[Análise] Brandão085 – “Isso É Trap Vol. 2” por Kadu Soares

[Análise] Brandão085 – “Isso É Trap Vol. 2” por Kadu Soares

Quando Brandão085 lançou Isso É Trap Vol. 2 na noite de quarta-feira, 15 de abril, a expectativa era alta, mas uma dúvida pairava: seria esta uma continuação direta do primeiro volume ou um projeto mais íntimo e confessional?

Ao dar play em “BENÇA”, faixa de abertura, a resposta começou a se desenhar. Nela, Brandão reivindica créditos, fala sobre ter mudado a vida dos irmãos e o rumo do trap. “Manos me devem uma bença nessa m*rda do trap”, ele repete no refrão.

O clima estabelecido é de quem sabe o próprio valor e não tem medo de deixar isso claro. Por ser a primeira faixa, acreditei que ele se aprofundaria na própria trajetória ao longo das 14 músicas. Mas, depois de “BENÇA”, só “MILAGRE” volta a fazer isso.

O resto do álbum segue no trap de ostentação que Brandão domina há anos. A boa notícia? Funciona. Isso É Trap Vol. 2 se encaixa na cena atual como continuação sólida da mixtape que foi destaque em 2025, só que mais enxuta, mais direta e mais assertiva. Com 14 faixas e 38 minutos (contra 22 faixas do primeiro volume), Vol. 2 corta gordura e vai direto ao ponto.
Sonora e liricamente, segue a mesma linha de Vol. 1 — dá para trocar faixas entre os volumes sem que muita coisa mude.

Relevância cultural

A promessa era de uma narrativa íntima, mas o que chegou foi uma continuação do primeiro volume, com alguns momentos confessionais. E tudo bem. Brandão085 continua sendo referência do trap no Brasil. Tem números, tem influência, tem espaço consolidado.

Vol. 2 é tecnicamente melhor que o primeiro, mas, com certeza, não deve ter o mesmo impacto inicial. O álbum cumpre o que prometeu no título: isso é trap. Sem mais, nem menos.

Raio-X Técnico

Impacto Visual

A capa de Isso É Trap Vol. 2 é uma evolução clara em relação ao primeiro volume. O grafite já era lindo na parte 1, mas agora ganha um toque digital que reflete exatamente o que o disco faz musicalmente: pega uma base sólida e adiciona uma camada extra de refinamento, conversando diretamente com a sonoridade.

Enquanto Vol. 1 era cru e expansivo, em Vol. 2 sinto um pouco mais de polimento e foco. A arte traduz isso perfeitamente. Tem identidade própria, sem romper com o que veio antes.

Os clipes também merecem destaque. São interessantes, pesados, densos e combinam perfeitamente com a estética do álbum. Brandão entende que trap pode ir além do som — está na estética, nas vivências e no estilo de vida. E ele entrega essa parte com competência. A identidade gráfica do projeto casa com a sonoridade de forma orgânica.

  • NOTA: 7/10

Feats.

As participações em Isso É Trap Vol. 2 aparecem em bem menor quantidade que na primeira parte — e isso funciona a favor do projeto. Brandão escolheu qualidade em vez de quantidade. Matuê e Desiree mandam bem. Cada um sabe exatamente o que está fazendo e entrega versos que não chegam a roubar a cena (porque o disco é do Brandão, afinal), mas se encaixam perfeitamente no conceito. Não tem feat forçado, não tem participação que soe deslocada.

Matuê traz peso e credibilidade. Desiree adiciona versatilidade. Nenhum dos dois desperdiça espaço. As colaborações foram certeiras: servem ao disco, sem tentar protagonizar. É um equilíbrio difícil de alcançar, mas Brandão conseguiu. Os feats elevam as faixas em que aparecem sem transformar Vol. 2 em uma coletânea de duetos. O álbum continua sendo um projeto solo, com participações pontuais. E isso é exatamente o que deveria ser.

  • NOTA: 8/10

Conceito e Narrativa

Aqui mora o principal problema de Isso É Trap Vol. 2: não tem narrativa. O álbum promete um mergulho íntimo na trajetória de Brandão, mas ”””só””” — com muitas aspas — entrega uma playlist de singles sólidos. “BENÇA” abre estabelecendo um tom confessional e “MILAGRE” retoma isso no meio do disco, mas o resto segue no trap de ostentação, sem compromisso com um arco narrativo. “PARIS” fala de comprar Air Force e usar codeína.
“JAQUETA DA BAPE” mostra Brandão confiante, dizendo que tem mais flow que Drake.

“Bug da Matrix” fecha com toques eletrônicos, criando uma atmosfera cyberpunk. Todas são boas músicas. Nenhuma conversa com a outra. Dá para embaralhar a tracklist sem perder nada. Dá para trocar faixas entre Vol. 1 e Vol. 2 sem prejuízo. O projeto funciona como um deluxe sólido do primeiro volume, mas não como uma obra coesa, com começo, meio e fim.

Brandão é bom demais no que faz para precisar de um conceito rebuscado — mas a promessa de intimidade criou uma expectativa que não foi cumprida. O álbum entrega trap de qualidade, mas não entrega história.

  • NOTA: 3/10

Lírica e Mensagem

Liricamente, Isso É Trap Vol. 2 é trap por trap. Brandão domina o código do gênero — ostentação, referências ao trap gringo, lifestyle caro, confiança inabalável — e executa com maestria. Mas não há evolução marcante na escrita nem reflexões que surpreendam. Tirando “BENÇA” e “MILAGRE”, o resto repete uma fórmula consagrada. E funciona. Só não inova.

A caneta de Brandão continua afiada: ele sabe construir refrão que gruda, sabe encaixar flow na batida e sabe escolher referências que ressoam com o público. Mas Vol. 2 não marca um avanço lírico em relação ao Vol. 1 ou aos discos anteriores. É uma continuação competente do que ele já vinha fazendo. Para quem esperava uma camada extra de profundidade, pode decepcionar. Para quem curte trap direto e sem frescura, entrega exatamente o esperado.

  • NOTA: 5/10

Atmosfera e Sonoridade

A produção é um ponto altíssimo de Isso É Trap Vol. 2. Os beats mantêm energia do início ao fim, sem repetir fórmula e sem cansar. Brandão sabe escolher instrumentais que conversam entre si, acelerar quando precisa e desacelerar no momento certo. A sonoridade é polida, mas não asséptica. Tem peso, tem groove, tem espaço para respirar.

A produção não é inovadora, mas é executada com excelência técnica. Os graves batem forte, as 808 vibram e as hi-hats cortam no tempo certo. É um som que funciona tanto no fone quanto na festa. Brandão entende produção e escolheu produtores que entendem o que ele precisa. O resultado é um álbum que envolve do play ao stop. A atmosfera é coesa, mesmo sem uma narrativa clara. E isso salva o projeto de ser só uma coletânea de músicas soltas.

  • NOTA: 8/10

Inovação e Originalidade

Isso É Trap Vol. 2 não traz nada que ainda não tenhamos ouvido na cena. É uma continuação segura, mas seleta, do que Brandão já vinha fazendo. E tudo bem. Nem todo projeto precisa reinventar a roda. Às vezes, fazer bem-feito o que você já domina é o suficiente. Mas, se a pergunta é “o que este álbum traz de novo?”, a resposta honesta é: nada. Brandão aperfeiçoou uma fórmula que já funcionava, cortou excessos do Vol. 1 e focou nas melhores ideias. Mas não inovou.

A aposta aqui foi em qualidade técnica, não em experimentação. E a aposta valeu: Vol. 2 é melhor produzido, mais enxuto e mais direto que o primeiro. Mas também é mais previsível. Quem espera que Brandão explore território novo vai ficar frustrado. Quem quer trap bem-feito, sem surpresas, vai sair satisfeito. É um projeto que consolida posição, em vez de expandir fronteiras. E, considerando que Brandão já é referência no trap brasileiro, consolidar não é pouco.

  • NOTA: 4/10

Fator Replay

Brandão085 sabe muito bem fazer músicas com alto fator replay. E Isso É Trap Vol. 2 prova isso. “BENÇA”, “PARIS”, “JAQUETA DA BAPE” e “Bug da Matrix” são faixas que vão morar na playlist. Têm refrão que gruda, têm energia que não cansa e têm produção que pede repeat. Não é um álbum que você ouve uma vez e esquece. É um projeto que volta ao topo da rotação mesmo depois de semanas.

A força do Vol. 2 está exatamente nisso: cada faixa funciona sozinha. Não é preciso ouvir o disco inteiro para aproveitar. Dá para pular direto para as favoritas. E isso, que seria defeito em um álbum conceitual, é virtude em um projeto assim. Brandão entregou 14 músicas sólidas que podem viver separadas, sem perder impacto. Para streaming, para festa, para treino, para rotina — Vol. 2 se encaixa. E continua funcionando. O fator replay é altíssimo.

  • NOTA: 9/10

Veredito Final

Isso É Trap Vol. 2 consolida Brandão085 como referência incontestável do trap brasileiro, sem tentar reinventar a própria roda. É um projeto tecnicamente superior ao primeiro volume — mais enxuto, mais direto, melhor produzido — e mostra que Brandão entendeu exatamente o que funcionou na parte 1 e voltou com ainda mais convicção do que entregar.

Ele identificou os pontos fortes, cortou excessos e focou no que sabe fazer de melhor. O resultado abre mão de ambição narrativa em nome da eficiência. Talvez faltem profundidade lírica, conceito e inovação. Mas sobram qualidade técnica, fator replay e competência.

O legado que este álbum deixa é duplo: reforça o protagonismo de Brandão na cena e, ao mesmo tempo, mostra os limites da fórmula que ele domina. É um “deluxe” sólido que entrega exatamente o que promete no título: TRAP. Para a carreira dele, é manutenção de alto nível, com autoconsciência do próprio valor. Para o rap nacional, é mais uma prova de que trap bem-feito ainda tem espaço, mesmo sem surpreender.

RAP MÍDIA

Isso É Trap Vol. 2

Brandão085

Impacto Visual7.0
Feats8.0
Conceito e Narrativa3.0
Lírica e Mensagem5.0
Atmosfera e Sonoridade8.0
Inovação e Originalidade4.0
Fator Replay9.0
*As notas e opiniões expressas nesta análise refletem a visão técnica do convidado e não representam um veredito absoluto. A música é uma experiência subjetiva e cada ouvinte pode atribuir valores diferentes com base em sua própria percepção.
NARDONI

NARDONI

Carioca que não gosta de praia, apreciador de café e água com gáix, criador da RAP MÍDIA.

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