Deezer revela que 44% dos novos uploads são músicas geradas por IA

Quase metade das músicas novas na Deezer são feitas por inteligência artificial. Plataforma já desmonetizou quase 85% desses streams por fraude.
Músicas geradas por IA na Deezer já são quase metade do catálogo

75 mil. Esse é o volume de faixas que a Deezer recebe diariamente de fontes que não envolvem suor humano, caneta ou estúdio real. O número, divulgado nesta segunda-feira (20), acende um alerta vermelho para qualquer um que acompanhe a indústria: 44% de tudo o que sobe para a plataforma hoje é fruto de algoritmos.

Para quem vive de rima e corre atrás de um lugar no sol na cena urbana, o dado não é apenas uma estatística técnica; é uma ameaça direta à sustentabilidade do mercado.

O crescimento desse fluxo foi brutal e silencioso. Em pouco mais de um ano, o volume saltou de 10 mil para os atuais 75 mil uploads diários. É uma produção industrial que ignora o tempo de maturação de um beat ou a construção de uma lírica.

Essa enxurrada de músicas geradas por IA na Deezer forçou a empresa a tomar medidas drásticas, como interromper o armazenamento de versões em alta resolução para esses conteúdos e retirá-los sumariamente de recomendações algorítmicas e playlists editoriais. O objetivo é evitar que o entulho digital soterre quem realmente produz arte.

O jogo sujo das fazendas de cliques e a fraude sonora

A questão vai muito além da estética ou da preferência musical. O buraco é financeiro. A plataforma revelou que 85% das reproduções dessas faixas sintéticas são classificadas como fraudulentas.

Na prática, isso significa que essas músicas não estão ali para conquistar fãs, mas para alimentar esquemas de “fazendas de streams”. São robôs ouvindo robôs para drenar o dinheiro que deveria ir para o bolso de artistas independentes e selos que investem em talento real.

A detecção de músicas geradas por IA na Deezer permitiu que a empresa identificasse e rotulasse mais de 13,4 milhões de arquivos apenas em 2025. Ao desmonetizar esse conteúdo, a plataforma tenta estancar uma sangria que, segundo dados da CISAC, pode colocar em risco até 4 bilhões de euros da receita global de criadores até 2028.

No rap, onde a independência financeira é um pilar de sobrevivência, essa diluição de royalties pode ser o golpe de misericórdia para muitos produtores que estão começando. O CEO da empresa, Alexis Lanternier, tem sido enfático ao dizer que o setor precisa de uma responsabilidade compartilhada para proteger quem de fato cria.

A música gerada por IA já deixou de ser um fenômeno de nicho e, na Deezer, acreditamos que é hora de toda a indústria musical assumir uma responsabilidade compartilhada para proteger os direitos dos artistas e garantir transparência aos fãs.

Desde janeiro, disponibilizamos nossa tecnologia de detecção para licenciamento e estamos ansiosos para ver colegas do setor de todos os tipos se juntarem a nós na luta por justiça na era da IA.

Alexis Lanternier, CEO da Deezer.

A percepção do público e o futuro da transparência

Um dado assustador surge quando o foco sai do gráfico e vai para o ouvido do ouvinte. Uma pesquisa realizada pela Ipsos em oito países mostrou que 97% das pessoas não conseguem diferenciar uma faixa feita por humanos de uma criada por inteligência artificial em um teste cego. O público consome músicas geradas por IA na Deezer sem perceber o que está ouvindo, mas, paradoxalmente, 80% dos entrevistados afirmam que querem saber quando uma música foi gerada por máquinas. Existe um desejo por transparência que o mercado ainda não consegue entregar de forma padronizada.

O movimento da Deezer de licenciar sua tecnologia de detecção para outros players do mercado sinaliza que a discussão mudou de patamar. Já não se trata mais de ser contra ou a favor da tecnologia, mas de entender que, sem regras de sinalização e filtros rígidos, a música corre o risco de virar uma commodity sem alma, produzida para enganar sistemas de pagamento em vez de transmitir mensagens. A corrida agora é para garantir que o algoritmo que recomenda sua playlist favorita não seja o mesmo que está ajudando a sabotar a carreira do seu rapper favorito. O futuro do streaming será decidido pela capacidade das plataformas de separar o joio digital do trigo criativo.

NARDONI

NARDONI

Carioca que não gosta de praia, apreciador de café e água com gáix, criador da RAP MÍDIA.

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