A Mainstreet Records voltou ao centro das polêmicas. Desta vez, não foram as paradas musicais nem os números nas plataformas de streaming que colocaram a gravadora em evidência, mas um desabafo público do próprio Orochi, fundador e CEO do selo, direcionado ao rapper Leviano.
O episódio veio à tona nesta sexta-feira, dia 24 de Abril, quando o artista utilizou o status do WhatsApp e, em seguida, replicou o conteúdo no Instagram para falar abertamente sobre tensões internas que, segundo ele, vinham sendo mal interpretadas e mal representadas nas redes sociais.
O pano de fundo do pronunciamento é um acúmulo de declarações negativas feitas por Leviano e também pelo rapper BIN sobre a dinâmica dentro da gravadora. Orochi não deixou passar em branco e foi direto ao ponto, sem rodeios.
Orochi e Leviano: o que está em jogo
O centro da fala de Orochi foi uma acusação financeira clara e objetiva: Leviano teria pendências com a Mainstreet que impedem uma saída tranquila da empresa.
Leviano deve muita grana para a Mainstreet, por isso não consegue sair da empresa tranquilamente. Vai ter que estourar vários hits até pagar o que deve.
Publicou Orochi
A declaração joga luz sobre uma dinâmica que vai além de simples divergências criativas. Em vez de encarar a situação como um conflito artístico, Orochi enquadrou o problema dentro de uma lógica de negócios: quem quer romper um contrato precisa cumprir as obrigações financeiras que assumiu.
Quer sair? Sai na moral, sai pagando o que deve. Negócios são negócios. Agora os caras querem ir para a internet expor a empresa ao invés de rescindir no papel, como tem que ser feito.
Completou Orochi.


Reclamações de Leviano não são de hoje
As críticas de Leviano à Mainstreet não surgiram do nada. Há aproximadamente quatro meses, o rapper já havia comparado a gravadora a uma “cadeia” ao responder um fã nas redes sociais.
Na ocasião, ele afirmou que o selo não abre espaço para que os artistas experimentem sonoridades diferentes, e que qualquer tentativa de inovação é barrada internamente com o argumento de que o projeto “foge do padrão da empresa”. Leviano chegou a descrever a dependência em relação à gravadora como uma forma de tortura psicológica.
Essa não é a primeira vez que a Mainstreet enfrenta ruídos desse tipo. Mas o peso das palavras de um artista assinado, falando sobre restrições criativas e insatisfação, tem potencial de abalar a imagem que o selo construiu ao longo dos anos como uma das maiores estruturas do rap e trap brasileiro.
A defesa de Orochi e o argumento do investimento
Para contextualizar o modelo de negócios da gravadora, o rapper trouxe um exemplo que conhece de dentro: o próprio começo de carreira. Orochi relembrou que, em 2020, o empresário Lang investiu R$ 100 mil para alavancar sua trajetória.
Hoje, o artista cobra entre R$ 100 mil e R$ 150 mil por show, o que, segundo ele, ilustra o retorno que o investimento inicial pode gerar quando o artista se dedica ao trabalho.
A lógica apresentada é clara: a gravadora arrisca capital na construção de carreiras, e a contrapartida é um compromisso contratual que precisa ser honrado. Na visão de Orochi, atacar publicamente a empresa que viabilizou a carreira de um artista é uma postura que vai na contramão de qualquer lógica profissional sólida.
“É mais fácil culpar do que se olhar no espelho”


Orochi também ampliou a crítica para além do caso específico de Leviano, tocando em algo que considera um padrão na cena. “É muito mais fácil culpar alguém pelo próprio fracasso do que reconhecer que a mudança tem que vir de nós mesmos“, afirmou.
O recado, embora sem nomear todos os envolvidos, teve peso de crítica coletiva aos artistas que, segundo ele, buscam visibilidade atacando a própria equipe ao invés de buscar evolução interna.
O rapper encerrou as publicações reforçando que sua estabilidade financeira não depende do desempenho de nenhum artista do plantel e destacou que segue entre os três mais ouvidos do Brasil nas plataformas digitais, o que lhe dá, na prática, autonomia para enfrentar qualquer crise de imagem com solidez.
Leviano quebra o silêncio e rebate Orochi no X
O silêncio de Leviano durou pouco. Ainda nesta sexta-feira, o rapper foi ao X (antigo Twitter) para dar sua versão dos fatos e negar categoricamente a acusação de dívida feita por Orochi. Em tom agressivo, o artista afirmou não dever nada a ninguém e virou a narrativa contra a própria gravadora, questionando publicamente a situação dos advances, ou seja, os adiantamentos financeiros pagos aos artistas pelo selo.

Segundo Leviano, seriam os próprios integrantes da Mainstreet que estariam com meses de pagamento em atraso, e que o escritório da gravadora teria pleno conhecimento disso, ao contrário de Orochi, que segundo ele nem frequenta a própria empresa.
Em um segundo post, o rapper descartou qualquer preocupação com as palavras do fundador da Mainstreet, chamou-o de “flopado” e prometeu mostrar, com sua própria carreira, por que o selo teria ficado preso no passado.

A resposta acendeu ainda mais o debate nas redes e transforma o que parecia um desabafo unilateral em uma troca de acusações com potencial para se estender pelos próximos dias.
Leviano solta Diss para Orochi
O caso Orochi e Leviano expõe uma tensão real e recorrente no mercado fonográfico brasileiro, especialmente entre artistas em ascensão e gravadoras que investem pesado antes de o retorno se materializar.
A linha entre parceria e dependência, entre suporte estrutural e engessamento criativo, é sempre tênue, e quando essa tensão vem a público, raramente sai sem arranhões para os dois lados.

