A Kenner tem um novo rosto para representar a marca nas ruas, e não é qualquer um. Nesta terça-feira, 7 de julho, a fabricante carioca de calçados confirmou MC Hariel como seu mais novo embaixador. A data não foi escolhida por acaso. Ela marca os dez anos do Dia Estadual do Funk de São Paulo, e colocar um dos maiores nomes do funk paulista no centro do anúncio diz muito sobre o caminho que a empresa vem trilhando.
Para quem acompanha a cena, a aproximação faz sentido. A Kenner nasceu no Rio em 1988 mirando o público surfista da zona sul, mas foi na quebrada que encontrou sua identidade mais forte. O estalo da tira batendo no calcanhar virou trilha sonora de baile, de quadra, de rolê. Trazer Hariel para dentro dessa história é reforçar um vínculo que já existe faz tempo entre o calçado e a periferia.
É uma marca que tem identidade, história e conversa com o meu público. Então, quando surgiu a oportunidade de construir essa parceria, fez muito sentido.
Mc Hariel
A fala entrega o tom do acordo, menos publicidade fria e mais afinidade real entre quem faz e quem consome.
Quem é MC Hariel e por que ele importa nessa jogada
Nascido na Vila Aurora, zona norte de São Paulo, Hariel começou cedo. Aos onze anos já gravava suas primeiras músicas, e da garagem para o país foi uma escalada construída na base da resiliência. Hoje o cara acumula bilhões de streams e uma penca de sucessos que atravessaram gerações, de “Lei do Retorno” a “Maçã Verde”, passando por “Tem Café” e “Set dos Casados”. Em 2025, o nome dele apareceu até na lista do Grammy Latino, com a faixa “A Dança”, parceria com Gilberto Gil.
Essa bagagem faz diferença. A Kenner não escolheu um artista de passagem, e sim alguém que carrega o funk consciente na voz e a vivência de quebrada na letra. Para uma marca que quer falar a língua da rua, apostar em Hariel é apostar em quem já tem essa língua no sangue.
A Kenner e a virada rumo à cultura de rua
Vale lembrar de onde a marca vem. Durante boa parte da história, a Kenner foi símbolo de status entre a molecada endinheirada da orla carioca. Só que, nos anos 2000, o público mudou. O calçado durável, feito para aguentar correria, futebol de rua e madrugada de baile, foi abraçado pela favela no mesmo movimento que consagrou o funk como a música da comunidade.
De uns anos para cá, a empresa entendeu o recado e passou a se posicionar de forma mais direta. Veio a collab com Anitta, primeira embaixadora global da marca. Vieram parcerias com nomes como L7NNON e a presença em passarelas ao lado de grifes autorais. Colocar MC Hariel como embaixador da Kenner é mais um passo nessa estratégia de amarrar o nome da empresa à cultura periférica, dessa vez fincando bandeira em São Paulo.


Para oficializar a chegada do artista, a Kenner preparou algo além de uma foto de campanha. A marca promoveu a roda de conversa “Memória do Funk em São Paulo”, no Projeto 2005, em Pinheiros, na noite do anúncio. O encontro reuniu Hariel ao lado de Luana Maia, Montanha Funk TV e RD da Dz7, com mediação de Renata Prado, pesquisadora, pedagoga e também embaixadora da marca.
A programação ainda teve espaço para o corpo, não só para o papo. O coletivo Passinhos do Brasil, dedicado a valorizar a cultura dos passinhos do funk brasileiro, se apresentou no evento. Foi uma forma de traduzir na prática aquilo que a conversa propunha, manter viva a memória de um movimento que nasceu na margem e virou patrimônio cultural.
7 de julho: Dia Estadual do Funk de São Paulo
Escolher essa data para o anúncio tem simbolismo de sobra. O Dia Estadual do Funk de São Paulo é celebrado em 7 de julho em homenagem a MC Daleste, morto a tiros exatamente nessa data, em 2013, durante um show em Campinas. A perda marcou a cena e transformou o dia num momento de resistência e memória para quem vive o funk.
Ao anunciar MC Hariel como embaixador justamente no aniversário de dez anos dessa data, a Kenner conecta a marca a algo maior que uma campanha. Amarra o próprio nome à história do funk paulista, às suas perdas e às suas conquistas. E entrega ao público um recado claro. Essa parceria não é sobre vender chinelo, é sobre pertencer.




