Trend 2016: Por que esta trend está dominando o seu feed

Trend 2016: Entenda como o ano que uniu Sulicídio, SoundCloud e o auge do Streetwear pode ditar o comportamento e a estética urbana em pleno 2026.
Trend 2016

Estamos em janeiro de 2026 e a atmosfera que envolve a cultura urbana carrega uma textura estranhamente familiar. Se você desbloquear seu celular agora e percorrer o feed das principais redes, a chance de encontrar uma foto tremida, com saturação estourada e um filtro clássico do Snapchat é estatisticamente superior à de encontrar um conteúdo gerado por inteligência artificial.

O que parecia improvável para os analistas de dados da década passada se concretizou de forma avassaladora: o futuro não escolheu o minimalismo estéril; ele escolheu a bagunça vibrante e despretensiosa de dez anos atrás. A Trend não é apenas um capricho passageiro dos algoritmos, mas sim um movimento na cultura jovem que busca uma humanidade mais analógica e nostálgica, talvez, em resposta aos avanços da inteligência artificial nos últimos anos.

Para nós, aqui na redação do RAP MÍDIA, observar esse fenômeno é como desenterrar uma cápsula do tempo que explica exatamente o DNA do que vestimos e ouvimos hoje. Além da nostalgia, e a sensação de “ser mais feliz”, aquele ano bissexto foi o marco zero para muito do que consideramos essencial na cena atual.

O Rap e a rua em 2016

2016 foi o momento em que o SoundCloud demoliu os portões da indústria fonográfica e o streetwear de luxo se tornou a nova religião global. Ao abraçar a Trend 2016, a geração atual está resgatando o sentimento de “fazer porque é divertido“, longe da pressão métrica que engessou a criatividade nos anos 2020. É uma revolução silenciosa que transforma a estética crua em um novo padrão de luxo e autenticidade.

A história da música urbana pode ser dividida entre o que veio antes e depois da explosão das plataformas independentes, e o impacto da Trend 2016 na sonoridade atual é inegável. Aquele foi o ano em que nomes como Lil Uzi Vert, 21 Savage e Travis Scott estabeleceram as bases do que hoje chamamos de estética Rockstar.

Eles não dependiam de grandes orçamentos, mas de uma conexão visceral e muitas vezes distorcida com o público. Esse som caracterizado por graves saturados e vozes carregadas de emoção sem filtros é exatamente o que os jovens produtores de 2026 estão buscando em seus estúdios caseiros, tentando recapturar aquela energia de urgência que o atual cenário, hiper-produzido, acabou perdendo pelo caminho.

No Brasil, essa influência é ainda mais profunda. Em 2016, vivíamos a gestação do que se tornaria o império do Trap nacional. Foi o ano em que Matuê fundou a 30PRAUM. Embora hoje ele seja um titã da indústria, em 2016 ele era um visionário operando fora do radar. O lançamento do single “RBN”  foi um marco. Ali, já víamos os elementos que o tornariam gigante: a preocupação estética com o videoclipe, a mistura de referências de reggae com a batida eletrônica do Trap e, principalmente, a atitude de business.

Se Matuê trouxe o profissionalismo, Raffa Moreira trouxe o caos criativo necessário para qualquer revolução. Em 2016, Raffa já lançava mixtapes como Fernvndx Mixtape. Na época, ele foi amplamente ridicularizado, transformado em meme e excluído pelos puristas do Rap.

Mas Raffa estava anos-luz à frente. Ele entendeu, antes de quase todos no Brasil, que o Trap era sobre estética, sobre ad-libs, sobre autotune usado como distorção e sobre a criação de uma persona online que misturava realidade e performance.

A em 2026 faz justiça histórica a Raffa Moreira. Hoje, ele é reverenciado como “Legend”. Jovens que nem eram nascidos ou eram bebês em 2016 hoje vestem camisas de basquete e usam autotune pesado em homenagem ao “BC Raff”.

A Trend 2016 resgata a importância histórica de faixas que na época eram tratadas como memes, mas que hoje são estudadas como pilares de um business milionário. O jovem de 2026 vê em “BC Raff” ou nos primeiros drops da Recayd Mob uma verdade que a curadoria excessiva dos selos modernos muitas vezes acaba diluindo.

Em 2016 também foi o ano de “Sulicídio“, Lançada em 2016, a faixa de Baco Exu do Blues e Diomedes Chinaski, consolidou-se como um marco histórico para o rap nacional ao romper com o domínio absoluto do eixo Rio-São Paulo.

Mais do que uma simples “diss” direcionada a grandes nomes do Sudeste, a música teve como objetivo central questionar a indústria fonográfica e a passividade do público, que muitas vezes ignorava talentos de outras regiões por questões puramente geográficas. Ao “atacar os deuses” para atingir os fiéis, os artistas nordestinos conseguiram desestabilizar o cenário e forçar uma reflexão profunda sobre a necessidade de descentralizar o consumo da cultura urbana no Brasil.

A importância de “Sulicídio” naquele ano reflete-se na forma como a canção dividiu a história do gênero entre um “antes” e “depois”, impulsionando o debate sobre qualidade lírica e representatividade regional. Além de elevar a autoestima de artistas do Norte e Nordeste, a faixa movimentou o mercado e exigiu um maior nível de entrega técnica dos rappers estabelecidos, combatendo a estagnação criativa que dominava as paradas.

Outra faixa que relembra essa “época de ouro” é “Quem tava lá“, faixa que dominou as paradas trazendo o icônico Costa gold com um R&B de Luccas Carlos e rimas afiadas de Mc Marechal.

Streetwear e o Ressurgimento do Hypebeast

Se a música forneceu a trilha sonora, a moda de rua de uma década atrás forneceu o uniforme que volta a ser desejo absoluto. A Trend 2016 traz de volta a era de ouro do Hypebeast, quando marcas como Supreme, Off-White e Vetements ditaram as regras de um consumo obsessivo e irônico. O retorno das Bomber Jackets e o uso estratégico do jeans skinny — que muitos tentaram enterrar precocemente — mostram que a silhueta clássica do rap daquela era possui uma força visual atemporal.

O conceito de “kit” também sofreu uma mutação interessante nesse processo. A fusão entre o funk ostentação e o streetwear internacional, que atingiu seu ápice por volta de 2016 com a popularização de itens da Oakley e camisas de times europeus raros, é hoje o padrão ouro e referencia de estilo nos shows de Rap e Trap, de norte a sul do país.

E quem não lembra do Damassaclan ? Um movimento que conseguiu sair das músicas para as ruas em forma de expressão, onde podíamos ver grupos de jovens com camisas e bonés.

Em 2026, vestir-se com a estética de dez anos atrás não é um ato de nostalgia vazia, mas uma recontextualização de um período onde o streetwear brasileiro descobriu sua própria voz e começou a misturar o luxo global com a vivência da quebrada.

Marcas nacionais que cresceram naquele período agora ocupam o lugar de OGs na cena, sendo disputadas em sites de resale por preços que superam lançamentos inéditos.

A Psicologia do Filtro de Cachorro e a Rejeição da IA

Para entender por que estamos obcecados por esse período, precisamos olhar para como interagimos com o mundo digital. Em 2016, o Instagram abandonou o feed cronológico, iniciando uma era de ansiedade por engajamento que culminou na saturação visual que vivemos recentemente.

A Trend 2016 funciona como um mecanismo de escape: postar uma foto com o antigo filtro de cachorro ou uma legenda curta e sem sentido é um ato de rebelião contra a ditadura da perfeição algorítmica e a era da IAs. É uma forma de declarar que a imperfeição é humana e, portanto, mais valiosa do que qualquer imagem gerada por prompts de comando.

Essa busca pelo “caos organizado” reflete um anseio por um tempo onde a tecnologia parecia unificadora. O verão mágico de Pokémon Go e os desafios coletivos simples, como o Mannequin Challenge, evocam uma leveza que a complexidade do passar dos anos, acabou restringindo.

Ao adotar a Trend, o público não está apenas olhando pelo retrovisor; está pegando o que havia de mais autêntico na nossa história recente para construir um futuro com mais alma. Afinal, em um mundo dominado por máquinas, ser falho e real é a coisa mais inovadora que você pode ser.

Para nós, parece que 2016 foi realmente o ultimo ano que podemos viver o real, da forma que queríamos, sem tecnologias e sem se preocupar com os padrões do mundo digital.

NARDONI

NARDONI

Carioca que não gosta de praia, apreciador de café e água com gáix, criador da RAP MÍDIA.

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