Há exatos três anos, em 14 de julho de 2023, Vulgo FK apertou o play no projeto que reorganizou toda a sua carreira. “Perdas & Ganhos” chegou às plataformas como o primeiro álbum de estúdio do rapper da Cidade Tiradentes pela Som Livre, em parceria com a GR6, e não demorou nem 48 horas para virar assunto obrigatório na cena. O que ninguém previa é que, três anos depois, o disco continuaria rodando como se tivesse saído ontem.
Neste 14 de julho de 2026, o próprio artista voltou às redes para marcar a data. Publicou o print do Spotify mostrando o número que o álbum acumula na plataforma, mais de 565 milhões de streams, e escreveu que aquele foi “o álbum que mudou minha vida”. Também deixou escapar o que a base de fãs já pedia há tempo: “Perdas e Ganhos Vol. 3” está a caminho.
O álbum que dividiu a vida de Vulgo FK em duas metades
A ideia por trás de “Perdas & Ganhos” nunca foi sutil, e é justamente aí que mora a força do projeto. Vulgo FK pegou a própria trajetória e partiu ao meio. As seis primeiras faixas cuidam das perdas, com uma sonoridade mais fechada, melancólica, quase confessional. As nove seguintes assumem os ganhos, com batidas de festa, ostentação e alívio. Quinze músicas, pouco mais de 37 minutos, e uma tese simples: nada que ele conquistou veio de graça.
O peso emocional da primeira metade não é retórica de marketing. FK carrega no disco a morte do irmão e a de MC Kevin, o artista que o descobriu, ligou para elogiá-lo e abriu a primeira porta real da sua carreira. Quem escuta “Perdas (Introdução)” e a sequência que vem logo depois entende que aquele não é um rapper posando de vulnerável para render clipe. É alguém contando o preço da conta.
Do outro lado, os ganhos aparecem sem culpa. Jacaré no peito, corrente pesada, carro, festa, mulher. A frase que resume o álbum inteiro talvez esteja em “Porsche Hortelã”, quando ele admite que não sabe quando fez o primeiro milhão, mas lembra exatamente de como gastou. É esse tipo de honestidade meio torta que segurou o ouvinte por três anos.
Ballena, Porsche Hortelã e a semana em que o Spotify virou de ponta-cabeça
A estreia foi absurda. Das quinze faixas, quatorze entraram no Top 200 do Spotify Brasil já no lançamento. Foram mais de 10 milhões de reproduções em dois dias, e o álbum debutou na terceira posição do ranking global de estreias da plataforma, feito raríssimo para um disco de rap brasileiro. No YouTube, o clipe de “Ballena” cravou o primeiro lugar entre os vídeos em alta, acompanhado pelos visualizers de “Celine” e “2023”.
“Ballena (Duas Doses, Bebida Rosa)”, com Veigh e MC PH, já tinha vazado como prévia no Instagram e feito milhões de views antes mesmo de existir oficialmente. Virou o cartão de visita do projeto e um dos maiores hits do trap nacional daquele ano. Mas seria injusto reduzir o disco a uma faixa. “Porsche Hortelã”, “Celine” com KayBlack, “2023” com MC Ryan SP, “Não Me Liga Mais” com Djonga, “Jacaré No Peito”, “Abre o Quarto” com MC Poze do Rodo e “Pra Que Isso?” formam um repertório que aguentou o tranco do algoritmo e continua nas playlists.
Meio bilhão de streams e a prova do tempo
Número de estreia todo mundo consegue, com prévia viral, feat certo e verba de marketing. Difícil é o disco continuar sendo ouvido três anos depois, quando a novidade acabou e a cena já girou umas dez vezes. É aqui que “Perdas & Ganhos” se separa da maioria.
Passar de 565 milhões de streams só no Spotify coloca o álbum em outro patamar de conversa. Não é um projeto que estourou e sumiu, é catálogo. É o tipo de trabalho que segue rendendo receita, show, contrato e relevância anos depois do lançamento, o que na indústria de hoje vale mais do que qualquer pico de uma semana. Para quem acompanha o rap brasileiro de perto, esse tipo de longevidade ainda é exceção, não regra.





