O ano de 2026 marca um ponto de inflexão na indústria da música independente. Se há cinco anos o desafio era apenas colocar a música nas plataformas, hoje o desafio é a visibilidade, a gestão de dados e a monetização inteligente. Com mais de 120 mil novas faixas sendo enviadas para o Spotify diariamente, escolher a parceira certa para a distribuição digital não é apenas uma questão logística; é uma decisão estratégica de negócios.
A distribuição digital continua sendo a ponte fundamental entre o arquivo de áudio no seu computador e os ouvidos do público em plataformas como Spotify, Apple Music, Deezer, Amazon Music e TikTok. No entanto, o papel das distribuidoras evoluiu. Elas não são mais apenas “entregadores de arquivos”. As melhores distribuidoras de música em 2026 oferecem ferramentas de marketing, adiantamento de royalties (advances), gestão de direitos autorais e análises preditivas de dados.
O cenário do Rap e Trap Nacional em 2026 é uma equação complexa: arte + performance + business afiado. A Distribuidora de Música é o seu sócio silencioso, e a escolha errada pode custar 20% do seu lucro anual.
O que é uma Distribuidora de Música?
Definição e Funcionamento
De forma simplificada, uma distribuidora de música digital é uma empresa intermediária que possui contratos diretos com as Lojas Digitais (DSPs – Digital Service Providers) e plataformas de streaming. Artistas independentes, em sua grande maioria, não podem fazer upload de músicas diretamente para o Spotify ou Apple Music. Eles precisam de um agregador para verificar os arquivos, processar os metadados e coletar os royalties.
A distribuidora moderna atua como um hub central que:
- Valida Metadados: Garante que ISRC (identidade da gravação), ISWC (identidade da obra), UPC (código de barras) e créditos estejam corretos, prevenindo conflitos de direitos autorais.
- Gerencia o Content ID: Administra a impressão digital sônica em plataformas de UGC (Conteúdo Gerado pelo Usuário), como YouTube e TikTok, monetizando vídeos de terceiros que utilizam a música do artista.
- Processa Royalties: Coleta micropagamentos de centenas de fontes globais, converte moedas e repassa aos titulares, muitas vezes executando a divisão automática (Splits) entre colaboradores.
O Papel na Carreira do Artista Independente
Em 2026, o papel da distribuidora expandiu-se drasticamente. Elas atuam como:
- Agregadores Logísticos: Garantem que a música chegue às lojas na data correta e com o áudio de alta qualidade.
- Gestores Financeiros: Coletam os royalties gerados em centenas de territórios, convertem moedas e repassam ao artista.
- Auditores de Direitos: Muitas oferecem serviços de publishing administration e coleta de Content ID (YouTube e redes sociais).
- Parceiros de Marketing: Algumas plataformas oferecem links de “Pre-Save”, criação de vídeos promocionais e pitching para playlists editoriais.
Critérios de Avaliação: O Que Considerar Antes de Escolher
Antes de analisarmos cada empresa, é crucial entender os critérios que diferenciam uma “boa” distribuidora de uma “má” distribuidora para o seu perfil específico.
1. Taxas e Modelos de Preço
Existem basicamente dois modelos de negócios dominantes:
- Taxa Anual (Pay-per-year): Você paga um valor fixo por ano para fazer uploads ilimitados e mantém 100% dos seus royalties. Se parar de pagar, suas músicas podem ser removidas.
- Comissão (Revenue Share): Você não paga para subir a música (ou paga uma taxa única baixa), mas a distribuidora fica com uma porcentagem dos seus ganhos (geralmente entre 15% a 30%) para sempre.
2. Abrangência de Serviços
A distribuidora entrega apenas para Spotify e Apple Music ou cobre mercados de nicho e plataformas asiáticas (como Tencent e NetEase)? A entrega para redes sociais (TikTok, Instagram, YouTube Shorts) é eficiente e rápida?
3. Ferramentas Extras
Em 2026, ferramentas de Split Pay (divisão automática de pagamentos entre colaboradores) são obrigatórias para colaborações. Outros diferenciais incluem masterização por IA, geradores de vídeo lírico e proteção contra fraudes de streaming.
4. Atendimento ao Cliente (Suporte)
Para artistas brasileiros, o suporte em português e a agilidade na resolução de problemas (como takedowns errados ou problemas de metadados) são vitais.
5. Relatórios e Transparência
A clareza do painel financeiro é essencial. Você precisa saber de onde vem seu dinheiro, quais países estão consumindo sua música e qual a taxa de conversão.
Análise Detalhada das Melhores Distribuidoras de Música em 2026
Abaixo, apresentamos uma análise técnica e mercadológica das principais competidoras em 2026.
1. DistroKid
A DistroKid consolidou-se como a favorita de produtores prolíficos e artistas independentes que lançam com frequência. Foi pioneira no modelo de “uploads ilimitados”.
Em 2026, mantem sua posição como a distribuidora mais popular do mundo em volume de uploads, funcionando como a infraestrutura padrão para produtores de alta frequência, especialmente nos gêneros Hip Hop, Eletrônica e Beats.
Modelo de Negócio: A plataforma opera estritamente no modelo de assinatura anual.
- Plano Musician: Aproximadamente US$ 22,99/ano para 1 artista. Permite uploads ilimitados, mas com recursos restritos (sem datas de lançamento futuras, sem nome de gravadora customizado).
- Plano Musician Plus: Aproximadamente US$ 44,99/ano para 2 artistas. É o padrão da indústria, permitindo agendamento de lançamentos e estatísticas diárias.
- Plano Ultimate: A partir de US$ 89,99/ano para 5 a 100 artistas, voltado para pequenos selos e coletivos.
Prós: A maior vantagem da DistroKid é a velocidade. O sistema é altamente automatizado, conseguindo colocar músicas no Spotify e Apple Music frequentemente em 24 a 72 horas, o que é crucial para artistas que reagem a tendências virais.
A ferramenta de Splits é líder de mercado pela simplicidade: permite adicionar colaboradores e dividir a receita automaticamente. No entanto, exige que os colaboradores tenham uma conta na plataforma (que pode ser uma conta restrita de US$ 10) para receber.
Contras: Apesar da assinatura barata, a DistroKid monetiza agressivamente através de “Extras”.
- YouTube Content ID: Custa US$ 4,95 por single/ano + 20% da receita de anúncios. Em um catálogo de 20 singles, isso adiciona quase US$ 100 ao custo anual.
- Leave a Legacy: Para garantir que a música não seja removida caso o cartão de crédito falhe ou o artista pare de pagar, cobra-se uma taxa única de US$ 29 por single ou US$ 49 por álbum. Sem isso, a inadimplência resulta na remoção total do catálogo.
- Suporte: O suporte é notritamente difícil de acessar, dependendo fortemente de bots e FAQs automatizados antes de permitir contato humano, o que pode ser desastroso em casos de metadados incorretos ou problemas de direitos autorais.
Veredito: Ideal para produtores prolíficos que lançam mais de 5 faixas por ano e desejam 100% dos royalties de streaming, mas requer cautela com os custos extras de monetização de vídeo.
Melhor para: Produtores de conteúdo constante e artistas de Hip-Hop/Trap que lançam muitos singles.
2. ONErpm
Uma potência no mercado brasileiro e latino-americano. A ONErpm funciona como uma híbrida entre distribuidora tecnológica e gravadora moderna.
Embora fundada nos EUA, a ONErpm é, para todos os efeitos práticos, a maior força de distribuição independente no Brasil. Sua estratégia baseia-se na presença física massiva e no desenvolvimento de artistas locais.
Modelo de Negócio: Gratuito com retenção de royalties.
- Plano Básico: Gratuito para upload (sem taxa inicial).
- Comissão: Retém 15% dos royalties de áudio e 30% da monetização de vídeo (YouTube).
- Planos “Decolando” e “Próximo Nível”: Contratos negociados que podem envolver adiantamentos financeiros e taxas de marketing personalizadas.
Prós: No Brasil, tem uma grande base de usuários e funções adicionais:
- YouTube MCN: A ONErpm possui uma das maiores Multi-Channel Networks do YouTube no mundo. Para artistas de Funk e Trap, onde o videoclipe é o principal motor de consumo, a expertise da ONErpm em otimizar o CPM (Custo por Mil impressões) e gerir o Content ID é superior à concorrência.
- Marketing Local: Possui equipes dedicadas de A&R (Artistas e Repertório) que negociam ativamente com os editores do Spotify Brasil, Amazon Music e Deezer para inclusão em playlists como “Paredão Explode” ou “Top Brasil”.
- Pagamentos: Em 2025, implementou o sistema Tipalti, centralizando pagamentos globais. No Brasil, isso facilita o recebimento, embora haja um limite mínimo de saque de US$ 50, o que pode frustrar artistas muito pequenos.
Exemplo Real: O caso do artista J. Eskine, do selo HitLab, exemplifica o poder da ONErpm. Com o hit “Resenha do Arrocha”, a distribuidora não apenas entregou a faixa, mas coordenou uma “press week”, garantiu visibilidade editorial e impulsionou a viralização no TikTok, atuando efetivamente como uma gravadora parceira.
Contras: Alguns artistas reclamam do suporte da plataforma, velocidade de distribuição e ganhos.
- Reputação no Atendimento ao Cliente: A empresa tem uma reputação de atendimento ao cliente “Não Recomendada” em plataformas como o Reclame Aqui. Reclamações comuns incluem problemas com login, pagamentos e comunicação.
- Processo de Curadoria Mais Rígido: Recentemente, a ONErpm tornou seu processo de inscrição mais seletivo, exigindo comprovação de um trabalho consolidado e presença digital, o que pode dificultar a entrada de artistas muito iniciantes. Artistas menores podem ser direcionados para plataformas parceiras, como a Offstep, que possui um plano pago.
- Velocidade de Distribuição: O processo de distribuição e aprovação de músicas pode ser mais lento em comparação com concorrentes focados apenas na velocidade, como o DistroKid.
- Ganhos Variáveis e Dependentes da Audiência Premium: Embora a plataforma distribua amplamente, os ganhos com usuários de planos gratuitos (financiados por anúncios) são muito baixos; o sucesso financeiro depende da base de fãs que usam serviços premium.
Veredito: A escolha definitiva para artistas brasileiros que buscam fama, suporte local, estratégias de vídeo agressivas e não se importam em ceder uma porcentagem da receita em troca de uma estrutura muscular de marketing.
Melhor para: Artistas brasileiros que buscam suporte de marketing e não querem pagar taxas em dólar antecipadamente.
3. UnitedMasters
Focada na cultura urbana e hip-hop, a UnitedMasters posiciona-se como uma plataforma de “marca”. Ganhou fama por parcerias com a NBA, ESPN e TikTok.
Liderada pelo visionário Steve Stoute, a UnitedMasters desembarcou no Brasil com a missão de transformar o país no maior mercado de música independente do mundo, focando na cultura Hip Hop e Trap.
Modelo de Negócio:
- DEBUT+: ~US$ 19,99/ano.
- SELECT: ~US$ 59,99/ano. 100% royalties e acesso a oportunidades de marca.
- PARTNER: Convite apenas, focado em serviços de gravadora.
Prós: O diferencial único da UnitedMasters é a sua integração com o mercado publicitário. A plataforma possui parcerias diretas com NBA, ESPN, Coca-Cola e Apple, permitindo que artistas submetam suas faixas para sincronização em comerciais e transmissões esportivas diretamente pelo aplicativo móvel.
Exemplo Real: No Brasil, o rapper Veigh é um dos embaixadores da plataforma, ilustrando como a UnitedMasters foca em artistas com forte identidade visual e potencial de conexão com marcas de lifestyle, indo além do simples streaming.
Contras: Por ser uma operação relativamente recente no Brasil (oficializada em 2025), a percepção e a experiência dos artistas locais ainda estão em desenvolvimento e podem não ser tão conhecidas quanto as de distribuidoras mais antigas.
- Questões de Direitos Autorais e Verificação: Alguns usuários relataram problemas com a verificação de direitos de uso de capas e amostras (samples) não liberadas, o que pode atrasar lançamentos.
- Suporte ao Cliente: Embora alguns usuários tenham tido boas experiências, a reputação geral do atendimento ao cliente em plataformas de avaliação como o Reclame Aqui é de “Não Recomendada” (para empresas homônimas ou similares, a UnitedMasters em si tem lista de reclamações, mas sem nota geral), o que sugere inconstância no serviço.
- Pagamentos e Royalties: A estrutura de pagamento e o valor médio por stream seguem a média do mercado, mas a experiência de saque e recebimento pode variar, como observado em relatos de usuários.
Veredito: Indispensável para artistas de Trap, Rap e Pop Urbano que veem sua música como parte de uma marca pessoal e buscam monetização através de publicidade e sincronização.
Melhor para: Artistas que desejam associar sua imagem a grandes marcas e buscam oportunidades além do streaming.
4. TuneCore
A TuneCore, parte do conglomerado francês Believe, reposicionou-se agressivamente para competir com a DistroKid, abandonando seu antigo modelo exclusivo de “pagamento por lançamento” para oferecer planos ilimitados robustos.
Modelo de Negócio:
- Oferece agora planos ilimitados com preços a partir de $22,99 (em dólar) por ano.
- Mantém 100% dos royalties nos planos pagos.
- No plano gratuito, cobra 20% de comissão.
Prós: A TuneCore possui um dos melhores sistemas de Publishing Administration (Direitos Autorais de Composição) integrados. Enquanto muitas distribuidoras de música focam apenas no fonograma, a TuneCore ajuda o compositor a receber tudo o que lhe é devido.
- TuneCore Publishing: Um dos melhores serviços de administração editorial do mercado (cobrado à parte), coletando royalties de composição mundialmente.
- Accelerator: Programa para impulsionar artistas que estão crescendo, oferecendo acesso antecipado a recursos.
- Social Platforms: Foco agressivo em monetização de Facebook, Instagram, TikTok e YouTube Shorts.
Contras: A interface ainda é um pouco mais “corporativa” e menos ágil que a DistroKid; o serviço de Publishing tem taxa de adesão única.
- Custo Anual Recorrente: Diferente de distribuidores que cobram uma taxa única por lançamento, a TuneCore exige uma assinatura anual para manter a música nas plataformas, o que pode ser uma despesa contínua para artistas com orçamentos limitados.
- Preços em Dólar: Embora haja presença local, os preços dos planos são baseados em dólares americanos, sujeitos à flutuação cambial, o que pode tornar o serviço caro dependendo da cotação do dia.
- Suporte ao Cliente: Embora exista suporte local, o tempo de resposta pode ser um ponto de atenção, com relatos de queixas no Reclame Aqui e em fóruns, onde o tempo de resposta padrão é de cerca de três dias úteis para planos básicos.
Veredito: A escolha mais segura para artistas que buscam profissionalização, coleta de direitos autorais completa e um potencial caminho para um contrato de distribuição major, aceitando pagar um pouco mais por uma interface e suporte mais estruturados.
Melhor para: Artistas compositores que querem garantir a coleta de todos os direitos autorais (fonográficos e editoriais) em um só lugar.
5. CD Baby
A CD Baby opera sob uma filosofia diametralmente oposta à da DistroKid e TuneCore. Em vez de alugar espaço nas prateleiras digitais (assinatura), o artista paga uma “hipoteca” única para ser dono do espaço.
Modelo de Negócio:
- Taxa única por lançamento (Single ou Álbum). Não há anuidade.
- Cobra 9% de comissão sobre os royalties digitais.
- Existem níveis (Standard e Pro Publishing).
Prós: A principal vantagem é a cobrança de uma taxa única por single ou álbum, sem taxas anuais ou ocultas, o que pode ser vantajoso para artistas com poucos lançamentos.
- Distribuição Física: Uma das poucas que ainda facilita a distribuição de CDs e Vinis.
- Licenciamento de Sincronização: Possui um catálogo forte para TV e Cinema.
- Show.co: Ferramentas de marketing incluídas.
Contras: A CD Baby retém 9% de comissão sobre a receita gerada pelas músicas dos artistas, diferentemente de algumas concorrentes que oferecem 100% dos royalties em planos de assinatura.
- Custos Vinculados ao Dólar: Sendo uma empresa americana, os custos iniciais dos planos Standard a partir de $9,99 e Pro a partir de $49,99. Valores que flutuam conforme a cotação e que podem ser elevados para artistas brasileiros devido à variação cambial.
- Tempo de Processamento: O tempo de inspeção e distribuição dos lançamentos pode ser um pouco mais demorado (de 5 a 10 dias úteis para revisão) em comparação com outras distribuidoras.
- Proibição de IA: A CD Baby proíbe a distribuição de conteúdo gerado por inteligência artificial, mesmo que o gerador permita uso comercial, o que pode ser uma limitação para artistas que utilizam essa tecnologia.
Veredito: A melhor opção para o artista “investidor” que busca perenidade e não lança música com frequência mensal, ou para catálogos legados.
Melhor para: Artistas que lançam álbuns esporádicos, bandas de nicho (Jazz, Instrumental, Folk) e artistas que querem garantir que seu legado permaneça online sem boletos anuais.
6. Ditto Music
A Ditto Music, de origem britânica, posiciona-se como uma parceira de desenvolvimento de carreira, oferecendo ferramentas que emulam a estrutura de uma gravadora independente
Modelo de Negócio:
- Assinatura anual competitiva (aprox. US$ 19/ano para ilimitado).
- 0% de comissão sobre royalties (artista fica com 100%).
Prós: Ótima para quem quer abrir seu próprio selo e gerenciar múltiplos artistas; preços competitivos.
- Record Label in a Box: Pacote que ajuda a formalizar sua gravadora, incluindo registro de empresa e ISRC.
- Playlist Pitching: Tem uma reputação razoável de conseguir colocar artistas em playlists próprias e de terceiros.
- Promo: Serviços de promoção e PR pagos à parte.
- Preço Acessível: Os planos de assinatura anuais são relativamente baratos (a partir de cerca de R$ 79 por ano), o que a torna financeiramente viável para músicos independentes.
Contras: Relatos frequentes de problemas no atendimento ao cliente e atrasos em relatórios.
- Instabilidade e Ações Arbitrárias: Alguns usuários relataram experiências ruins com ações consideradas arbitrárias ou problemas técnicos na plataforma, como atrasos na distribuição ou na disponibilização em plataformas específicas como o Beatport.
- Dúvidas a Longo Prazo: Por ser uma empresa relativamente nova no mercado brasileiro, alguns especialistas e usuários expressam dúvidas sobre sua estabilidade e capacidade de manter as promessas a longo prazo.
- Sistema de Analytics Questionável: Embora ofereça relatórios analíticos, alguns usuários e análises consideram a ferramenta menos eficaz ou intuitiva em comparação com outras distribuidoras.
Veredito: Uma alternativa viável à DistroKid para quem busca o modelo de 100% de royalties, mas deseja uma interface e ferramentas mais voltadas para a construção de marca e selo próprio.
Melhor para: Empreendedores musicais e pequenos selos que gerenciam vários artistas.
7. Music Pro
A Music Pro é uma distribuidora 100% Brasileira, focada na acessibilidade e no mercado latino, com forte presença no digital.
Modelo de Negócio:
- Oferece um plano “Free” (limitado a cerca de 10 faixas, sujeito a verificação de termos atuais, com comissão sobre royalties)
- Plano “Premium” (ilimitado, pagamento único anual de R$ 199,90).
Prós: Interface amigável; barreiras de entrada baixas.
- Pix: Aceita pagamentos de assinatura via Pix e, crucialmente, realiza o repasse de royalties diretamente em contas brasileiras via Pix, eliminando a necessidade de intermediários de câmbio (como Payoneer ou Husky) que “mordem” parte da receita do artista independente.
- SmartSite: Oferece um site atualizado automaticamente através de inteligência artificial, conectado aos seus lançamentos no Spotify.
Contras: Menor poder de barganha para playlists editoriais globais em comparação com as “Majors” da distribuição.
- Taxa de Royalties Elevada: A taxa de 25% pode ser considerada alta em comparação com outras distribuidoras que oferecem planos pagos com retenção de 0% ou taxas menores.
- Reputação no Reclame Aqui: A empresa possui uma avaliação considerada “Ruim” no Reclame Aqui, com nota média de 5.8/10 nos últimos 12 meses, indicando insatisfação de alguns consumidores com o serviço.
- Recursos Limitados no Plano Gratuito: Embora o lançamento seja gratuito, algumas funcionalidades importantes, como o envio ilimitado de faixas (sujeito a condições) e acesso prioritário a certos recursos, são exclusivas dos planos pagos/Premium.
- Possíveis Problemas Operacionais: Há relatos de dificuldades no uso da plataforma e no envio de músicas, conforme apontado em algumas reclamações de usuários.
Veredito: Talvez seja uma boa porta de entrada para artistas que queiram testar novos mercados ou estilos.
Melhor para: Artistas iniciantes na América Latina que buscam simplicidade e baixo custo inicial.
8. Somvibe
A SomVibe é uma plataforma brasileira emergente que busca atender a lacuna de suporte humanizado e tecnologia nacional.
Modelo de Negócio:
- Assinatura mensal acessível (aprox. R$ 19,90/mês no plano anual).
- Repassa 80% dos royalties (retém 20%).
Pontos Fortes: Falar a língua do artista; recebimento facilitado via transferência bancária local/PIX; entendimento da cultura local.
- Ferramentas de Marketing Local: Parcerias com influenciadores e mídias brasileiras.
- Curadoria Nacional: Foco em gêneros brasileiros (Funk, Sertanejo, MPB).
Pontos Fracos: Alcance internacional limitado comparado às gigantes globais.
- Problemas de Suporte Pontuais: Apesar da boa reputação geral, existem reclamações específicas sobre falta de suporte em determinadas situações, demora no atendimento ou comunicação inadequada.
- Demora na Análise e Publicação: Alguns artistas relataram atrasos excessivos na análise e publicação de suas músicas.
- Reclamações de Propaganda Enganosa: Houve menções a casos de suposta propaganda enganosa ou de a empresa não cumprir o que foi definido, gerando decepção em alguns usuários.
Veredito: Em geral, a Somvibe é vista como uma opção sólida e confiável para artistas independente.
Melhor para: Artistas de gêneros regionais brasileiros que focam 100% no público nacional.
9. Symphonic
Uma distribuidora “boutique”. A Symphonic não aceita qualquer um; é preciso aplicar e ser aprovado. É uma das poucas distribuidoras de música que operam neste modelo.
Modelo de Negócio:
- Starter (DIY): US$ 19,99/ano. 100% de royalties. Uploads ilimitados. Focado em iniciantes, mas com ferramentas analíticas superiores (ex: Analytics de TikTok em tempo real).
- Partner (Curadoria): Sem custo anual. Modelo de porcentagem (geralmente 15% a 20%). Acesso apenas por aplicação/convite. Inclui gerente de conta dedicado e pitching editorial agressivo.
Prós: Serviço premium; atendimento humanizado real; foco em qualidade e não quantidade.
- Marketing Personalizado: O maior diferencial. Eles realmente trabalham o lançamento com pitchings manuais.
- Distribuição de Vídeo: Excelente entrega para Vevo, Apple Music Video e Tidal.
- User Interface: Um dos painéis mais bonitos e detalhados do mercado.
Contras: Barreira de entrada (processo seletivo); retém porcentagem.
- Taxa de Royalties em Receita de UGC: Embora o plano Starter garanta 100% dos royalties de streaming, a Symphonic retém uma porcentagem (30%) da receita proveniente de conteúdo gerado pelo usuário (UGC), como no YouTube Content ID.
- Planos Diferenciados para Artistas Consagrados: Os serviços de marketing e pitching para playlists editoriais são mais robustos e acessíveis para artistas ou selos já estabelecidos, que aderem ao plano com divisão de royalties (Distro Plus), e não necessariamente para quem está no plano Starter.
Veredito: A Symphonic não compete por volume, mas por qualidade. Diferente de outras distribuidoras de música, eles trabalham o marketing de cada lançamento aprovado manualmente.
Melhor para: Artistas estabelecidos, selos de música eletrônica e artistas com base de fãs sólida que precisam de serviço VIP, não de automação.
10. SoundOn
A SoundOn é a distribuidora proprietária do TikTok. Sua proposta é simples: dominar a viralização.
Modelo de Negócio:
- Gratuito: Paga 100% no primeiro ano e 90% a partir do segundo ano (retendo 10%). Mantém 100% indefinidamente para plataformas da ByteDance (TikTok, Resso, CapCut).
Prós: A melhor ferramenta para quem foca sua estratégia de marketing no TikTok; pagamentos rápidos da ByteDance.
- Integração TikTok: Acesso privilegiado à biblioteca de sons do TikTok, aba de música no perfil do artista e ferramentas de promoção dentro do app (CapCut, Resso).
- Viralização: Dados diretos sobre como sua música está sendo usada em vídeos.
- Estratégia: Oferece acesso privilegiado à aba de músicas do TikTok, verificação de perfil e suporte de marketing dentro do aplicativo. É uma ferramenta de “Growth Hacking” musical.
- Pagamento em Conta Corrente Nacional: Para usuários no Brasil, o pagamento é feito mensalmente, diretamente em conta bancária cadastrada, com um limite mínimo de R$ 50 para saque.
Contras: Relativamente nova no mercado de distribuição para outros DSPs (Spotify/Apple), o que pode gerar bugs ocasionais; suporte focado no ecossistema deles.
- Suporte ao Cliente Deficiente: O principal ponto negativo relatado por artistas brasileiros é a falta de um suporte eficiente ou até mesmo inexistente. Reclamações no site Reclame AQUI mencionam e-mails e mensagens sem resposta.
- Problemas Operacionais: Há relatos de problemas como lançamentos programados que não ocorreram e músicas lançadas no perfil de artista errado em outras plataformas (como o Spotify).
- Ausência de Pré-Save: A função de pré-save, comum em outras distribuidoras, não está disponível na SoundOn.
- Falta de Personalização: Por ser um serviço gratuito, não se pode esperar um suporte personalizado ou ajuda dedicada para inclusão em playlists, como em distribuidoras pagas.
- Exclusividade Inicial no TikTok: Não é possível distribuir novamente uma música já distribuída no TikTok por outra plataforma, o que pode limitar as opções do artista caso ele queira mudar de distribuidor para essa faixa específica.
Veredito: Deve ser usada como uma ferramenta estratégica complementar para lançamentos virais, mas sua retenção de 10% após o primeiro ano a torna menos atraente para catálogo de longo prazo em comparação com opções de taxa fixa.
Melhor para: Artistas de Funk, Trap e Pop que baseiam sua estratégia de divulgação em vídeos curtos e desafios virais.
Tabela Comparativa das melhores distribuidoras de música
| Distribuidora | Modelo de Preço | Royalties (Para o Artista) | Principais Prós | Principais Contras | Ideal Para |
|---|---|---|---|---|---|
| DistroKid | Anuidade (~US$ 22,99) | 100% | Velocidade (24-72h) e Ferramenta de Splits automática. | Cobrança de extras (YouTube/Legacy) e suporte automatizado. | Produtores de alto volume (Trap/Hip-Hop). |
| ONErpm | Gratuito (Sem taxa inicial) | 85% (Áudio) / 70% (Vídeo) | Marketing local (BR), Estrutura de YouTube MCN e Pagamento Tipalti. | Suporte com má reputação e curadoria rígida na entrada. | Artistas brasileiros buscando fama e marketing. |
| UnitedMasters | Grátis ou Anual (~US$ 59,99) | 90% (Free) ou 100% (Select) | Parcerias com marcas (NBA/ESPN) e foco em Sync. | Questões de verificação de direitos e suporte inconstante. | Artistas de Trap/Urban focados em publicidade. |
| TuneCore | Planos Ilimitados (Variados) | 100% (Planos Pagos) | Publishing Administration robusto e foco em redes sociais. | Preços em Dólar e interface menos ágil. | Compositores que querem garantir todos os direitos. |
| CD Baby | Taxa Única por Lançamento | 91% (Retém 9%) | Sem anuidades (eterno), distribuição física e Sync. | Custo inicial alto (Dólar), lento e proíbe IA. | Artistas “investidores” e catálogos legados. |
| Ditto Music | Anuidade (~US$ 19) | 100% | Record Label in a Box e preço acessível. | Relatos de instabilidade e problemas de suporte. | Pequenos selos e empreendedores. |
| Music Pro | Free ou Premium (R$ 199,90) | 75% (Free) ou 100% (Premium) | Pagamentos/Recebimentos via PIX e SmartSite. | Taxa alta no free (25%) e reputação ruim no Reclame Aqui. | Iniciantes no Brasil testando o mercado. |
| Somvibe | Mensalidade (~R$ 19,90) | 80% (Retém 20%) | Suporte local, PIX e curadoria nacional. | Atrasos na análise e alcance internacional menor. | Gêneros regionais (100% foco BR). |
| Symphonic | DIY (~US$ 19,99) ou Partner (%) | 100% (Starter) ou ~80-85% | Marketing personalizado, vídeo e analytics superior. | Barreira de entrada (processo seletivo) e taxa em UGC. | Artistas estabelecidos e música eletrônica. |
| SoundOn | Gratuito | 100% (Ano 1) -> 90% (Ano 2+) | Ecosistema TikTok, viralização e pagamento local. | Suporte deficiente e sem Pre-Save. | Estratégia viral de Funk/Trap no TikTok. |
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual é a distribuidora mais barata?
Se você lança muita música, a DistroKid ou a TuneCore (planos anuais) são as mais baratas, pois o custo por música tende a zero. Se você lança pouca música e não tem orçamento inicial, a ONErpm ou SoundOn são as mais “baratas” pois não exigem pagamento adiantado, apenas cobram quando você ganha.
Qual distribuidora paga mais rápido?
A maioria das distribuidoras paga com um atraso de 2 a 3 meses (tempo que o Spotify leva para repassar). No entanto, a DistroKid e a SoundOn (para royalties do TikTok) costumam ter os processos de processamento mais ágeis. A ONErpm tem um sistema de pagamento mensal consistente.
Qual é melhor para artistas brasileiros?
A ONErpm continua sendo a líder em estrutura física e suporte no Brasil. No entanto, a Symphonic tem crescido muito no setor premium brasileiro, e a DistroKid é a favorita dos artistas independentes de Trap/Rap nacional pela autonomia.
É melhor pagar anuidade ou porcentagem?
Esta é a regra de ouro:
- Pague Anuidade (100% royalties) se você espera ter muitos streams (milhares/milhões). 15% de 100 mil reais é muito dinheiro para perder.
- Pague Porcentagem (Sem anuidade) se você está começando, não tem certeza do sucesso ou não quer ter o compromisso de pagar um boleto todo ano para manter a música no ar.
O que acontece com a regra de 1.000 streams do Spotify?
Desde 2024, faixas com menos de 1.000 streams anuais não geram royalties de gravação no Spotify. Isso significa que, se você usar uma distribuidora “Pay-Per-Release” como a CD Baby e sua música não atingir essa meta, você pagou a taxa de upload e teve retorno zero do Spotify (embora possa receber de outras lojas como Apple ou Deezer).
Por isso, para artistas iniciantes, modelos de assinatura ilimitada (DistroKid, TuneCore, Music Pro) ou comissão (ONErpm) são financeiramente mais seguros para “testar” o mercado.
Posso mudar de distribuidora depois?
Sim, mas não é um processo automático de “clicar e arrastar”. Você precisará fazer o upload dos mesmos arquivos e metadados (ISRCs originais são obrigatórios para manter a contagem de plays) na nova distribuidora e, somente após a confirmação de entrega, solicitar a remoção (takedown) na antiga. O histórico de plays geralmente é mantido se o ISRC for o mesmo, mas pode haver uma breve duplicidade ou lapso nas playlists.
Qual a vantagem do pagamento via Pix das distribuidoras nacionais?
Ao receber via PayPal ou Payoneer de distribuidoras internacionais, você paga taxas de recebimento (aprox. 2%) e sofre com o spread cambial (a cotação do dólar é menor que a comercial). Distribuidoras nacionais como Music Pro e Somvibe recebem o montante bruto, convertem com taxas corporativas melhores e repassam via Pix, o que pode representar um ganho líquido 5% a 10% superior para o artista brasileiro, além da velocidade.
A inteligência artificial (IA) é permitida?
Sim, a maioria das distribuidoras aceita músicas criadas com auxílio de IA em 2026, desde que você detenha os direitos autorais e não esteja infringindo vozes de terceiros (deepfakes). Distribuidoras como a Symphonic implementaram filtros rigorosos para barrar “conteúdo spam” de IA, enquanto a Somvibe explicitamente aceita IA autoral.
Conclusão
Não existe uma “melhor distribuidora” universal. A escolha correta depende estritamente do seu perfil de negócios e do seu momento de carreira em 2026.
- Artistas independentes e Produtores de Beats: Se o seu foco é volume, lançando faixas mensalmente para testar algoritmos, a DistroKid ou a TuneCore são as ferramentas mais eficientes economicamente. O custo fixo dilui-se com o volume.
- O Artista Brasileiro em Ascensão: Se você faz Funk, Trap ou Sertanejo e precisa de alguém que atenda o telefone e brigue por playlists locais, a ONErpm é a parceira estratégica ideal, valendo a pena ceder os 15% de comissão.
- O Artista Focado em Branding e Lifestyle: Para quem entende sua música como um produto para marcas e quer furar a bolha do streaming via publicidade e esportes, a UnitedMasters oferece conexões que nenhuma outra possui.
- O Profissional de Nicho/Selo: Se você valoriza qualidade de dados, transparência e uma gestão de catálogo “limpa” e profissional, a Symphonic e a Ditto são as escolhas premium.
- A Solução Prática Nacional: Para quem quer fugir da burocracia do dólar e valoriza a facilidade do Pix, a Music Pro resolve a dor logística do artista independente brasileiro com competência.
Em 2026, a distribuição tornou-se commodity; o diferencial é a inteligência. Escolha a distribuidora que lhe fornece os melhores dados e ferramentas para transformar ouvintes passivos em superfãs, pois é na posse dessa audiência — e não apenas nos centavos por stream — que reside o verdadeiro valor da música independente.

