se transformar em um marco econômico sem precedentes nas últimas quatro décadas.

Segundo o relatório anual da Recording Industry Association of America, a RIAA, as vendas de disco de vinil nos Estados Unidos ultrapassaram a marca de US$ 1,04 bilhão em receita durante o ano de 2025. É a primeira vez desde 1983 que o formato analógico alcança esse patamar financeiro, consolidando o que já é o 19º ano consecutivo de crescimento no segmento. O crescimento foi de 9,3% em relação a 2024, quando a receita tinha ficado em US$ 954,4 milhões.

Os números por trás do marco histórico

Ao todo, foram comercializadas 46,8 milhões de unidades de disco de vinil ao longo de 2025, ante os 43,4 milhões registrados no ano anterior. Para contextualizar a dimensão desse dado, vale comparar com o desempenho do CD no mesmo período: o formato que dominou as prateleiras das lojas nos anos 1990 vendeu 29,5 milhões de unidades e viu sua receita encolher 11,6%, caindo para US$ 312,4 milhões.

Enquanto o plástico brilhante agoniza, o vinil segue empilhando marcos. O formato representa hoje 75% de toda a receita gerada por música física nos Estados Unidos, uma inversão de papéis que era impensável há dez anos.

O preço médio do disco de vinil também subiu, chegando a US$ 37,22 em 2025, alta de 24% em relação a 2020. Isso preocupa parte dos lojistas e colecionadores, mas, por enquanto, os dados mostram que o consumidor continua disposto a pagar.

O valor agregado que um vinil carrega, seja pela arte da capa, pelos encartes internos ou simplesmente pelo ritual de ouvir música com atenção total, parece justificar o investimento para quem faz parte dessa cultura.

Quem moveu o mercado em 2025

Nenhuma análise sobre o recorde de vendas de disco de vinil em 2025 estaria completa sem mencionar Taylor Swift. Seu álbum “The Life of a Showgirl” vendeu 1,6 milhão de cópias em vinil somente nos Estados Unidos, tornando-se o lançamento físico mais expressivo do ano. O fenômeno Taylor Swift no mercado de vinil é estudado por executivos da indústria como um caso de engajamento de fã que vai muito além do streaming.

Sabrina Carpenter também teve participação relevante, com cerca de 292 mil unidades vendidas de “Man’s Best Friend”. Kendrick Lamar, um dos nomes mais celebrados do rap contemporâneo, contribuiu com 272 mil cópias de “GNX”, confirmando que o público do hip-hop também abraça o formato analógico com seriedade. E o dado que talvez surpreenda mais os não iniciados: “Rumours”, do Fleetwood Mac, lançado originalmente em 1977, ainda vendeu 190 mil unidades de disco de vinil em 2025, seguido por “Thriller”, de Michael Jackson, com 182 mil cópias. O clássico nunca vai a lugar nenhum, ele só muda de suporte.

Vinil versus streaming: a coexistência que funciona

Seria ingênuo apresentar o vinil como ameaça ao streaming. Os números não deixam dúvidas: o formato digital gerou US$ 9,47 bilhões em receita em 2025, respondendo por 82% de toda a receita da música gravada nos Estados Unidos. Existem 106,5 milhões de contas pagas de streaming no país, e as assinaturas premium cresceram 6,8% em relação ao ano anterior. A indústria como um todo bateu o recorde histórico de US$ 11,54 bilhões em receita.

O que os dados revelam, na verdade, é uma convivência saudável entre os dois mundos. O ouvinte contemporâneo não escolhe entre vinil e streaming: ele usa o Spotify para descobrir e o disco de vinil para colecionar, para presentear, para marcar uma fase da vida. São experiências distintas que se complementam. O streaming oferece conveniência, e o disco de vinil oferece presença.

O que esse recorde significa para a cena

Para quem acompanha a cultura urbana de perto, a retomada do disco de vinil não é surpresa. O hip-hop sempre teve uma relação visceral com o formato, desde os DJs do Bronx que faziam loops infinitos com dois toca-discos nos anos 1970 até os produtores contemporâneos que ainda escavam caixas de vinil em lojas de segunda mão atrás de samples inéditos. O vinil é parte fundante da identidade da música negra americana, e seu ressurgimento no mercado mainstream carrega esse peso histórico.

Os Estados Unidos respondem sozinhos por quase 50% de toda a receita global de disco de vinil, segundo a RIAA. É um mercado que segue ditando o ritmo. E se os números de 2025 indicam alguma direção, é que o formato analógico não está apenas sobrevivendo, está se reinventando como objeto de desejo, como declaração cultural, como forma de pertencer a algo maior do que uma playlist.

NARDONI

NARDONI

Carioca que não gosta de praia, apreciador de café e água com gáix, criador da RAP MÍDIA.

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