Em 5 de julho de 2026, mais de 80 mil pessoas lotaram o MetLife Stadium, em Nova Jersey, para ver Brasil e Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Na beira do gramado estava Jay-Z, ao lado de DJ Khaled, com Travis Scott também no estádio. Antes do jogo, Vinícius Júnior publicou nas redes uma foto do encontro com o rapper. O Brasil perdeu por 2 a 1, com dois gols de Erling Haaland, e voltou para casa mais cedo do que esperava. A foto, porém, dizia muito sobre quem circula pelos bastidores do futebol brasileiro.
Jay-Z não estava ali só como torcedor famoso. Desde 2023, a empresa dele, a Roc Nation, cuida da carreira de Vini, de Endrick e de mais de cem jogadores brasileiros. O rapper do Brooklyn não chegou a esse posto contratando craque por craque. Ele comprou o atalho, a agência que já tinha descoberto essa geração, e aplicou nela a mesma lógica que usou na música: um artista, ou um atleta, vale tanto pelo que faz no palco quanto pela marca que constrói fora dele. Esta reportagem conta como esse império de Jay-Z no futebol foi montado, que negócios passaram pela mesa da agência e o que a história ensina sobre o hip hop como modelo de negócio.
Em resumo
- A Roc Nation Sports nasceu em 2013, e Jay-Z vendeu sua pequena participação no Brooklyn Nets para poder trabalhar como agente de atletas.
- Em julho de 2023, a divisão internacional da empresa comprou a agência brasileira TFM, que representava mais de 100 jogadores, entre eles Vinícius Júnior.
- A equipe brasileira conduziu as vendas de Vini e Endrick para o Real Madrid, duas das maiores negociações da história do futebol nacional.
- O modelo de trabalho trata o jogador como uma marca, com contratos, patrocínio, mídia, moda e negócios fora de campo.
Do Brooklyn à mesa de negociação
Antes de ser agente, Shawn Carter foi um empreendedor do rap. Criado no conjunto habitacional Marcy Houses, no Brooklyn, ele fundou a Roc-A-Fella Records em 1995, com Damon Dash e Kareem “Biggs” Burke, depois de não conseguir o contrato que queria com as grandes gravadoras. Foi ali que nasceu o diamante feito com as mãos, o “Roc diamond”, gesto que virou a assinatura da gravadora nos shows e nos clipes. Quase três décadas depois, ele apareceria numa comemoração de gol na Liga dos Campeões.
Em 2008, Jay-Z deu o passo seguinte ao criar a Roc Nation, num acordo com a promotora de shows Live Nation. A empresa passou a reunir gravadora, editora musical e gestão de carreiras, com Rihanna entre os nomes do elenco. O que interessava ao rapper não era só lançar discos, mas cuidar de tudo o que gira em torno de um artista: contratos, turnês, imagem e negócios paralelos.
O esporte entrou na história em abril de 2013. Jay-Z e Juan Perez, presidente da Roc Nation, anunciaram a Roc Nation Sports, criada em parceria com a agência americana CAA. O primeiro grande cliente foi Robinson Canó, astro do New York Yankees, que no fim daquele ano assinou com o Seattle Mariners um contrato de 240 milhões de dólares por dez temporadas. Logo vieram o jogador de futebol americano Victor Cruz e o astro da NBA Kevin Durant.
Para virar agente, Jay-Z teve de abrir mão de outra paixão. Ele era sócio minoritário do Brooklyn Nets, com uma fatia de um quinze avos de 1% do time, e as regras da NBA proíbem que alguém ligado a uma agência de atletas seja dono de franquia. Ele vendeu a participação e, no mesmo ano, ganhou a licença do sindicato de jogadores da liga. “Por causa do meu amor pelo esporte, foi uma progressão natural formar uma empresa em que possamos ajudar grandes atletas de vários esportes da mesma forma que ajudamos artistas da música por anos”, disse o rapper no lançamento.
Essa frase explica o resto da história. Para Jay-Z, um atleta de elite e um artista de sucesso enfrentam os mesmos problemas: contratos complexos, uma carreira curta, uma imagem que vale dinheiro e pouca gente preparada para cuidar de tudo ao mesmo tempo. O próprio rapper é o melhor exemplo do modelo. Em 2019, a revista Forbes o apontou como o primeiro bilionário do hip hop, com uma fortuna que vinha muito mais dos negócios fora da música do que dos discos.
A entrada no futebol europeu

O futebol veio depois e por outra porta. Em 2019, a empresa criou a Roc Nation Sports International, com base em Londres e comandada por Michael Yormark, executivo com longa carreira na gestão de times esportivos nos Estados Unidos. Era o braço que olharia para o esporte mais popular do mundo, ainda pouco explorado pela marca.
A divisão cresceu rápido. Antes de chegar ao Brasil, já representava nomes como o belga Kevin De Bruyne, o também belga Romelu Lukaku, o italiano Federico Dimarco e o americano Chris Richards, além de atletas de outros esportes, como o sul-africano Siya Kolisi, capitão bicampeão mundial de rúgbi. No mesmo ano de 2019, a Roc Nation fechou um acordo com a NFL para ser a estrategista de entretenimento da liga, o que inclui escolher e produzir os shows do intervalo do Super Bowl. Rihanna, Kendrick Lamar e Bad Bunny passaram por esse palco nos últimos anos.
Os dois acordos seguem a mesma lógica. Na NFL, a Roc Nation leva a música para dentro do esporte. Na agência, leva o tratamento de astro da música para o atleta. Faltava um mercado capaz de fornecer talento em escala, e o próprio Yormark disse qual era. “Quando você pensa em futebol e pensa em talento, o Brasil é provavelmente o primeiro mercado que você colocaria no topo da lista de desejos para uma aquisição”, afirmou em 2023. Até então, a empresa tinha cerca de 40 jogadores de futebol na carteira.
O atalho brasileiro: a compra da TFM
Em 7 de julho de 2023, a Roc Nation Sports International anunciou a compra da TFM Agency, de São Paulo, e com ela criou a Roc Nation Sports Brazil. Os valores não foram divulgados. Segundo reportagens da época, a empresa de Jay-Z teria ficado com 51% das ações, o controle da agência.
A TFM não era uma agência qualquer. Representava mais de 100 jogadores, das categorias de base ao profissional, e tinha no portfólio Vinícius Júnior, Gabriel Martinelli, do Arsenal, Lucas Paquetá e Endrick, que já estava vendido ao Real Madrid e esperava completar 18 anos para se mudar. Com a compra, a lista de jogadores de futebol da Roc Nation triplicou de uma vez, de cerca de 40 para perto de 120.
Yormark não escondeu a lógica da operação. Ao explicar o negócio, disse que não existe forma melhor de superar a concorrência do que comprá-la. Em vez de passar anos montando uma rede de olheiros e disputando jovens com as agências locais, a Roc Nation ficou com a mais forte delas, com equipe, contatos com clubes e jogadores já formados. É a mesma conta que uma gravadora faz quando compra o catálogo de outra em vez de esperar os próprios artistas estourarem.
Fundador da TFM, Frederico Pena assumiu como presidente da operação brasileira, ao lado dos sócios Marcos Casseb, Lucas Mineiro, Renato Martinez, Octavio Rigoni e Thiago Freitas, que viraram vice-presidentes. “A Roc Nation representa o auge da cultura, do esporte e do entretenimento. Fazia todo o sentido nos juntarmos à Roc Nation”, afirmou Pena no anúncio. Juan Perez foi mais direto: “Em termos de futebol, o Brasil é o centro de tudo”. O próprio Vini comemorou a novidade nas redes e deixou um recado para o novo chefe: queria ver Jay-Z no Brasil.
A trajetória de Jay-Z no esporte, da gravadora de rap à Copa do Mundo:
- Roc-A-Fella RecordsJay-Z funda a gravadora com Damon Dash e Kareem Burke. O diamante feito com as mãos vira o símbolo da marca
- Roc NationNasce a empresa de entretenimento de Jay-Z, que passa a cuidar da carreira de artistas
- AbrilLançamento da Roc Nation Sports, com Juan Perez. O primeiro cliente é o jogador de beisebol Robinson Canó
- MaioO Real Madrid fecha a compra de Vinícius Júnior, do Flamengo, por cerca de 45 milhões de euros
- Europa e NFLSurge a Roc Nation Sports International, comandada por Michael Yormark, e a empresa vira parceira da NFL
- 15 de dezembroPalmeiras e Real Madrid anunciam a venda de Endrick, então com 16 anos
- JulhoA Roc Nation compra a agência brasileira TFM e cria a Roc Nation Sports Brazil, com mais de 100 jogadores
- 1º de junhoJay-Z abraça Vini antes da final da Champions League em Wembley. Vini marca na vitória sobre o Borussia Dortmund
- FevereiroGrupo de investidores ligado a Vini compra a SAD do Alverca, que sobe para a elite de Portugal em maio
- Julho e agostoJay-Z vê o Brasil cair para a Noruega no MetLife Stadium. Em agosto, Vini renova com o Real Madrid até 2032
Vini Jr., a vitrine do método
Nenhum cliente mostra melhor o que a Roc Nation quer fazer do que Vinícius Júnior. A relação com a TFM vem de antes da chegada de Jay-Z: foi a equipe da agência que conduziu, em maio de 2017, a venda do atacante, então com 16 anos, do Flamengo para o Real Madrid, por cerca de 45 milhões de euros. Na época, foi a segunda maior venda da história do futebol brasileiro, atrás apenas da ida de Neymar do Santos para o Barcelona. Vini só pôde se mudar para Madri em julho de 2018, depois de completar 18 anos.
No Real Madrid, ele virou um dos melhores jogadores do mundo. Foi campeão da Liga dos Campeões em 2022 e em 2024, com gol nas duas finais, e em dezembro de 2024 foi eleito o melhor do mundo no prêmio The Best, da FIFA, o primeiro brasileiro desde Kaká, em 2007. Na Bola de Ouro daquele ano, ficou em segundo lugar, atrás do espanhol Rodri.
Foi justamente num gol que a ligação com Jay-Z apareceu para o mundo. Em 3 de outubro de 2023, três meses depois da compra da TFM, Vini marcou contra o Napoli, na Itália, pela fase de grupos da Liga dos Campeões, e comemorou fazendo com as mãos o diamante da Roc Nation em direção à câmera. O gesto que tinha nascido nos shows de rap dos anos 1990 virou, ali, comemoração de gol transmitida para o planeta.
Oito meses depois, o dono do gesto foi conferir de perto. Na final da Liga dos Campeões de 2024, em Wembley, Jay-Z ficou perto do gramado, abraçou Vini durante o aquecimento e viu o brasileiro marcar o segundo gol na vitória por 2 a 0 sobre o Borussia Dortmund.
Fora de campo, a agenda de Vini passou a ser a de um astro pop. Em 2025, a Netflix lançou “Baila, Vini”, documentário dirigido por Andrucha Waddington que acompanha o jogador ao longo de 2024, um ano de lesões, títulos e da luta contra o racismo nos estádios espanhóis. A Nike, patrocinadora do atacante, colocou nas lojas do país a chuteira Mercurial Vapor 16 com o nome de Vini. E, no começo de 2025, um grupo de investidores brasileiros e espanhóis ligado ao atacante comprou a SAD do Alverca, clube português que estava na segunda divisão. Em maio, o time subiu para a elite de Portugal.
É aqui que o modelo da Roc Nation se separa do empresário tradicional. Para a agência, Vini é uma marca que gera dinheiro com patrocínio, mídia, moda e investimentos, e o contrato com o Real Madrid é uma parte disso, a mais visível. A causa pública do atacante, o combate ao racismo, entra na mesma conta, como parte da imagem que ele construiu.
Endrick e a maior negociação do futebol brasileiro
Se Vini é a vitrine, Endrick é a prova de que a fábrica continua funcionando. Em 15 de dezembro de 2022, o Palmeiras anunciou a venda do atacante, então com 16 anos, para o Real Madrid. O acordo previa 35 milhões de euros fixos e até 25 milhões em bônus por metas. Somados os impostos pagos pelo clube espanhol, a operação chegava a 72 milhões de euros, e o Palmeiras a apresentou como a maior negociação da história do futebol brasileiro.
Para a agência, o negócio fechou um ciclo, e os sócios tratam as duas vendas como marcas da casa. “A transferência do Vinicius Junior foi o recorde de transferência brasileira. Ficamos felizes em quebrar esse recorde com a transferência do Endrick para o Real Madrid”, disse Renato Martinez, sócio da Roc Nation Sports Brazil. “Nosso objetivo é encontrar novos Vini Juniors, os próximos Gabriel Martinellis e novos Endricks.”
Endrick chegou a Madri em julho de 2024, ao completar 18 anos, e o que veio depois mostrou o outro lado do trabalho de um agente: administrar a fase difícil. Com poucos minutos no Real, ele foi emprestado ao Lyon, da França, para a segunda metade da temporada 2025/2026, num contrato de seis meses sem opção de compra. Na França, marcou oito gols, recuperou o ritmo e foi convocado por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo. De volta ao Real Madrid, voltou a ter poucas chances, e em outubro já aparecia ligado a um novo empréstimo em janeiro, com o Milan entre os interessados.
Numa carreira assim, a agência funciona como uma gestora de risco. Decide para onde emprestar, negocia minutos em campo, protege o valor de mercado do jogador e prepara o próximo contrato. É menos glamouroso do que um abraço em Wembley, mas é onde boa parte do dinheiro do futebol é ganha ou perdida.
O que Jay-Z realmente comprou
Olhando para trás, fica mais fácil entender o que estava em jogo em 2023. A Roc Nation não comprou só jogadores, porque jogador troca de empresário. Comprou acesso a uma linha de produção. O Brasil é um dos maiores exportadores de jogadores do planeta, e a TFM tinha mais de cem atletas espalhados entre a base e o profissional, com os contatos nos clubes que só se constroem em anos de mercado. Quem chega primeiro ao garoto de 14 ou 15 anos costuma estar ao lado dele quando a proposta milionária aparece.
O segundo ativo era o método, e é aí que o rap entra na conta. Em entrevista em 2024, Frederico Pena explicou de onde vem a cultura da empresa. “Quando ele começou a Roc Nation como uma agência de representação de artistas, era uma empresa de um artista para outros artistas”, disse o executivo. Segundo ele, a expansão seguiu a paixão de Jay-Z pelo esporte: “Primeiro ele entra no beisebol, depois ele entra no basquete americano, no futebol americano e, eventualmente, no futebol”.
Os números da operação ajudam a medir o tamanho da aposta. A tabela reúne os principais negócios ligados à agência e aos jogadores que ela representa, com os valores que foram divulgados:
| Negócio | Ano | Valores divulgados |
|---|---|---|
| Vinícius Júnior: Flamengo para o Real Madrid | 2017 (mudança em 2018) | Cerca de 45 milhões de euros |
| Endrick: Palmeiras para o Real Madrid | 2022 (mudança em 2024) | 35 milhões de euros fixos e até 25 milhões em bônus |
| Compra da TFM pela Roc Nation | 2023 | Não divulgados |
| SAD do Alverca, comprada por grupo ligado a Vini | 2025 | Entre 8 e 10 milhões de euros, segundo a imprensa portuguesa |
| Renovação de Vini com o Real Madrid | 2026 | Contrato até 2032, sem valores oficiais |
O que a tabela não mostra é o que vem junto com cada linha: os patrocínios, os direitos de imagem, os projetos de mídia e as comissões que acompanham uma carreira de elite durante mais de uma década. É nesse pacote completo que o modelo da Roc Nation aposta.
O modelo 360: o jogador tratado como artista
Na música, um contrato 360 é aquele em que a empresa participa de todas as frentes da carreira do artista, não só da venda de discos. Inclui shows, produtos, publicidade e licenciamento. A Roc Nation levou essa visão para o futebol. Ao anunciar a chegada ao Brasil, Pena disse que a empresa trazia para a América do Sul um serviço de representação esportiva completo, “um nível de serviço que nunca existiu neste mercado”.
Na prática, isso significa que a agência cuida ao mesmo tempo do contrato com o clube, das negociações de transferência, dos patrocínios, da presença nas redes, de projetos de moda e mídia e até de investimentos e ações sociais. É uma mudança grande em relação ao modelo que ainda domina boa parte do futebol, em que a carreira é tocada pela família. O exemplo mais famoso é o de Jorge Messi, pai e empresário de Lionel Messi, que conduziu os contratos do filho por mais de duas décadas.
No modelo tradicional, o agente ganha uma porcentagem dos contratos que negocia, seja o salário do jogador, seja a transferência entre clubes. Num modelo como o da Roc Nation, entram também os contratos comerciais. Um exemplo hipotético ajuda a ver a diferença: se uma agência fica com 10% de um patrocínio de 1 milhão de euros por ano, recebe 100 mil euros por temporada sem que o jogador precise trocar de clube. Com um atleta do tamanho de Vini, multiplicado por vários contratos, a conta ganha outra escala.
O mercado também ficou mais regulado. Desde outubro de 2023, a FIFA exige licença e prova para quem quer atuar como agente. A entidade também tentou limitar as comissões, mas os tetos foram suspensos depois de ações na Justiça europeia. Em julho de 2026, o Tribunal de Justiça da União Europeia deu um parecer sobre o caso e deixou a decisão final para a Justiça alemã, enquanto a FIFA prepara um novo sistema de transferências para janeiro de 2027. Para agências grandes como a Roc Nation, regras mais rígidas tendem a pesar menos do que para os empresários pequenos, que têm menos estrutura para cumprir as exigências.
2026: a Copa em casa e a renovação de Vini
A Copa do Mundo nos Estados Unidos funcionou como uma vitrine para a Roc Nation, que tinha 11 atletas representados no torneio, entre eles Vini, Chris Richards e Yan Diomande. Jay-Z, Juan Perez e DJ Khaled acompanharam jogos dos clientes, e Yormark resumiu o momento numa frase: “Este verão em solo americano representa a validação da nossa visão”.
Dentro de campo, Vini fez uma primeira fase de craque. Marcou no empate por 1 a 1 com o Marrocos, na vitória por 3 a 0 sobre o Haiti e fez os dois gols contra a Escócia, algo que nenhum jogador brasileiro fazia desde 2002: balançar a rede nos três primeiros jogos da seleção numa Copa. A campanha, porém, terminou nas oitavas, diante da Noruega, no jogo que Jay-Z assistiu da beira do campo.
Fora de campo, começou a negociação mais importante do ano. O contrato de Vini com o Real Madrid ia até 2027, as conversas pela renovação se arrastavam e o Arsenal passou a ser apontado como interessado. No começo de agosto, a Roc Nation Sports International divulgou um comunicado duro contra notícias que considerava falsas sobre seus jogadores. “Isso é inaceitável, principalmente quando nossos jogadores são atacados pessoalmente sem nenhuma base”, afirmou Yormark, que falou em possível difamação. Poucos dias depois, em 6 de agosto, o Real Madrid anunciou a renovação de Vini até 30 de junho de 2032. Os valores não foram divulgados oficialmente.
Uma renovação desse porte envolve salário, cláusulas, direitos de imagem e o futuro de um dos jogadores mais valiosos do mundo. Do começo ao fim, quem negociou pelo atleta foi a agência fundada por um rapper.
O que o rap tem a ver com isso
A história é de futebol, mas a lógica é do hip hop. Jay-Z criou a Roc-A-Fella porque não quis depender das gravadoras. Criou a Roc Nation para ser dono da estrutura em volta dos artistas. E, no futebol, preferiu comprar a agência mais forte do país a construir uma do zero. Em todos os casos, a ideia é a mesma: quem é dono da estrutura fica com uma parte maior do valor que o talento gera.
No rap brasileiro, a mesma conta vem sendo feita por quem decidiu montar o próprio selo e cuidar do próprio catálogo, como Matuê com a 30PRAUM. A escala é outra, mas o raciocínio se parece.
E o próximo capítulo já tem roteiro. A meta declarada da Roc Nation no Brasil é achar os novos Vinis e Endricks nas categorias de base. Na próxima vez que um garoto de 16 anos for vendido para a Europa por dezenas de milhões de euros, vale olhar quem está do outro lado da mesa. Há boas chances de ser um escritório em São Paulo que responde a uma empresa criada por um rapper do Brooklyn.
Perguntas frequentes sobre Jay-Z e o futebol
Jay-Z é empresário do Vini Jr.?
Na prática, sim. Vinícius Júnior é representado pela Roc Nation Sports Brazil, divisão brasileira da Roc Nation Sports International, empresa fundada por Jay-Z. A ligação começou em julho de 2023, quando a Roc Nation comprou a TFM, agência de São Paulo que já cuidava da carreira do atacante desde o Flamengo.
Quais jogadores brasileiros a Roc Nation representa?
Quando comprou a TFM, em 2023, a Roc Nation herdou uma carteira de mais de 100 jogadores, da base ao profissional, com nomes como Vinícius Júnior, Endrick, Gabriel Martinelli e Lucas Paquetá. A operação brasileira fica em São Paulo e é presidida por Frederico Pena, fundador da TFM.
O que é a Roc Nation Sports?
É a divisão esportiva da Roc Nation, criada em abril de 2013 por Jay-Z e Juan Perez. Começou no beisebol, com Robinson Canó, chegou à NBA e à NFL e, desde 2019, tem um braço internacional com base em Londres, voltado principalmente ao futebol e comandado por Michael Yormark.
Quanto o Real Madrid pagou por Endrick?
O acordo anunciado em dezembro de 2022 previa 35 milhões de euros fixos e até 25 milhões em bônus por metas. Com os impostos pagos pelo Real Madrid, a operação chegava a 72 milhões de euros. Endrick só se mudou para Madri em julho de 2024, quando completou 18 anos.
O que significa o gesto de diamante do Vini Jr.?
É o “Roc diamond”, símbolo da Roc-A-Fella Records, gravadora fundada por Jay-Z em 1995, e depois da Roc Nation. Vini fez o gesto ao comemorar um gol contra o Napoli, em outubro de 2023, três meses depois de a Roc Nation comprar a agência que cuida da carreira dele.
Quando Jay-Z virou agente de atletas?
Em 2013. Jay-Z lançou a Roc Nation Sports em abril e, para conseguir a licença de agente da NBA, vendeu a pequena participação que tinha no Brooklyn Nets, já que as regras da liga proíbem que um agente seja dono de time. Os primeiros clientes foram Robinson Canó e Kevin Durant.





